Cap. 35 – REPERCUÇÕES FISIOLÓGICAS NA CORRIDA
A corrida proporciona idéias mirabolantes
como esta mesma que fora apresentada, é a corrida um remédio. Digo remédio no
sentido de melhorar o estado mental daquele que a pratica, este fato pode ser
explicado de maneira fisiológica é claro, pois o corpo estando em atividade
aeróbia produz determinadas substâncias químicas que conferem ao indivíduo
sensações como por exemplo a dor e a sensação de entorpecer o corpo, pode-se
primeiramente sentir um tipo de dor específico, mas depois com a produção de
endorfinas esta dor não é sanada mas sim ludibriada por assim dizer, é aí que
mora grande parte do perigo, pois quem corre não sente os efeitos negativos que
estão ocorrendo em seu corpo por estar entorpecidos por estas substâncias que
se chamam endorfinas. Entretanto dizer que estas substâncias, em específico,
atuam ou não nos estados emotivos ou imaginativos do corredor é demasiada
precipitação, pois é seguro que há outras substâncias que estão em constantes
mudanças de proporção em nosso organismo durante um treino, dentre estas estão
uma série de hormônios, e há o fato de estarmos usando combustíveis como
glicogênio muscular, sanguíneo e hepático, além dos lipídios e também das
próprias proteínas que constituem o músculo. O fato é que podemos utilizar em
demasiado nossas reservas de energia de modo que possa faltar glicose no
organismo, quando se fala em faltar glicose dizemos no organismo como um todo,
e por conseqüente no cérebro. Quais são as repercussões que podem ter a falta
de glicose no cérebro? Não me refiro aqui as repercussões físicas como
fraqueza, mal estar ou desmaio, mas sim às características intelectuais e
emotivas, sabe-se que o próprio pensamento consome glicose, o homem que está
ocupado em resolver um extenso e complicado problema de aritmética certamente
está gastando mais glicose que aquele que nada faz, ou simplesmente está
parado. Assim, vemos que uma série de mudanças ocorre no corpo de um corredor
de fundo, estas mudanças estão intimamente relacionadas com as mudanças
psicológicas. Estas mudanças são muito interessantes, pois incitam uma
transformação do estado mental de um indivíduo. Se alguém por um acaso se sente
bem após ter corrido 20 ou 30 minutos algo seguramente cambiou em seu
organismo.
Há enzimas e hormônios diversos que
atuam sobre nós. O sistema endócrino é o que trata dos hormônios e suas
produções, os hormônios são quimicamente classificados em três tipos. Sendo que
cada tipo é provindo de diferentes origens como: conjunto de aminoácidos, de um aminoácido ou
do colesterol.
Um exemplo da atuação dos hormônios
podemos ter quando diz-se que o ADH reabsorve a água do organismo, atua em
condições de desidratação que condiz respectivamente com o caso de um
maratonista. Entretanto ao mesmo tempo que atua nesta condição também influi
sobre o sistema nervoso autônomo simpático, que equivale às sensações de susto,
medo, stress, emoções bruscas ou exercícios físicos.
As funções do T3 e T4, que são
respectivamente hormônios são entre muitas as influências que exercem sobre o
sistema nervoso como acentuar o estado de vigília, melhoram respostas à vários
estímulos, o sentido da audição, à percepção da fome, e inclusive melhoram a
capacidade de aprendizado.
O cortisol diminui o sono REM de ondas lentas, com o
aumento do tempo desperto, modula o comportamento e o humor. Vemos como os
hormônios influem de sobremaneira em nossos estados mentais, porém de quê
maneira ocorre a produção de hormônios? Mais especificadamente: Como a corrida
pode influir na produção de hormônios.
Há uma íntima relação entre os aspectos
psíquicos e físicos na atividade física, este é o campo que pertence
respectivamente à neurofisiologia, é evidente que não vamos aqui nos aprofundar
neste tema por ser em demasia complexo, e por fugir ao entendimento do próprio
autor, porém é estritamente necessário citar algo que pertença à este âmbito
como fora dito por exemplo sobre os hormônios.
Atenção leitores para o seguinte e interessante relato:
“Estava eu correndo em uma pista de atletismo bastante rústica, pois
constituída de areia e tendo lá seus 255 metros de distância. Acontece que esta
para min é uma pista bastante especial pela sua própria simplicidade e pelo
fato de amortecer muito bem os impactos, justo por eu estar retornando em meus
treinos, correndo num sol forte entretanto não aterrador, enquanto estudantes
de outro curso faziam treinos de tiros e outra turma treinava basebal no campo.
Fato inóspito quando já na metade de meu treino me dou conta de que há um galo
cantando, já era meio dia, ou aquele galo estava atrasado ou eu estava ouvindo
coisas. Ocorreu-me que era bastante agradável ouvi-lo cantar. Algo bastante
estranho para alguém que se encontra no centro de uma cidade grande, conturbada
por poluição, concretos e produtos industrializados”.
Vejam como nesta descrição está posto em
evidência o caráter inusitado de um galo cantante, um galo que representa o
desafio ao concreto, pois, em meio à uma sociedade industrializada persiste com
insistência inusitada o canto da natureza. O interessante é notarmos como o
corredor de certa maneira chega a estranhar a ocorrência que cada vez mais
escassamente vêm ocorrendo na cidade: o alvorecer da natureza. Posto que esta é
a origem do homem sabemos que à esta ele pertence. Uma sociedade cada vez mais
artificial é o que temos verificado ultimamente, o incrível, mais estranho que
incrível evidentemente, é que tentamos de qualquer maneira aproximarmos do
natural da maneira menos convencional possível: através de nossa ímpia criação,
nossa criação certamente é original, entretanto não é natural. Têm como
exemplificação mais notável a televisão que se aproveita de nosso principal
órgão sensorial para substituir a natureza senão a própria realidade. Erroneamente nos afastamos da realidade e num
ato sordidamente crasso tentamos nos aproximar desta. Um indivíduo têm a
possibilidade de assistir um programa sobre animais silvestres e seus hábitos
pela TV, entretanto este mesmo não têm o contato com uma simples ave. Este é um
dilema bastante interessante para discorrermos: O afastamento do ser humano de
suas origens naturais, como já foi dito anteriormente pode-se afirmar que há um
afastamento da realidade. Ainda mais interessante é buscarmos saber o quão bom
é o contato com o natural, sobretudo com os animais.
As pessoas vivem nas cidades, porém no
verão, tanto nas férias como nos feriados buscam o repouso em ambientes
naturais como praias e campos, o que é saudável. Não pode o ambiente artificial
de uma TV ou qualquer outra tecnologia substituir esta sensação de realidade. O
que me espanta são exclusivamente aquelas crianças que vivem enfurnadas em
computadores, televisão, videogames ou shoopings o que constitui em sua
essência uma grande problema não somente para seus desenvolvimento como para os
caminhos que serão futuramente tomados por nossa sociedade. Uma questão de
hábitos é claro, o corredor ou esportista em geral cria hábitos que o aproximam
com a natureza, senão com a natureza externa com a natureza de seu próprio
corpo ou com os dois de maneira simultânea.
Pode-se pensar que o galo está fora de
contexto ou num lugar impróprio, entretanto arrisco a afirmar que a cidade é o
objeto que está fora de lugar, se não é de lugar é de filosofia, criando
ambientes que contribuem para a criação de muitos distúrbios, o próprio asfalto
criado já é um artifício que causa muitas tendinites nos corredores e problemas
de joelho. Se conservássemos mais ambientes naturais correríamos de maneira
mais natural, não haveria um atrito tão grande com a natureza de nosso ser.
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