Cap. 10- A CIÊNCIA E A CULTURA
A sinceridade é consolidada
na solidão.
A cultura se divide em
muitas cascas, é uma cebola.
Com
mais tranqüilidade que no capítulo anterior dissertemos sobre o quanto a
corrida nos ajuda. Treinar é por si um ato cultural, é uma atividade criada
pela própria sociedade, por causa do desenvolvimento da ciência descobrimos que
as atividade físicas podem fazer bem ao organismo, este é o lado prático
desenvolvido pelas ciências especificamente medicina. É fato que anteriormente,
no início das civilizações o treinamento físico fora devido às guerras, como
também ocorre hoje, porém expandiu-se para outras causas, de forma que não
somente a guerra é pressuposto de treino e também saúde.
É a cultura o
conhecimento que nos envolve, através de todos os tempos acumulamos toda esta
carga de informações, sendo assim já nascemos inseridos em um berço cultural,
que nos influencia de maneira estrondosa, o pensamento é por assim dizer
influenciado pelas idéias dos antepassados, mesmo que relutemos contra é fato
inevitável. Difícil seria querer fugir da cultura já que esta é impregnada em
tudo e em todos. Numa praxe simplista diríamos que corremos por causa da
cultura, poder-se-ia correr para sobreviver, neste caso correríamos por
instinto e não por cultura, tal como fazíamos num tempo remoto, a cultura
emerge do aprendizado, a partir do momento em que tivemos inteligência
suficiente para reconhecer que correr era uma coisa boa para fugir do predadores
criamos a cultura da corrida, assim não era mais a corrida um ato mera e
simplesmente instintivo. Assim à posteriori surgiu a cultura da guerra, que
insisto em dizer que persiste até hoje, nesta estavam tanto as estratégias de
ataque como tipos de treinamentos: espada, arco e flecha, machado, escudo,
lutas, cavalaria e por que não diríamos a corrida propriamente dita? Assim como
um atleta de hoje um guerreiro da antigüidade deveria ser resistente para
suportar toda e quaisquer intempéries que pudessem vir à tona. Assim a cultura
se desenvolveu de tal forma que nesta sempre esteve impregnada a idéia de que
de uma forma ou de outra a atividade física ajudaria, seja para fugir de um
leão como para correr ao castelo de um inimigo. Com o advento da medicina foram
feitas as novas descobertas, delas a de que a atividade física é beneficiosa ao
organismo, assim começou-se o surto de “malhar”, ou praticar movimentos
corporais com constância para que o corpo esteja saudável.
Nos três
casos vemos que foram desenvolvidas culturas diferentes para a mesma atividade,
o que é fato inospitamente interessante ao meu ver. Pode ocorrer porém de
estar-se numa cultura que priva determinadas atividades, tanto pela falta de
conhecimento ou descobertas como pela falta de necessidade. No primeiro caso
vejo se tratar bastante dificultoso já que correr é por si só uma atividade
bastante natural no ser humano, é portanto inato ao homem saber correr
independente do ambiente ou cultura no qual nos vemos inseridos. Na Segunda
consideração há plena conveniência já que não havendo necessidade de correr:
Por quê se haveria de fazê-lo? Maior exemplo disto é que vivemos na “sociedade
do controle remoto”, tão facilitadas as coisas que a maioria não vê necessidade
em levantar-se de uma poltrona, sofá, banco, rede, cama, beliche ou o que quer
que seja já que numa análise superficial não há quaisquer necessidade de
correr, pois os leões que antes nos perseguiam hoje não se aproximam das
cidades, e quando o fazem certamente morrem com tiros inescrupulosos e
injustos. As guerras que antes haviam não mais são combatidas fisicamente como
antes e sim com bombas dos mais variados teores, e até por aviões como vemos
ultimamente. O fato é que ninguém sai do lugar, dando assim vazão à outros
problemas: quando chove fica-se resfriado e logo deve-se tomar remédios, aliás
vivemos num mundo em que os remédios são solução para tudo, do contrário a
corrida serve para fortalecer o organismo e não permitir que este suposto
resfriado, como muitas outras doenças, penetrasse em nosso organismo. Há
portanto grande diferença em evitar que remediar. Nós mesmos criamos culturas
que às vezes foge ao controle e provocando muitos outros males, males estes à
vezes maiores que os anteriores, pois a cultura certamente é criada quando há a
necessidade de evitar-se ou melhorar algo que não está ou não considera-se
estar bem.
A - Divagares sobre: Arte / Cultura
refinada / Humanização / Sonhos
O
perigo está em mais apaixonar-se pela arte que pela razão, pois a primeira é
mais contagiante que a outra. Entretanto consta que são amigas, engrenagens que
quando separadas não permitem que funcione o relógio da vida.
O perigo está em mais entreter-se e
emergir na arte, mas não consta como perigo quando alicerçado com a razão que
lhe confere motivo de existência e guia-lhe o caminho.
Cultura
refinada é a mais bela essência do homem enquanto ser humanizado, é a beleza do
viver mais detalhado, intenso e belo. É o novo nível, a outra vida, a cultura
que constrói pelo belo, no belo, com o belo. Com nuances que muito fogem à
visão de um bruto.
A capacidade em emocionar-se, de
viver a verdadeira essência, está dentro da expansão detalhística da cultura
refinada. A essência se aproxima da retratação mais fiel do ser. Na música, na
literatura, na pintura, na dança que são veículos de expressão do ser humano.
Expressão do quê? Da realidade sentida e vivida. É a expressão tão fiel quanto
a emoção propriamente dita? Talvez não, mas na cultura refinada pode mais se
aproximar à uma realidade complexa e indecifrável que é a realidade do ser
humano.
Não nos esqueçamos que expressar é
transmitir, comunicar, contactar à outrem. A arte é portanto existente devido
às relações e interações dos humanos, logo não existe arte propriamente
verdadeira até que esta não seja interpretada por outro. A arte é o objeto que
é “personificado” com o sentimento. Adquirindo um significado, uma idéia, uma
filosofia, por mais abstrata que esta possa parecer.
A arte é extremamente detalhada, requer
concentração, dedicação, repetição, criação ( criatividade ). Exigindo muito da
inteligência e lógica, além de desenvolver sensibilidade, expressão e os
sentimentos, mudando o modo de entender e interpretar a vida naquele que a
“treina” ( pratica / vivencia )
O artista é portanto um interprete
profundo dos sentimentos, amores, rancores, mágoas e alegrias humanos, e vive a
vida de maneira mais profunda, adquirindo com isso uma personalidade mais
forte, o cerne de sua personalidade é a percepção dos detalhes que se desloca
do instrumento para a vida, pois as situações da vida são um instrumento com o
qual devemos aprender a nos comunicar.
Pois então o artista se comunica com seu instrumento tal como o
ser se comunica com a vida? Analogia cabível já que o interpretar é
vivenciar um estado de espírito.
A sociedade
regurgita regras que impedem o desenvolvimento do ser. O aprimoramento do homem
( humanização ) depende de uma série de detalhes, estes que são explicitamente
barrados quando estamos submetidos à determinados parâmetros de vivência, ou
mesmo num tom mais rude: privados da liberdade, esta “liberdade” não é a mera e
simples tosca significação da palavra, mas sim o encontro com o próprio
indivíduo, que anda perdido de si mesmo.
A alegria não pode provir do comprar (
comprar um produto ) mas sim do vivenciar sinceras situações.
A realidade que se vive é menos
importante que a “ilusão” dos sonhos,
pois a última é mais verdadeira do que acreditamos como verdade, é o psiquismo
aflorado e não um mundo totalmente ilusório e diferente como todos pensam. Se
estes pensam que são diferentes os sonhos, estão eles deslocados de suas
próprias realidades.
Os sonhos são fatos distantes e próximos
ao mesmo tempo, são o “eu” e o temeroso desconhecido ao mesmo tempo. Não sou eu
desconhecido à min mesmo? Somos um nadador, no mar de nossos próprios “eus”,
entretanto temos medo de mergulhar, ou então falta-nos oxigênio no cilindro.
Tudo é dissecável, ainda assim há os que
preferem se ater às simplórias vivências, são os que nada se atém a percrustar
as múltiplas facetas da vida.
O entendimento profundo dos mais diversos
assuntos é porventura um nobre fato que à poucos é designado. O poema é demonstração mais bela que a razão
pode chegar, é o momento crucial em que a razão se torna plena e entra em
conduência com a abstração, provando definitivamente que razão e abstração são
agras de um mesmo rio.
Coração e treino
O coração se adequa à vida
Da morte surge a vida
Se esvai a fétida morbidez
Áurea alegria se insere nos
recônditos mais profundos de meu ser
Antes que chegue a morte com seu
eterno dilema me atormentar
Viver com plena consciência, não
distante e enterrado como assim diria Platão
Quero como uma pluma cair e ser
levado pelo sabor dos ventos que à min aparecer
Ver o coração bater compassado,
sublime e aquietado
Mas não morto e tão pesado quanto
uma pedra atirada à um negro fosso
O treino traz à vida o bater do coração,
compassado e regulado
É certo dizer que a corrida tal como é
difundida hoje trata-se do resultado de um processo cultural, uma ideologia.
Todos correm para a saúde, ou para ficar em forma, na sociedade da televisão,
celular, niilismo e alienação. É toda uma tecnologia desnecessária para o
conhecimento da essência do ser humano, a ciência desenvolve tecnologias que
hipnotizam os humanos: aviões, “games”, máquinas das mais diversas. As estrelas
do céu cansadas de tal injúria ao verdadeiro cerne fugiram. ( Fugiram ou estão
por trás duma cortina de poluição? )
Os humanos são portanto presas de suas
próprias invenções. A cultura guia seus preceitos e modos de pensar, pode tanto
humanizar quanto desumanizar, depende da cultura.
No que confere à arte é precioso notar a
supressão desta num mundo de facilidades, prazeres e satisfações, hoje em dia,
no ocidente: O importante é ter e não ser. Onde diabos fomos parar? Será
possível que a tecnologia tenha atrapalhado de alguma maneira o desenvolvimento
moral da sociedade? A corrida ficou tão fria e destituída de valores quanto a
própria sociedade. Há... ( Desalento do autor. ) Mas que crítica ferrenha... É
fácil criticar? ( Não sei se reclamo ou critico, já que reclamar é cuspir blasfêmias
das mais requintadas variedades e criticar é colocar um ponto de vista racional
naquilo que é discorrido. )
Me pergunto então: Quais os valores
morais da corrida? Os valores filosóficos, teóricos, sentimentais, metafísicos
e racionais ajudam e proporcionam peças que constroem a moral e o caráter de
uma pessoa. Para isto a arte é necessária, pois a arte traz uma profundidade à
vida, nenhum qualquer outro recurso pode fazer isto com tal ímpeto.
A ciência é parte da nossa cultura, é
evidente que sua contribuição é irrefutável, tal como a arte que também compõem
a cultura. É de grande tristeza notar que a ascenção descomunal da ciência ( me
refiro aqui aos aspectos tecnológicos desta ) enfeitiça as pessoas fazendo com que a arte seja
esquecida, e toda a sua grandeza, hoje, no século XXI olhamos ( Me incluo no
contexto meramente por questão de respeito e consideração ao leitor. ) um
quadro abstrato e dizemos: - Há! Que engraçado, mas qualquer um poderia ter
feito isso aí... É só jogar um balde de tinta na tela e fazer um ou dois
rabiscos.
Pois é meus amigos, vivemos no mundo do
“qualquer um”, o que representa a derrocada dos valores artísticos e da
cultura, o que não se sabe é que aquela obra exemplificada abstrata
‘possivelmente muito mais profunda que outra de caráter realista: em
sentimentos, expressão e idéias. Somente com muita sensibilidade nos detalhes,
nas nuances pode-se notar o alcance e caráter de uma obra de arte.
Assim também funciona a corrida, tem a
mesma profundidade ideológica e cultural que qualquer música clássica ou peça
de teatro, o fato é que não mais conseguimos à isto enxergar já que fomos
seduzidos pelos prazeres fáceis: Uma esteira cheia de botões luminosos, de
todas as cores e gostos, escritas em idiomas atrativos e belos, com todos os
tipos de cálculos: percentual de gordura, freqüência cardíaca, peso e altura. E
todos os tipos de regulagens: Baixo, médio, alto.
Quê importa tudo isto à semente de nossas
consciências? Nada! Há uma anciã de arte em nossas raízes, por mais que
possamos fugir, tudo demonstra escassez de valores nas pessoas. Para min,
correr só pela saúde não é correr! Há de haver algo a mais: O prazer de vivenciar
uma realidade complexa, com odores diversos, luz, obscuridade, pedras, água,
barro e plantas. Quero arranhar-me em plantas desconhecidas, cair e levantar,
sujar-me de barro, olhar ao redor como tudo muda, cenários diversos,
mistérios... De repente tudo fica
escuro, sentir medo. Medo de quê? Das plantas? Que estranho: há tênue luz, uma
luz opaca e débil. Emite a lua a luz?
Sim! Descobrir e vivenciar: Isto é
correr! Correr vivenciar de corpo alma,
e não se restringir ao corpo enquanto a mente se preocupa, aterrada, com um
violentíssimo telejornal, muitas vezes sensacionalista. A concepção que se têm
da corrida mediante nossa cultura de facilidades é distorcida.
Os caminhos árduos, são preenchidos de
valores morais e ideológicos mais intensos que os fáceis, correndo daquele
jeito intenso aprendo a respeitar o corpo, assimilo um estranho silêncio que há
em tudo que me cerca, uma distância de tudo. Pouco a pouco vamos assimilando
estes valores nos preenchendo, também
quando corremos em equipe, aí então se inserem os valores sociais. Não obstante
é importante ressaltar aqui que defendemos de igual maneira a solidão, e a
importância desta para a formação completa do indivíduo.
Quando sozinhos pensamos de outra
maneira que quando acompanhados de outras pessoas? Atuamos diferente? O grande
perigo de estar sozinho é encontrar consigo mesmo. Por isto as pessoas têm
pavor de estar sozinhas. Alia-se à isto o fato de que companhia é considerado
status, aquele que está só é por certo considerado desarrazoado e inferior.
Somente os maratonistas conseguem
compreender a importância de estar só, descobrem que nunca estarão só, pois
enquanto correm conversam consigo mesmo, com suas essências. Neste momento é
impossível querer enganar a si mesmos, a sinceridade é consolidada na solidão.
O fato é que quando acompanhados não
pensamos no que somos, mas na imagem que estamos transmitindo aos outros, isto
é anti natural, aí que a cultura influencia no modo de correr e de viver. É
quase luminescente dizer que a corrida é
um encontro com você mesmo, um momento de vácuo, vazio, silêncio e ao mesmo
tempo um momento áureo e esclarescedor. São somente nestes momentos que
conseguimos organizar e concatenar idéias que até então estavam distantes de
nós. O subconsciente se aflora na solidão.
Debater sobre cultura é em suma assunto
para muitos anos de estudo, é bastante evidente que deveremos ponderar sobre
este tema de maneira suscinta. O homem, enquanto ser humano, esta alicerçado
nos parâmetros culturais, estes, por sua vez, foram através dos séculos mudando
num processo de tentativa e erro, numa cadência de aprendizagens e ganhos de
experiência. O indivíduo que não se aproveita de toda a cultura não é completo.
Lutamos com todas as forças possíveis para chegar no estágio em que agora estamos,
não conhecer nada disso é ser indiferente à realidade do mundo, por isto é de
supra importância o estudo da história, ainda neste livro, no capítulo 33
- Grécia e Maratona, confabulamos
algo sobre os primórdios da história da maratona ( Não deixe de consultar ).
Assim, a história é parte da cultura,
aliás é uma ferramenta para que possamos estudar as culturas de todas as
épocas, para chegar a saber qual o motivo de nossa cultura ser assim como é.
Neste ambiente se insere o estudo e conhecimento dos estilos aquitetônicos, as
guerras, a literatura, a música, a filosofia juntamente com os grandes
pensadores. Cada assunto destes têm dentro de si um processo histórico
específico, neste processo histórico encontraremos vários estilos. Vários
estilos de tudo: de música, de armas, de construções, de linguagens, de
alimentos, roupas, pinturas, encenações e uma infindável gama de áreas.
A cultura pode então traduzir-se como
estilos? Talvez possa ser esta uma das designações que possamos dar à ela. Há
por certo supra importância em entender os processos de seu desenvolvimento,
estaremos com isto melhor inseridos na sociedade. Mas quê há de novidade nisto?
Isto qualquer um pode concluir concatenando as idéias com zelo. Bem... Como
aqui neste compêndio não estamos tratando de qualquer um explicar-me-ei com
maior nitidez: Há por certo o fato de que sabemos que algo é importante mas não
o respeitamos, sabe-se que há inevitável importância no estudo da história da
cultura e dos estilos em uma infindável gama de áreas, entretanto pudicamente
muitas vezes nos deixamos envolver por coisas supérfluas senão até mesquinhas
com o simples subterfúgio do deleite, prazer e satisfação em curto prazo, a
maior satisfação no entanto provém daquilo que é requisitado labor e dispêndio
de grande esforço, os resultados serão satisfatórios e perdurarão por um longo
prazo senão para sempre. ( Com grande comedimento me vejo forçado a pedir
desculpas ao leitor despreparado e inteligentemente sábio pelo que será
proferido ) Quê é mais eletrizante: Ver bundas na televisão revoluteando para
um lado e para outro ao som de músicas hilariantes, mesmo que seja em segundo
plano ou ler uma sinopse a respeito de filosofia ou literatura? Talvez o
eletrizante não seja o mais adequado ao engrandecimento da alma, mente e
sapiência. É infelizmente esta a cultura proporcionada à maior parte da
população, se é que isto pode ser chamado de cultura, já que muitos se
aproveitam dos instintos humanos para ganhar a melhor.
Levamo-nos a crer que a cultura se
divide em muitas cascas, é uma cebola que quanto mais para dentro se vai menos
fica, mas é aí que chegamos no cerne, o cerne é a cultura mais requintada,
ironicamente esta é a menor parte da cebola, notamos com clareza que a melhor
parte da cultura é menos difundida, aprendida e assimilada enquanto que a
escória das inundices instintivas são as armas mais mortais de venda de
qualquer produto ou idéia. Falo de maneira mordaz por ser realista: Quantas
vezes não vimos uma propaganda de bebida com mulheres estonteantes? Por uma questão de educação me vejo obrigado
a não citar qualquer letra de música, que de maneira sobrenatural conseguem
entorpecer a inteligência de qualquer um, digo qualquer um justamente porque a
pesar de não ser um acontecimento benigno ao espórito são atrativos aos
instintos mundanos, incitando nossas respostas mais simples de alegria
extremista, sexualidade e satisfação. Há belezas muito mais profundas na cultura,
conforme já citado, que estas satisfações momentâneas, são aquelas que se
fundamentam nas belezas mais detalhadas e nos sentimentos mais profundos do ser
humano: sejam estes medo, alegria, seriedade, amor, esperança e paz. Não
obstante são estes tão profundos que se adentram na alma como uma torrente de
energia, sente-se o que o artista ( por exemplo ) quer transmitir como se este
estivesse lá presente com a mesma expressão facial do que quis extenuar, mesmo
que este tenha morrido à décadas ou centenas de anos.
Nossa sociedade este contundentemente
esfaimada de cultura, e há ainda o fato de que é ludibriada e encantada pelos
impropérios supérfluos do instinto e do prazer. Assim é a cultura tanto uma
máquina debilóide e idiotizante como uma magnífica variedade de estilos e
detalhes de todas as áreas do conhecimento humano.
Acaso não podemos os corredores nos
aproveitarmos disto para correr melhor?
Quê é a maratona? Por quê ela existe? Quais são as belezas artísticas
nela inserida? Os medos, as alegrias, a paz, o silêncio estão nela? Afinal, ela
faz parte da cultura de nossos e de outros tempos... Entender como surgiu,
quais são seus detalhes, sua história, seus campeões e a filosofia do corredor
( por certo na maior parte o assunto de nossas discussões ) é uma viagem de
grande valia àquele que se importa com a vivência total daquilo que faz.
Correr de corpo e alma por assim dizer, e conhecendo toda a
amplitude do que se está fazendo, imerso numa gama de detalhes tão viva quanto
a vida, isto é o que nos proporciona a cultura, que de maneira eficaz, aliada à
ciência nos traz a maior plenitude possível nesta atividade. O equilíbrio total
provém do valor moral, artístico e filosófico aliado às informações
científicas, o desequilíbrio vêm quando damos exagerado valor à um e esquecemos
o outro. Alimentação, tipos de treino em corrida, perder determinada
porcentagem de gordura, VO2 máximo, FC de repouso, FC basal, trabalho anaeróbio
e seja mais lá o que for são valores científicos que devem se aliar
emergencialmente à filosofia, moral e às justificativas mais imersas nos
recônditos do sentido verdadeiro e belo da corrida.
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