Cap.
39 - CAPÍTULO DAS APRENDIZAGENS
Surge então das catacumbas
do silêncio a idéia em estado primitivo.
Todo processo de pensamento repercute
numa abstração, o que representa algo a mais que o raciocínio, um nível acima,
um processo libertário. Esta abstração é transmitida à outrem, o modo como as
pessoas movem as sobrancelhas é a abstração de um processo de pensamento, mesmo
que ela não o saiba ou não esteja no intuito de transmiti-lo, pode portanto ser
transmitido inconscientemente. Num jogo de baralho pode-se combinar códigos
numa dupla, estes códigos transmitidos como sinais não deixam de ser abstração
de idéias, a linguagem é uma abstração de idéias. A própria corrida também é
abstração de idéias já que fazendo uma análise no modo como uma pessoa corre
podemos supor que estado psíquico ela está, mesmo que ela fale que não está
assim, pois como dito o processo pode ser inconsciente: se corre batendo o pé
com força, olhando para baixo, para cima, para o que chama a atenção, para o
nada, com braços caídos, afastados, com coluna arqueada, boa postura,
etc... Levando em consideração tudo o
que foi dito faremos a seguinte consideração: Como seriam as idéias em sua
maneira mais abstrata e primitiva? Sem a necessidade da ferramenta que a
transporta. ( linguagem, sinais, corrida. )
Sim! Sim! Tudo é suscetível à
interpretação, não é dito que o mais importante é a intenção? Intenção
representa essência, no entanto existem essências que requerem determinados
parâmetros para que sejam interpretadas de maneira correta e quase absoluta (
absoluta nunca! )
É isto! O processo da abstração inicia-se
quando grandes textos transformam-se em frases, e logo em escassas palavras, os
que seguiram o processo as entenderão, enquanto outros julgarão essas palavras
loucura desproporcionalmente sem nexo. O processo continua até que tudo retumbe
num silêncio mortal . Surge então das catacumbas do silêncio a idéia em estado
primitivo, que é ao mesmo tempo a descoberta da essência.
A chave agora meus amigos está em suas
mãos! Pode agora abrir a cela e sair da masmorra, saia correndo e ouça o
silêncio da realidade.
ESSÊNCIA – REALIDADE – PIMITIVISMO –
SILÊNCIO = LIBERDADE
A
-Sobre a novidade
Pois então a novidade! A novidade
representa tudo aquilo que não fazemos comumente, por isto existe estranheza
naquilo que é novo: Um novo serviço, um novo hábito, um novo esporte, um novo
livro, uma nova vontade, uma nova idéia, modo de pensar, questionar, refletir,
dialogar. Das árvores mudamos para cavernas, insatisfeitos criamos projetos e
realidades de barracas, casas, prédios,
hotéis, aparte hotéis e finalmente os magníficos flats para morar
confortavelmente. Quê é isto senão a mudança? Tudo é de descomunal dificuldade,
entretanto, por ordem do acaso ou da necessidade de sobrevivência, a humanidade
é adaptável ao novo. Não é portanto digno apresentarmos subterfúgios à nossa
própria consciência no intuito de continuarmos em nossa letárgica modorra:
experimentemos, portanto, novos horizontes.
É por isto que muitos repudiam novas
idéias, julgando não ser-lhes viável, são sim obtusas luzes ou sombras jamais
experimentadas antes.
Grandes sábios não foram entendidos em
seus tempos. A humanidade tem medo da transformação, foge dela lutando com
unhas e dentes, sim, como se fugisse da morte! É evidente que falta a coragem
do arriscar. Quem não se arrisca a correr nas sendas desta floresta, não verá
por certo as magníficas nuances de uma bela cadeia de montanhas magistralmente
posicionadas, como se um artista mor houvesse previsto as virtudes de sua arte.
A novidade após consolidada exige uma
nova aprendizagem de conduta e valores, o que constitui uma mudança intrínseca.
Transformar hábitos já incrustados nas mais sólidas de nossas essências é algo
tão difícil quanto emergir à luz após intensos anos de escuridão: os olhos nada
enxergam após muitos dias, até acostumarem-se à claridade de um novo conhecer,
e ainda assim continua a ser dificultoso usar os olhos. Pois do mesmo modo uma
mudança exige insistência e aprendizagem, não é fácil sair de um treinamento de
corridas de dez quilômetros e começar a treinar para maratona, tampouco de
5.000 mts. Passar para triathlon. Toda mudança exige grande dispêndio de
energia, o comodismo deve se esvair. Certa vez um atleta Iron Man ( Porventura
chamado Paulo ) disse-me que o ideal de um atleta é participar de todos os
tipos de competição até que encontre o que mais se adequa à ele, ou seja: não é
o atleta que escolhe a competição, mas sim a competição que escolhe o atleta, e
para isto respectivamente haja experimentação para que se encontre a prova
ideal, onde o sujeito melhor se adapta fisiologicamente e mentalmente. Para se
experimentar a maior quantidade de tipos de prova deve-se ser um verdadeiro
mutante, sempre disposto a experimentar sensações físicas diferente e treinos
diversos. Isto indica que um dos fatores que constrói os alicerces de um bom
atleta é o próprio encontro da prova ideal à ele, isto exige ( até que se
deflagre este encontro ) constantes mudanças, saímos então da situação de
comodismo com treinos iguais, monótonos e repetitivos durante toda uma
carreira.
Aprender, mas que palavra mais
instigante... Tão importante quanto a própria vida, é de supra leviandade
esquecer ou destituir esta palavra de nosso vocabulário cotidiano, uma
invejável conduta seria aprender por toda uma vida, justo como diz o ditado:
Vivendo e aprendendo. Aprender para mudar ou mudar para aprender? Eis uma
curiosa pergunta... A ordem destes fatores em si não é de tamanha importância a
ser discutida, mas sim a irrefutável dignidade destas duas palavras, sim: é se
necessário aprender e de igual maneira mudar, pois de nada adianta apenas mudar
sem aprender, pois o aprender fornece-nos sólidas bases a continuar no que foi
inovado.
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