Friday, November 22, 2024

40 - Sobre o inicio do mundo

 

Cap. 40 - SOBRE O INICIO DO MUNDO:

Porquê haveria esta energia de mudar de estado?

 

      Mas então como começou o mundo? Talvez fosse este sábio senhor, de venerável atitude em seu psicótico e genial surto de criação tenha querido uma realidade companheira à sua solidão, ou então de um nada vazio e mais abstrato que a mais abstrata das idéias, já que se pensar que algo pode surgir do nada é inconcebível. Uma taça não pode surgir do nada, mas sim da formação do vidro que é por sua vez constituído de areia, que se forma nas praias através da decomposição de muitos resíduos e assim por diante numa cadência interminável e cíclica. Fora este um questionamento de Tomás de Aquino querendo comprovar a existência de uma força autora, recaímos inquestionavelmente na mesma concepção já que as idéias essenciais ( como anteriormente dito ) são únicas, e todos aqueles que percrustarem-las chegarão à mesma concepção, sim, são subterfúgios voltados à explicação de que muitos terão idéias iguais sem consultarem uns aos outros, porque o campo de determinadas idéias é universal, basta dar o primeiro passo. É inviável dizer que todo do nada se criou, entretanto há uma ínfima possibilidade disto haver ocorrido se pensar-se que há uma realidade tão maior e distante de nós que não possamos sequer pensar sobre seus parâmetros, fugindo de leis e conceitos considerados como imortais. O universo por certo nunca foi criado, sempre existiu. Sempre é tempo demais, quê poderia ser há uns quantos tempos atrás? Uma bolota de massa? E antes? E antes? E antes? Porquê haveria esta energia de mudar de estado já que ela estava há um tempo infinito no mesmo estado? Pois do mesmo modo que este infinito se estende para trás poderia se estender para frente. Numa concepção burlesca notamos que este foi o exato momento em que Deus sentado à sua mesa, cansado de não fazer nada decidiu criar seu projeto e logo pô-lo em andamento, mas surte demasiado cômico, entretanto tal é nosso nível de entendimento que precisamos com urgência da idéia de um Deus para conseguir conceber num entendimento cabível o surgimento de algo do nada, do contrário é faltoso o nexo entre as idéias.

       É bastante convidativo pensar-se que o universo sempre existiu e nunca precisou ser criado, já que assim tudo soa de maneira mais natural sem a necessária intervenção de uma força criadora, neste caso Deus não existe, quê dizer então de nossas complexas vidas, com um cérebro desenvolvido, sentimentos e um corpo bastante capaz? Seria um acaso bem pouco provável desenvolver-se um organismo de tamanha magnitude, recorreríamos então à um arquiteto? Por quê então... pressupondo que sempre tenha existido o universo tal qual já é, e levando em consideração a infinitude do tempo no antes e no depois, não tenha surgido o homem alguns poucos trilhões de anos antes do que surgiu?

 

A - Reflexões sobre a morte ( por conseqüência sobre a vida )

 

      Basta dizerem que a vida é incerta para que se acredite nesta pérfida afirmação. Mas a vida é muito mas do que isto, quando resolvermos refletir sobre a morte logo nos vemos obrigados a pensar em qual é o sentido da vida. Se a morte é o fim de tudo: o que seria a vida? Um lapso do caminho para o nada? Caminhamos então para o fim. Ó glória das glórias, prazer eterno da mais elevada virtude, caminhar para o fim. Então estamos todos a caminho da morte, sim, mas antes que tudo acabe vamos fazer alguma coisa... sim podemos ter muitos progetos e fazer centenares de coisas neste trajeto que é a vida, trageto que finda num obscuro abismo, não! Nem isto pode ser, pois um obscuro abismo é alguma coisa e a morte é o nada, pois se estamos caindo num abismo existimos e não mais existiremos...

      Se soubesse que morreria amanhã que eu iria fazer hoje? Algo diferente do que já faço comumente em minha vida? Morrer amanhã não é a mesma coisa que morrer em 10, 20, ou 100 anos? A morte é a mesma de qualquer jeito, e a vida escolhida por certo também será decidida sob a mesma pressão seja em um dia ou cem anos.

      Viver é ser feliz! Mas que frase magnífica, mas como ser feliz sabendo que um dia a vida  vai se esvair? Esta é a grande paródia da vida, muito interessante sorrir todos os dias sabendo que a morte virá... Não faz o menor sentido um escritor ficar escrevendo um livro por anos e anos a fio e saber que quando terminar de escrever seu livro irá ser queimado por uma obra obrigatória do destino, se ele souber que isto vai ocorrer por qual motivo iria ele escrever este livro? Talvez somente para passar o tempo pois não tem outra coisa mais interessante para fazer. Assim então, do mesmo modo, vivemos somente para passar o tempo pois não temos outra coisa interessante para fazer... Um arquiteto faz por anos e anos seguidos um magnífico projeto de belíssima construção, mesmo tendo absoluta certeza de que esta sucumbirá no momento em que estiver pronta, e qual a força que poderia levar ele a fazer isto? No mesmo caso se enquadra esta idéia...

     Partindo deste princípio, e notando que estamos vivendo, podemos com a melhor lógica de que dispomos concluir que a vida têm um sentido evidente, viver seria então um processo que teria como repercussão a morte, assim, a morte se nos apresenta como um resultado de um intenso trabalho de viver. Sempre trabalha-se no objetivo de conseguir-se algo, mas quê seria este logro pós vida? Tornar-se um arcanjo celeste? Contemplar os feitos conseguidos em vida e nos vangloriarmos com todas as pompas? Mas neste caso ainda estaríamos vivos, e por certo diríamos que a vida está continuando, logo ela não se esvaiu, e por certo o projeto não se acabou. Haverá uma outra morte depois da morte? Faz sentido pois se não houver esta outra vida perde sentido. O que dá sentido à vida é a morte. O que dá sentido à um projeto é saber donde se acaba este. Pois então o processo existencial seria uma sucessão de muitas mortes. O que é bastante estranho, pois para que a morte seja considerada o fim deve-se acreditar que é lá que acaba-se tudo, é como dizer: Eu acredito piamente que o projeto que estou fazendo termina exatamente neste ponto. Mas se a pessoa diz: O projeto que faço pode acabar aqui, mas depois acho que vou fazer isto assim ou daquele outro jeito, então esta pessoa está fadada a se perder, pois qualquer projeto que não tenha uma pretensão específica se perderá. Pois então devemos acreditar na morte para que a vida tenha sentido, do contrário: se tivéssemos certeza de que a vida não se estingue estaríamos sujeitos a cometer confusões nas vivências.

       São reflexões comparativas à respeito da vida e do existencialismo. Qual é portanto o sentido da vida? Seria procurar o sentido da vida? Ou seja: o sentido da vida é procurar o sentido da vida, para assim se aproximar à realidade, e, aquele que mais se aproxima da realidade pode ser considerado como mais vivo que o outro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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