Cap.
9- A harmonia do caos.
Grande amparo que me
dá a corrida que faço todos os dias
Ao negrume que
apodera-se de meu ser apresento a claridade
Através de um dia
lindo com pássaros fortes não me alias
Do mundo que me
cerca e de tua cidade
Quê cidade que
pensas nestas magias?
Justo mundo que me
ensina o esplendor.
Da vida que me cerca
com cantorias,
De pássaros que nos
seus cantos de condor
Me trazem lembranças
de um velho amor.
Não julgo necessário
aqui ficar com patavinas
Pois o mais
importante é que o rei destas paragens
Ë senhor da natureza
que insiste em se mostrar nesta plena manhã.
Das trevas vem a luz
que me ilumina.
Da dor provém a
glória de muitas minas
Dos ouros e das
desventuras,
Dos outros e de
minhas agruras.
Que venha então a
ira de todos estes reis de que tanto se fala.
Se é que são
poderosos desafio seus rancores com minhas lutas
Minhas multas por
excesso de velocidade são mudas
Não falam o que não
quero ouvir
Singelamente me
detenho por instantes
A dizer aos que
ouvem.
Que o silêncio vale
mais
Que muitas palavras
dúbias
Sentimentos que se
apresentam imantes
Em meu ser não sei
de onde provém
Tamanha sorte de
animais
Vorazes de forma
súbita
Correr ao sentido de
uma grande frase
De um grande poema
de um grande livro
De um grande sentido
De um algo que está
atrás
Do primeiro passo
Do primeiro
pensamento
Passo penso
Penso passo
Penpaso o penso
Papenso o passo
Pompenso o papenso
Poema este que tenta retratar como
em nossas vidas buscamos um sentido para tudo o que fazemos, e igualmente na
corrida há um sentido mais amplo que simplesmente correr ao léu, como quem nem
sabe o que está fazendo. Na realidade é certo que podemos correr sem grandes
compromissos com esta própria corrida, já que a corrida pode ser executada de
forma totalmente descompromissada e idônea. Somos capazes de levar aquilo que
estamos fazendo de milhares de pontos de vistas, podemos ser pessoas com a
consciência mais ampla do que estamos fazendo, ou Ter uma mera idéia do que
desempenhando, o fato de que estamos retratando pode ser comprovado com as
próprias palavras escritas neste livro, pois são na verdade pensamentos que
visam aumentar a consciência e os conhecimentos sobre a corrida. É natural que
queiramos portanto diferenciar os diversos níveis de estado de consciência,
assim sendo diremos que estes níveis de consciência podem ser relacionados
perfeitamente aos níveis de treinamento, ou seja NÍVEL DE TREINAMENTO X NÍVEL
DE CONCIÊNCIA. Bastante interessante estes pensamentos, porém é possível
que o leitor, necessitado de mais explicações para entender a linha de
pensamento esteja pedindo e acima de tudo exigindo detalhes sobre o tema
abordado. De sorte que estou aqui justamente para isso, e sem me demorar muito
aqui me disponho gentilmente a explanar
através de uma anedota que achareis inconveniente ou do contrário bastante
aprazida.
a) Nível de consciência.
Breve sátira fictícia em forma de
descrição: “O senhor Teobaldo Siqueira, é uma pessoa bastante venerada e
respeitável pela alta sociedade. Teobaldo sendo um filósofo de tamanha
desenvoltura possui uma consciência de vida
considerável, num belo dia se dispôs a correr por um parque, já que
incentivado pelo frescor da manhã não se conteve. Teobaldo é corredor de longas
distâncias, e sempre que desempenha sua atividade motriz decide que é um bom
momento para filosofar e pensar sobre a vida. A pista de corrida em que corre é
bastante agradável, possuindo através do trajeto árvores dos mais variados
aspectos. Teobaldo não se contendo com tamanha beleza chega a pensar no
universo e em toda a situação em que surgiu o universo... o Big-Bang... as
estrelas... planetas... na possibilidade de seres de outros planetas o estarem
vigiando... no significado verdadeiro da corrida. Derrepente num surto
espontâneo de alegria começa a cantar uma antiga canção que aprendera quando
criança, fato que ele mesmo estranhara pois havia se esquecido de que a letra
era de sua própria autoria. Consumido pela nostalgia de suas próprias reflexões
bateu com a cabeça numa árvore e morreu quase que instantaneamente. Todos os
outros corredores que utilizavam porventura a pista neste momento pararam de
correr preocupados com aquele corpo inerte no meio da pista, que inclusive
atrapalhava o treino de muitos, e talvez este houvera sido o motivo principal
para que um dos corredores chamasse uma ambulância, não sabia este sujeito que
seu procedimento fora inútil, já que nosso querido Teobaldo Siqueira estava há
muito tempo gélido como um iceberg.
Ocorreu que no mesmo instante em que
nosso personagem topara com a árvore
mais letal que possa Ter aparecido neste mundo outro companheiro produzia com
grande vontade seu próprio treinamento, na verdade era um garoto de seus 15
anos, e estava realmente empolgado com sua corrida, mas na verdade não entendia
muito sobre corridas, o que ele gostava mesmo era de correr e sentir o vento
através de sua face, sentir as pernas doendo era para ele a pesar de uma idéia
estranha algo que apreciava, porém para sua estranheza acabara de pisar em algo
meio mole, que com toda a sua loucura de querer correr e sentir o vento na cara
e as pernas doendo nem percebera o que era. Nós dois, você leitor e eu dessarte
que desconfiamos qual fora o objeto em que Speed Marc acabara de pisar. Sim!
Certamente meu caro leitor... Speed Marc pisara exatamente no cadáver de
Teobaldo Siqueira, fato que a pesar de estranho é devido à frenética corrida de
Speed Marc, pois ele estava totalmente concentrado no vento que batia em seu rosto,
e gostava muito de sentir a dor na perna, é verdade pensava ele que seus
treinamentos eram muito espontâneos, e ele não tinha nada de se preocupar com
horários ou formas de treinamento, simplesmente corria quando lhe aprazia, e
corria o quanto conseguia, ou até que começasse a achar aquela atividade
enjoativa, ainda que gostasse muito de sentir o vento na cara e as dores nas
pernas. Muitos dizem ainda que Speed Marc fora o responsável pela derradeira
morte do respeitável senhor Teobaldo Siqueira pelo fato de haver maldosamente
pisado justo na parte da cabeça em que ocorrera a contusão. A história é
propensa a continuar, mas já que o final é todavia mais trágico não me proponho
a contá-la por inteiro, que o leitor fique satisfeito ou insatisfeito com o que
têm!”
Meus queridos leitores: Quê crêem
realmente ser o assunto mais importante deste supradescrevido conto? Nos
encontramos com dois personagens bastante distintos entre si, um deles,
caracterizado por Speed Marc, é bastante inconsciente de sua própria corrida,
enquanto que Teobaldo, que infelizmente jaze a sete palmos, é nosso grande
herói das verdades humanas, têm plena consciência do mundo que o cerca, e de
tudo o que faz... Uma história de final triste, mas que trás à margem de nossos
pensares a idéia de quê é ser uma pessoa um pouco mais consciente ou menos ou
chegar ao cúmulo de ficarmos presos às meras sensações físicas como era nosso
empobrecido Speed Marc. Estamos todos submetidos à um inquérito que diz
respeito às nossas próprias pessoas: Qual é seu nível de consciência? Até que
ponto você não entende o que está fazendo? Por quê corre? Qual seria o
verdadeiro motivo que o levou a correr? Eu corro porquê é uma atividade sadia
ao corpo e à mente. Pois sim, pois sim: se esta é a resposta, não deveria nem
perguntar. Me entrego a questões que sejam de outra laia, como aquela que dizem: Quanto você está
pesando? E a resposta: Eu estou pesando tanto, e depois que comecei a correr
fiquei esteticamente perfeita... e patati, e patata, e tititi, e tatata. Não,
não meus caros senhores e senhoras.... Fico cada vez mais indignado com o que
vejo nos meios de comunicação de massa, pessoas que querem enganar a população
sendo enganadas pelas suas próprias ideologias simplistas. A filosofia seria de
certo um bom caminho para os seres que são dotados de inteligência.
Estou até
rubro de Ter de dizer isso à vocês, pois sabemos então em uma conclusão
distorcida pelos pensamentos nervosos das últimas linhas que o populacho é
submetido às ideologias expostas pelos meios de comunicação de massa, assim
sendo devemos reparar que estes ignóbeis meios de comunicação consomem a
imaginação da população de forma que esta fique empedrada com as idéias e
informações que chegam em torrentes, sem dar tempo para que sejam sequer
assimiladas. Quê fazer no caso de que estejamos nós mesmos inseridos neste
dilema? Off, este seria o botão do controle remoto mais adequado a ser
utilizado pelo indicador. Paz, e silêncio são coisas essenciais para que nossas
razões funcionem de forma coerente e sadia.
Pois então
aqui estamos! Filosofando, realmente filosofando. Para diferenciar as pessoas
que vivem com os sentidos daquelas que vivem com a razão devemos utilizar o
crivo da diferenciação, as primeiras vivem amotinadas sem saber direito aonde
ir, e por qual caminho seguir, ou mesmo o que são. Enquanto isso as segundas
são pessoas calmas que procuram entender o mundo que as cerca, a por assim
dizer têm um pouco mais de alicerce quando devem decidir algo que julgam
importantes. As pessoas dos sentidos (
Definiremos como pessoas estagnadas ) não têm muita capacidade de caminhar por
suas próprias idéias, e, por isso são influenciadas por outras pessoas.
O ideal seria
nos mantermos em uma espécie de equilíbrio, perante o inquérito devemos dar
respostas honestas e sinceras, que possuam um conteúdo apreciável, pois todos
os seres humanos hão de Ter a mesma essência, nascemos e morremos todos nas
mesmas situações, e por isso julgo que no antro de nossos seres exista algo que
seja similar a todos, e por assim dizer, os prazeres e desprazeres sinceros dos
humanos são os mesmos, o caos e desorganização são iguais mudando apenas
detalhes sem importância, assim como a organização e a harmonia que somente
pode ser uma pois se outra fosse não seria de forma certificada e verdadeira,
não pode haver fingimento nestas duas vertentes opostas umas às outras. Se você
está perdendo a paciência com este assunto meu caro e honesto leitor, eu lhe
permito fechar este livro neste exato momento, pois o que estou dizendo nestas
linhas é algo que foge à compreensão de muitas pessoas, é simplesmente
questionar a tudo e a todos, duvidar das coisas mais simples da vida como aquela
pessoa que responde que gosta de corre porque acha ou julga que está
emagrecendo com isso, mas eu não me restrinjo de maneira alguma a respostas tão
simplistas como esta, quero mais, quero chegar aos limites dos discernimentos
que alguém pode chegar sobre este assunto. Pois eu corro por outros motivos, e
entre estes motivos está a grande influência que recebi de tudo que me cercou
até agora em minha vida, pois mais fundo irei: eu corro porquê nasci, pois se
não houvera nascido não poderia correr porquê não existiria no mundo.
São questões
que passam das meras questões que fazemos todos os dias repetidamente, de forma
mecânica, quase como um computador, com a diferença de que temos duas pernas.
Sem me
expandir mais que poucas linhas neste assunto direi que devemos melhorar nossos
níveis de consciência sem deixar de lado o prazer de sentir o vento no rosto e
as dores na perna.
B) Nível de treinamento.
Há
também o que dizemos ser o nível de treinamento, é importante sabermos que há
uma íntima relação entre o nível de treinamento com o nível de consciência. O
treinamento é parte da vida da pessoa que treina, e como a própria vida deve
ser vivido, e este pode ser vivido de forma consciente ou não, assim como a
vida.
Um treinamento
de nível alto não é necessariamente aquele efetuado pelos atletas de elite, que
supostamente correm mais rápido, mas sim aquele treino em que há uma idéia a
curto, médio e longo prazo, onde quem treina sabe exatamente o por quê de estar
ali. Tomar as posturas certas nos diversos momentos do treino é coisa que
melhora nosso modo de treinar de forma positiva.
Como exemplo
deste tópico temos o fato de que um corredor pode efetuar 10Km em seu treino
sabendo que treina para determinada prova, porém sem se importar com a visão
mais abrangente de seus próprios treinos, semanais, mensais e até a idéia de
treinamento anual. O ideal é portanto sempre perguntar-se se os objetivos estão
sendo atingidos, se há reais objetivos, e qual a melhor postura para que estes
sejam logrados.
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