Cap
37. - O CALABOUÇO DA CONSCIÊNCIA.
Está a realidade
construída sobre bases tão sólidas que não possam ser desfragmentadas ou
derretidas?
Aqui então estamos nós! Estudiosos da
corrida submetendo-a sob o abrangente e infinito prisma da vida, libertando de
uma jaula o cérebro, que muitas vezes reluta por livre e espontânea vontade em
entrar na jaula da ignorância, como um petulante ser, imbuído de ideais
repetitivo, monótono e cansativo de tão patético. Relutamos aqui por certo a
abrir esta prisão no intuito de conhecer o mundo da liberdade, a vida, a
verdadeira vida que se constitui da capacidade real de buscar a verdade por
caminhos irregulares e não tão mesquinhos e desfavoráveis quanto pode ser uma
vida monótona e linear. A amplitude de nossas divagações é de tal maneira
maleável que não somos aqui submetidos à quaisquer restrições de caráter
metodológico, e nossa chave é certamente composta dum material mas reluzente,
perfeito e forte que o ferro, bronze ou aço. Quiçá seja este material mais bem
estruturado que as inescrutáveis essências do titânio! É este forjado nos
moldes de nossa mente e comumente chamado de criatividade. A atividade da
criação, não se aceita aqui qualquer comodismo de caráter estagnado e
supérfluo. Sim meus amigos! Caminhemos através das sendas mais desconhecidas
que se nos possam surgir pela frente, e se possível caminhar e correr por elas,
sejam matas cerradas ou desertos áridos, mas ao menos nos arrisquemos a
tropeçar numa raiz ou morrer de sede, mas que saiamos com glórias e pomposas
aclamações daquela pequena jaulinha que é a pérfida e escabrosa ignorância.
É certo que são poucos os que encontram a
chave, os que a forjam com as próprias mãos, as mão da consciência, da moral e
da busca que é nada mais que o nascimento da liberdade, e a liberdade meus
amigos nada representa além da vida, porém não seria aprazível que vos
enganasteis com palavras abstratas e comparações artísticas, ou mesmo com estas
explanações de analogias literárias. Por isso é
acima de tudo irrevogável ver que a vida por certo é a liberdade da
filosofia e não necessariamente do corpo, embalsamada e novos conceitos,
visões, idéias, e por que descartar aquilo que designam por estado de loucura,
já que esta não passa da genialidade... Loucura... Loucura... Por certo é
chamado de louco aquele que se distingue de um todo comum, pois que sejamos nós
os viajantes dos loucos mundos, diferenciando-nos de todos os simplórios seres
destituídos de liberdade. Muito alegres estamos amigos leitores, pois nós somos
os detentores das chaves, sim! Muitas chaves! Cada qual abre uma das jaulas de
nossa consciência: a chave da criatividade, da inteligência, da razão, da
emoção, da divagação, da busca e a do próprio risco que há nisso tudo: tropeçar
numa grande raiz, mas logo se levanta e toma outro rumo nesta grande e
interminável maratona. Vejam vocês que fato erroneamente caracterizado como
burlesco: o molho destas chaves é chamado de loucura. É, pois, digno de bom
senso correr como louco se é isto o que caracteriza a liberdade e, por
conseguinte a vida. Corramos meus amigos e leitores, corramos aos ideais da
loucura, sorrindo, saltando, cantando e sentindo os detalhes da busca, já que
corremos atrás da própria consciência do que é a vida e de quem ou do quê somos
nós.
Lapsos de busca da realidade da vida
insurgem-nos em alguns momentos, é bastante confuso pensar na idéia de que não
conhecemos a realidade, e ao mesmo tempo nos revigora uma sensação infantil de
curiosidade, há entretanto os que já se julgam tão amadurecidos que de tanto
amadurecer já viraram pedra e não mais julgam que há algo a aprender sem suas
vidas, algo de incomensurável importância que possa modificar os sólidos
alicerces que sustentam suas concepções de vida. Pois é isto justamente de que
trata a filosofia, para desmistificar a realidade, modificando-a,
codificando-a, acrescentando detalhes à ela ou como com grande honra poderíamos
aqui recalcitrar: acrescentando nuances à ela. Nuances estas que podem
desequilibra-la fazendo com que a torre de nossas concepções desmorone.
Sejamos entretanto menos românticos e
mais diretos. Os sonhos ( esta palavra aqui esta posta representando: vontades
), por exemplo: por muitos considerados como detalhes e outro contingente
desconsiderado ( talvez por aquelas pedras supradescritas ) Quê são os sonhos
senão a própria realidade? O princípio da realidade. Pode então a realidade
tornar-se uma conjectura vazia e o sonho constituir a própria realidade? Quais
são nossas idéias, portanto, do que seria entendido por realidade? O abstrato
das idéias são reais? Um corredor maratonista pode ser acometido de brevíssimos
surtos de idéias sobre o fato de ele se tornar um atleta do mais alto nível,
tornando-se veloz como um raio, e capaz de ganhar qualquer competição, coisa
que no momento está fora de sua realidade e que consta somente como uma louca
idéia ( Lembremos deste termo, por favor ) nascida e uma imaginação
excessivamente fértil, o que ele mesmo muitas vezes se sente em desagrado com
suas idéias fora de controle. Assim consta que esta lapso de sonho é já um
principio de realidade pois para que se concretize requisita alguns outros
fatores como vontade, persistência e continuidade no treino. Com isso este
corredor de maneira gradativa cambia sua realidade antiga de atleta
participativo para atleta competitivo. Proponho então, mediante as últimas
dissertações, a seguinte questão: É o sonho o princípio da realidade? Ou seja:
A realidade propriamente dita? Está a realidade construída sobre bases tão
sólidas que não possam ser desfragmentadas ou derretidas? É a realidade uma
jaulinha compacta e pequenina que não haja espaço para a liberdade do livre
caminhar das idéias, proposições e teorias filosóficas? Pensemos portanto,
neste simples exemplo de refutação da realidade apresentado, pois de outros
modos podemos contestar as masmorras nas quais estamos inseridos.
Temos portanto uma transmutação que,
quando ocorre, segue uma determinada cadência, esta constitui-se de:
Sinopse:
SONHO – VONTADE – CHAVE – LIBERDADE
O caminho, já com a liberdade adquirida,
é envolvido de mistério, já que perpassa o desconhecido campo da mutação de
realidade. Tudo se inicia com um sonho, que se descortina numa possível
vontade, a chave representa evidentemente o desenvolvimento de potenciais
letárgicos e adormecidos como a criatividade, inteligência e audácia de
filosofar ao mais longínquo recôndito do inexplicável. Tendo sido forjada uma
chave suficientemente forte para não se quebrar faz-se um caminho sem rumos
delineados chamado de liberdade, assim se chega a lugar nenhum, pois não haverá
por certo um final desta floresta desconhecida e densa designada como noção de
realidade. Que seja assim, pois melhor é vagar eternamente num desconhecido
mundo de derrotas e glórias que julgar-se conhecedor de uma jaula, sabendo que
esta sim têm um fim bastante delimitado.
Não obstante é sedo para concluir-se
muitas coisas, já que: Quem vive não sabe o que é viver! Quê devemos então
fazer? Sair da perigosa floresta e retornarmos à masmorra como avestruzes
idiotas? Repercutindo na ignorância do processo da constante adaptação à
realidade mutante? Seria por certo isto uma petulância de nosso processo de
descoberta, ou seja minha e tua petulância. Mas o que é viver? Quem vive
precisa saber o que é viver? Quem faz a compra de um belíssimo televisor de
última geração precisa conhecer seus mais intrínsecos processos de
funcionamento para utiliza-lo? Sim meus leitores: é esta a analogia mais
simples que podemos fazer relacionada a este aparelho altamente tecnológico que
se chama viver, viver é sim nosso aparelho da mais última geração que se possa
imaginar, porque como já dito está em constante câmbio, mudança e
transformação: se num dia julgamos que nos entendemos e conhecemos noutro logo
vemos uma realidade completamente diferente, para não ser drástico ou
cataclismático direi então que mudamos um detalhe aqui e outro ali, não
deixando com isto de haver um avanço ou retrocesso desta tecnologia que se
chama vida. As nossas próprias vidas. Insisto, entretanto, nesta idéia e por
certo hei de encontrar uma solução!
Não precisa pois o sujeito conhecer o
processo de produção das cores, a totalidade do processo de transformação da
eletricidade em luzes, o funcionamento das ondas eletromagnéticas enviadas
pelas emissoras de televisão, a origem da energia enviada para a tv, a
transferência de energia cinética em elétrica ocorrida numa hidroelétrica
fornecedora de energia à sua cidade, ao projeto arquitetônico exigido para que
esta fosse construída, as chuvas que formam os rios, à evaporação da água, ou a
condensação dela mas é certo que viveria pouco melhor se soubesse. Não meus
amigos! Não necessita ele saber tudo isto para utilizar seu magnífico, belo,
reluzente, grande, tecnológico, e por fim retumbante televisor. Mas
simplesmente deve sim saber apertar quatro botões: o que liga, muda os canais,
mexe no volume e o que desliga. Quatro botões tão mágicos quanto possa parecer
a própria vida, e tão simples quanto possa ser a quantidade de neurônios deste
nosso personagem fictício por certo, mas que representa o total da população
mundial, com exceção de um ou outro é claro.Sou rude porque repudio a postura
deste grotesco e tosco homem, que nada mais busca senão viver, certamente
vossas excelência haverão adotado a mesmíssimas posturas, pois vendo o quão
longe a liberdade nos conduz sentiram no ambiente das idéias comparativas a
amplitude do processo de conhecer a realidade. Diríamos que aquele sujeito, que
para nos é quase que repelente, não vive a realidade. É certo dizer isto? Julgo
que ele vive a realidade mas não a conhece, está simplesmente no campo dos
prazeres supérfluos e não da busca filosófica que constitui justamente no que
aqui nos empreendemos com todo vigor a fazer, se estamos conseguindo ou não
somente a mudança de nossas realidades poderá revelar. É um processo árduo e
dificultoso este, pois para que se concretize o processo filosófico devemos
parar de viver. Não riam nem subestimem estas frases loucas leitores, pois a
arrogância têm por certo momentos adequados a se expandir, mas não agora! Quê
se deve fazer para saber o que é viver? Como deixar de viver para filosofar?
Entrar na cela da ignorância? Morrer? Sim comparsas das mais variadas crendices
e antagonismos! Deve morrer, por pouco que seja, aquela vida intensa e
desmensuradamente vivencial, para por breves momentos viver para o conhecer, ou
conhecer o viver. Confuso, confuso, confuso... Magnífico, Magnífico,
Magnífico...
A grosso modo estou dizendo que você deve
ficar um breve momento d seu dia, de seu mês, de seu ano ou de sua vida em
silêncio e pensar sobre o que faz, não faz ou deixa de fazer! Deve perguntar
tudo o que seja possível perguntar sobre estas coisas e descobrir através disto
novas coisas. Ou seja: um momento de silêncio pessoal: O que designa-se como
corrida de longa distância! Preferencialmente numa mata longínqua, densa,
desconhecida onde perpassaremos pela quietude e silêncio externos, mas onde os
processos de transformação internos são tão intensos quanto é a corrida do
corpo que corre. A abstração das divagações que até agora fizemos se une à
corrida dum modo eficaz, que têm nexo e sentido moral, psíquico e filosófico.
Correr... Correr... Correr...
A sociedade entretanto atulha nossas
mentes de tudo quanto possa existir de informação no mundo, fazendo-nos de
fantoches até nas atitudes, conceitos, atitudes, modos de se expressar. Impondo
desta maneira a falta de tempo para descobrir a liberdade, a filosofia e a
realidade por assim dizer. A sociedade bombasticamente enganosa nos priva da
realidade. Qual a solução? Correr numa esteira falando ao celular, vendo TV e
fofocando com o professor de musculação ao mesmo tempo?
A derradeira pergunta é por certo uma
instigação crucial em nossas investigações, e por isto iremos oficializa-la
como de caráter sério e aparentemente burlesco. Mas que há de cômico no ser que
não transcende à sua delimitada realidade? É não uma comédia mas uma tragédia,
a tragédia da ignorância, talvez a mais peçonhenta de todas as desgraças.
O conhecimento filosófico nos traz a
liberdade do correr com a mente os recônditos das abstratas possibilidades,
virtuosas imaginações nos instigam a continuar correndo.Mas para onde? Para o
abismo do desconhecido! A vasta escuridão será iluminada com descobertas de
inigualáveis e inesperadas informações. Mas este é o conhecimento da essência e
não do supérfluo como já devo haver abordado noutro capítulo qualquer, com o
supérfluo já nos basta ser bombardeados no decorrer de todos os dias. É buscar
pela essência! Aqueles que se deixam atulhar transformam-se em entulhos, sim!
Muitos sacos de entulhos, cheios de entulho até transbordar: entulhos sólidos,
líquidos, entulhos feios, belos, maleáveis, transformáveis, ineficazes,
quebráveis, magníficos, desejosos, infernais, celestes ou não atrativos, não
obstante são todos entulhos sem quaisquer utilidades. Pronto para serem
corroídos pela ira de nosso silêncio, num ato sórdido de busca da liberdade. O
conhecimento essencial é de tal magnitude e importância que se faz necessário
uma constante busca por ele, é ele, ou sua busca, que nos trará as chaves da
gaiola. A velocidade com a qual recebemos o jato de entulhos do mundo nos
atulha e não permite que nasça a semente dos conhecimentos essenciais ou da
forja da chave, muito cuidado portanto!
Há toda a estrutura de vendagem de uma
corrida, de materiais como camisetas esportivas e materiais similares. Os
nossos próprios temores, vontades, quereres e não quereres são
inconscientemente esculpidos por formadores de opinião, que podem estar na
mídia, nos ambientes de corrida como competições, feiras, palestras e até nas
conversa mais informais. Enquanto não houver silêncio não haverá liberdade. A
liberdade não pode permitir que algo nos delimite no pensar, uma idéia
transmitida, seja esta qual for é per si uma delimitação imposta, a menos que
seja uma pergunta, pois as perguntas percrustam o campo do mistério e
desconhecido. Há gente que é dependente
dos entulhos esquecendo a essência da filosofia. À estes não há muitos caminhos
a seguir, pois as delimitações são muitas e vêm de todos os lados. Vejamos que
o próprio campo da filosofia é na Educação Física muito pouco abordado, e à
qualquer palestra sobre esportes que se vá os temas são restritos à fisiologia,
biomecânica e métodos de treino, um ímpio erro que não mais podemos cometer,
não quero por certo excluir estes interessantes tópicos do conhecimento, mas
estes se referem apenas ao aspecto visual e das peças internas da televisão,
não conseguem ir além e tentar, ao menos tentar, visualizar ou imaginar o que
possa estar por trás do funcionamento da tv: rios, água, vapor, hélices
gigantescas... Não é tempo de achar que devemos contribuir de livre e
espontânea para a própria delimitação deflagrando numa ignorância disfarçada de
inteligência. Conhecer não quer dizer nada, o mais importante passo para a
.liberdade é a capacidade de formular perguntas, o que justamente constitui a
filosofia, e a ferramenta para isso é a imaginação. Os atulhados não tem tempo
para as imaginações.
Devo ser direto em minhas observações,
sem rodeios, por isso posso ter parecido pouco grosseiro, o que é menos
importante que a liberdade.Compactamente distinguimos dos tipos de
conhecimento:
ENTULHO – Formam crânios
transbordantes de tão cheios.
FILOSÓFICO – Para que
fujamos da prisão na masmorra.
Mas que raios têm tudo isto a ver com a
corrida propriamente dita? Poderíamos dizer que um ou outro leitor, estando
desprevenido ou tendo aberto o livro ao acaso de maneira espontânea e por uma
sorte do destino recaindo nesta página, o que é fato que corrobora no não
entendimento da idéia como um todo. Queremos aqui em conjunto descobrir qual a
essência que diferencia uma corrida silenciosa e a antagônica barulhenta. Para
isto é importante entendermos o conceito de liberdade que aqui vos apresentam,
para que um dia as pessoas possam descobrir o que é correr de verdade. Neste
caso verdade traduz essência. Qual a essência do correr? Se o conhecimento
essencial é baseado nas perguntas que não impõe limites à mente humana o mais
importante é fazer perguntas e não necessariamente encontrar as respostas, pois
a partir do momento que uma resposta é encontrada pressupõe-se que foi imposto
um limite.
Venho notando que a criatividade que foge
à essência torna-se supérflua. Em um ato de criação um homem pode se assemelhar
à outro, não por coincidência mas pelo fato de que a essência do ser humano é
só uma, e mesmo através dos tempos o amor sempre será amor, o ódio sempre será
ódio, e assim se passa com muitos sentimentos e também com muitas idéias e
pensares, há portanto somente uma essência filosófica no mundo, que pode ou não
ser acessada pelos homens. Concluímos com isso que se a essência filosófica é
uma só, se há excesso de criatividade ou se penetra mais a fundo na filosofia
ou se foge dela transformando eu uma idéia supérflua.