CAP. 8 - A CORRIDA E SUA GRAÇA.
Um corredor contempla
estupefato a beleza e magnitude do mundo em que vive.
Obrigado
espírito altruista!
Força que se expande
de meu ser
Me parece tudo uma
prenda
De alma renovada me sinto
ao correr
Cantar os pesares
minha alma manda
Vários e distantes
lugares posso ver
Ao pensar em tudo o
que anda
Aqui de verdade
minha felicidade pode tanger
Se tudo o que me
cerca manda
Proclamo então a
ajuda que você têm a oferecer
Abasteço-me de tua
oferenda
E rio do que pode
acontecer
Não se
tratando este de um livro quaisquer, devo dizer primeiramente neste capítulo
que a corrida não se restringe a aspectos meramente competitivos, sua
abrangência é muito grande. A discussão sobre este assunto pode portanto ser de
uma gama infinitamente variada, nossos objetivos são igualmente variados, ou
seja, discutir e refletir sobre este assunto de maneira que venham a ser
abertos novos caminhos e possibilidades de pensamentos. Toda a graça e leveza
que existem na palavra de um poeta também existem no prazer de correr.
Quando corro
sinto algo bastante agradável, isso ocorre principalmente quando estou correndo
em um ambiente que tenha contato com a natureza. Sinto-me parte integrante de
um todo maior. Vejam as seguintes insinuações, tratadas através de diversos
temas que talvez possam interessar ao ávido leitor, e nunca interessariam ao
leitor enfadonho, que é justamente aquele que não sabe exatamente o motivo de
estar lendo algo, sem mais delongas entremos de forma direta com os temas:
a)
As paisagens
b)
Sentimentos ideológicos
c)
Sentidos físicos
d)
Necessidades fisiológicas
A - As paisagens.
“Correndo em uma trilha projetada no meio de
uma espessa mata, o medo de aparecerem cobras ou outros animais perigosos me
envolve por momentos, este medo é uma sensação passageira, que faz parte de
meus instintos animais, instinto de sobrevivência. A imensa beleza natural que
me cerca é algo que me faz vibrar por dentro, cada árvore, os sons dos pássaros
e o arfar das árvores, plantas exóticas como as interessantes Bromélias, tudo
parece estar na mais plena harmonia. O sol não entra através da espessa mata,
somente em alguns pontos.”
Este é um
breve relato de coisas que me acontecem enquanto estou correndo, são visões que
tenho tão atraentes como é a natureza, há entretanto um forte sentimento de
integração com a natureza, como se você enquanto estivesse correndo e fazendo
todo o esforço que pode fazer estivesse na verdade se comunicando com a
natureza. É muito interessante notar como este sentimento de integração é
importante, e que na realidade faz com que cada corredor de longas distâncias
não esteja exatamente solitário, estando ele onde está. As visões que temos
enquanto corremos pela natureza podem ser das mais variadas, desde visões
deslumbrantes até visões monótonas. Uma paisagem por exemplo à 2500 metros de
altitude é algo fantástico e inesquecível, aumentando ainda mais o sentimento
de integração, montanhas e montanhas lá em baixo, acima das nuvens um corredor
contempla estupefato a beleza e magnitude do mundo em que vive. Para dizer algo
a vocês leitores quero documentar fato bastante relevante nestas humildes
linhas a que me proponho a escrever: os seres humanos que vivem em nosso
planeta não vivem de verdade... Quê é viver de verdade? As pessoas não têm
noção da amplitude do mundo em que vivem, o esplendor de uma grande paisagem é
algo que não se compara às nossas vidas na cidade, para dizer o correto a
cidade ao mesmo tempo que pode ser considerada um grande progresso do homem
pode ser também dito que a mesma em que você e eu vivemos é algo que criamos
para distorcer a realidade do mundo, vivemos portanto fora da realidade, o que
é um erro já que nossos corpos fazem parte da natureza. Assim sendo: os humanos
não têm uma idéia correta sobre o lugar em que vivem, e, se pensarmos de forma
mais abrangente iremos chegar ao universos, e consequentemente às questões que
são relativas à filosofia. Sendo estas visões belas um grande estimulo para
correr há de se ressaltar que o ato de olhar para uma linda paisagem estando
parado sentado ou em pé é completamente diferente que correr e ao mesmo tempo
olhar à esta mesma paisagem, pois a impressão que se têm é que a corrida é uma
transformadora dos sentimentos humanos. Você têm aquele sentimento de união com
a paisagem, bastante agradável este sentimento. A visão é portanto algo que é
como um tesouro para o corredor, imagine que alguém corra 42 Km ou até mais e
no final encontre uma paisagem maravilhosa, parando de correr olha à esta
paisagem e sente-se premiado por todo o esforço realizado. Você acha que os
sentimentos e sensações deste corredor são os mesmos que os do turista que decidiu
ir até aquele lugar de carro? Além de poluir o ar limpo da natureza com bióxido
de carbono este turista não pode contemplar a paisagem da mesma maneira que
nosso personagem corredor, tantos sentimentos e sensações que é necessário
agradecer à corrida por tantos benefícios que nos traz.
B - Sentimentos ideológicos.
Além das
visões e sentimentos relativos à esta que temos enquanto corremos, existem
outras coisas como os sentimentos decorrentes de idéias voltadas à própria
natureza. Estes serão os sentimentos
ideológicos. Tentarei me explicar: Há o medo de animais vorazes aparecerem,
e este é um medo real, pois é algo que pode realmente ocorrer, a mente humana
porém é muito rica em criações pessoais, vemos isso claramente na cultura
popular, que logo cria seus deuses, demônios, anjos, bichos misteriosos entre
muitos outros personagens. Por quê ocorrem estas criações? São seres que vêm da
natureza dos sentimentos e medos dos seres humanos. Veja a seguir a descrição
de alguns sentimentos e pensamentos que me ocorreram durante as corridas que
pratiquei totalmente inserido em uma mata:
“Estou correndo em velocidade rápida, a
natureza parece ser grande amiga minha, tenho a impressão que de certa forma
estou me comunicando com ela, porém nem todas as sensações me são agradáveis,
está começando a escurecer e ainda
estou bastante longe de meu destino, por isso tenho medo que escureça e eu
fique perdido na mata, pois com o escuro nada se vê. Há uma sensação que parece
se apoderar de min: me sinto vigiado, talvez esta sensação seja devida ao
grande tempo que me encontro solitário nesta mata, mas não consigo me
desvencilhar desta sensação, parece que estou sendo vigiado ou perseguido por
alguém que não quer ser visto de jeito nenhum. Por instantes penso Ter visto
algo, mas não é nada, somente uma sombra. O medo ou esta estranha sensação também
vêm quando escuto distantes sons ou vejo o vento brigando com as folhas das
árvores.”
Seria uma
paranóia este sentimento de perseguição se analisarmos do ponto de vista de um
homem da cidade grande, mas o que acontece é que isso está devido à própria
natureza humana, que quando se encontra solitária por muito tempo em lugares
distantes passa a criar coisas, são artifícios que até hoje não descobri os
motivos. Além desta idéia, muitas outras podem ser criadas na cabeça de uma
pessoa que corre, estas poderiam ser relativas à outras pessoas, não somente
relativas à medos, mas também a outros sentimentos. Sábado,
10 de Novembro de 2001 Nós não conhecemos portanto quais são exatamente
os artifícios de nossas próprias essências, ou seja: os recursos que o cérebro
utiliza nestes momentos de solidão. Eu diria que não é exatamente um momento de
solidão propriamente dita, já que há o sentimento de integração com a natureza,
que é um sentimento pleno e bastante apreciável, sem comparação com outros
sentimentos. Mas, como vemos na cultura popular há uma série de invenções
ideológicas, que são descritas através de lendas e ditados que visam deturpar a
realidade. Mas ao mesmo tempo que distorcem o real, este imaginário tenta
explicar algumas coisas que não têm explicação, por exemplo: o medo de estar
sendo vigiado é um medo que não têm fundamentação já que racionalmente sabe-se
que se está sozinho, ocorre que este medo não provém da razão e sim dos
sentimentos, e sabemos que a razão na maioria das vezes não é compatível com os
sentimentos. O motivo dos sentimentos estarem alterados desta maneira talvez
seja a ausência de companhia humana, já que estamos tão acostumados a conviver
em grupo. Na verdade conviver em grupo é também uma forma de alienação do
mundo, pois assim não experimentamos todas as possibilidades existenciais, e
viver solitário é uma destas possibilidades. Portanto para conhecer o mundo e a
nós mesmos devemos experimentar tudo o que for possível, neste sentido, o
corredor solitário que corre na natureza é um pouco mais completo que as
pessoas que vivem em grupo, pois ele sabe exatamente quais são os sentidos,
sentimentos e pensamentos de uma pessoa que passa muitos momentos em solidão.
Há, como já
foi citado anteriormente, muitos outras idéias que podem vir à tona enquanto um
solitário corredor empreende sua jornada infindável. Veja a seguinte descrição
feita por um corredor que mostra toda a sua ligação sentimental no que se
refere às relações entre os seres humanos, comprovando ainda a influência da
corrida de forma bastante forte nestes pensamentos:
“Quando estou correndo muitas vezes me
encontro pensando em outras pessoas, e conforme penso nelas e nos sentimento
que tenho para com elas penso também em min, no que estou fazendo. Meus
esforços são de certa forma voltados para as pessoas que gosto, me sinto pleno
em relação ao mundo todo. Minha mente se entretém por períodos longos pensando
nestas pessoas, assim como meu coração que despende grandes laivos de sua
energia sentindo por estas pessoas sentimentos que até então não me afloravam à
margem de minha consciência”
É admissível a teoria de que a
corrida faz com que os sentimentos humanos se tornem muito mais verdadeiros e
complexos, não se restringindo apenas a palavras e frases efêmeras, que tantas
vezes não retratam as verdadeiras raízes de nossos corações. Por quê vemos
tantos maratonistas chorarem de emoção nos finais das provas e competições? Não
é tão somente devido às causas biológicas, de dores e de esforço físicos,
níveis de lactato exageradamente alto, mas sim, às idéias que estão passando na
mente deste corredor no momento em que corre, na ligação mental que este possui
ou crê possuir com a platéia que o aplaude entusiasticamente. Nas pessoas em
que está pensando, que porventura o ajudaram em seus treinamentos, no técnico e
em quaisquer pessoas com quem tenha relações sentimentais. Portanto há, de
fato, variadas criações ideológicas por parte do corredor.
A cidade
grande distorce de forma negativa as relações interpessoais, não há mais a
simplicidade dos sentimentos, todos ficam querendo falar tudo ao mesmo tempo,
vivem em grupos, e ainda assim não dispõem de tempo para olharem-se nos olhos e
dizerem as coisas mais simples de tudo, há uma degradação do ser humano na
cidade grande e dentro desta degradação faz parte as relações entre as pessoa,
de fato há uma relação, que na maioria das vezes é supérflua e que ignora os
sentimentos mais profundos da alma. Não há tempo para nada, somente para
trabalhar e ganhar dinheiro, Ter o carro do ano e outros bens de consumo. É
fato que a sociedade capitalista trás ganhos consideravelmente produtivos no
que se refere à vida prática, porém em relação aos sentimentos e simplicidade
humanas faz perder em muito para sociedades mais simples muitas vezes
consideradas atrasadas.
Intentemos
agora pensar em outros aspectos...
C - Sentidos físicos.
Brevemente
citados no item anterior este é aquele que se refere às sensações físicas como
dor, prazer, frio ou calor. Podem ser sensações exteroceptivas ou
interoceptivas, provocadas pela corrida ou por fatores que a envolvem. Vejam a
seguinte descrição, que explana sobre este assunto:
“Estava eu correndo através de uma
estrada... Estava muito calor, o sol era realmente escaldante, até que em
determinado ponto meu nariz começou a sangrar, a respiração era dolorida, e o
calor fazia com que minha pele ardesse, assim corri até uma fonte de água
límpida onde me refresquei com grande alegria por haver chegado àquele lugar,
senti a água gelada e fresca cair através de minha nuca, e de minha cabeça,
tomei muita água sentindo-me revigorado com isso. Ao sair da fonte senti um
forte vento passar por todo meu corpo, uma sensação muito agradável estar com o
corpo molhado pelo frescor da água da fonte e inserir a isso uma breve
ventania, mas haviam mais seis quilômetros a correr, e a horrível sensação de
calor tornara a aparecer, o asfalto era aquecido pelo sol de forma que o calor
era cientificamente superior ao que parecia ser. Era um grande suplício que
fazia com que eu lutasse contra min mesmo, finalmente cheguei ao destino, banho
fresco, roupas e cuidar do nariz sangrando.”
Estas são sensações que podem ocorrer
à um corredor de longas distâncias, tornando as coisas muito mais difíceis do
que parecem ser, enfrentar um sol escaldante não é nada agradável, mas chegar à
uma fonte de água após uma hora de desértico sol é fato relevante que causa uma
alegria incomparável, alegria esta que foi provocada pela dor, pois se não
houvesse dor e sofrimento igualmente não haveria alegria suprema e o prazer
fisiológico de se deleitar com uma simples fonte de água. O fato é que a corrida
é uma forma de abstinência dos prazeres humanos, estamos afogados em prazeres e
não sabemos o que é dor e sofrimento, justamente porquê nossa sociedade vive em
total comodidade não passando fome, e evitando a qualquer custo as doenças e
desprazeres da vida. Se temos que viver uma vida plena, para conhecer a
realidade que é este mundo devemos também conhecer todos os desprazeres quanto
forem necessários. Se você não conhece a noite não sabe exatamente o que é o
dia. Pois se você têm tudo “de mão beijada” não saberá dar valor ao que têm, se
não conhece o verdadeiro sofrimento não saberá quais são os verdadeiros
sentimentos de uma pessoa que senta-se no chão para descansar, ou mesmo que
come uma simples maçã. A maçã parece ser muito simples do ponto de vista da
nossa sociedade, mas como sabemos um objeto ou uma idéia pode ser visto de
infinitos ângulos, e eis o que quero dizer: esta mesma maçã pode ser comida de
infinitas maneiras, pode-se sentir todos os recantos e prazeres que uma maçã
pode proporcionar, mas para isso antes é necessário passar muita fome, para que
a pessoa se sinta voraz a ponto de comer uma banana com casca sem sentir-se mal
ou deglutir uma melancia com caroços sem o menor ressentimento. Pois vejam
caros leitores a seguinte descrição de fatos que me ocorreram de forma
absolutamente verídica, por curiosidade na primeira maratona que corri:
“Não sabia que correr maratonas fosse
algo tão difícil, parece ser algo impossível de cumprir, os sentimentos
emergem-me ao recanto de minha alma, não sei direito o que ocorre comigo...
Está muito difícil continuar correndo... Finalmente o posto de frutas... Peguei
muitas bananas e melancias e comecei a comer como um troglodita comeria após a
era glacial. Finalmente a chegada e o sprint final, e, além de muitas dores nas
pernas sinto uma fome voraz, que me faz comer como desesperado, porém sinto um
prazer inigualável em tudo o que estou comento, eu diria que esta é a melhor
refeição da minha vida!”
O gosto dos
alimentos é realmente mais agradável quando o corpo pede por algo para sua
própria sobrevivência. E pensar que onde vivemos há café da manhã, lanche,
almoço, lanche, janta e lanche. Os sentidos relativos ao paladar ficam
completamente entorpecidos, e do contrario após à maratona estão mais aguçados
que nunca.
A sensação de
frio e calor é exteroceptiva, pois é provocada por fatores externos ao corpo
humano, enquanto que a fome é interoceptiva, uma sensação portanto do próprio
corpo. Tal como a fome a dor é igualmente interoceptiva, e podemos descrever
com clareza, para o melhor entendimento do leitor, um caso destes. É
estritamente necessário porém citar que todos estes sentidos de que estamos
tratando podem perfeitamente criar sentimentos. Sabemos com isso que os
sentimentos podem porvir de idéias ou mesmo das sensações que são provocadas
pelos sentidos. Entremos agora na descrição:
“Eu corria, corria muito rápido, e me
desempenhava muito bem, acho que nunca houvera estado em um ritmo tão bom
quanto aquele que estava naquele momento, era um treino forte, mas grande
sentimento de injúria se apoderou de min quando fui obrigado a reduzir aquela
fantástica velocidade, em decorrência de uma dor na região abdominal. Muita
raiva perante ao nada. Não era culpa de ninguém, somente minha. Diminuí
drasticamente a velocidade, sentindo aquela dor que em termos físicos não me
incomodava tanto quanto em termos psicológicos, pois era pior meus sentimentos
ligados à redução de velocidade que a dor propriamente dita.”
É portanto
devido às causas fisiológicas que ocorrem estes tipos de dores, mas as dores em
si não são os problemas, às vezes pode ocorrer uma dor, e contanto que o
corredor continue em seu ritmo rápido ele não se encontrará triste, pelo
contrário: estará muito feliz com o ritmo empreendido, e a dor seria por assim
dizer como um prêmio pelo seu magnífico feito, porém a partir do momento em que
a dor o obriga a fazer algo que esteja fora dos procedimentos previstos para o
momento ele estará mentalmente desgastado e bastante triste por dentro, já que
ele está de certa forma tendo uma discussão muito séria com seu próprio corpo,
e às vezes esta discussão pode se tornar uma briga bastante feia, podendo em
ultimo caso chegar à separação, mas mesmo que seja assim pode haver a
possibilidade de uma reconciliação ( seria neste caso as dores crônicas ).
Creio que o leitor tenha achado certa graça nas insinuações antecedentes, que
não passam na verdade de mera comparação, porém que mostram em toda a sua graça
que a corrida é em si uma conversa do corpo com os sentimentos, ou do corpo com
a mente. Se está doendo determinada parte do corpo, significa com toda a
veracidade que este está dizendo que há algo de errado, e que você está sendo
um idiota não respeitando as leis que regem a sua própria natureza, e assim ele
( o corpo ) acaba ficando furioso por sua insolente insistência, mas você, se
achando a pessoa mais espertalhona do mundo responde de forma nada fidalga à
ele, com palavras bastante ásperas e insultuosas, quero dizer que você aumenta
o ritmo de forma vertiginosa. Se corpo ( Poderíamos numa brincadeira sadia dar
um nome à ele... Vejamos... Poderia ser: Seu corpo... Secorp. ) Pois então como
Secorp é uma criatura de grande paciência ainda tenta avisá-lo de que há algo
bastante errado, e diz isso através da dor que o persegue. Você tenta não
escuta-lo, de forma que ele sentindo-se rejeitado por sua ignorância decide-se
separar de você. Assim ocorre algo grave e você não pode usufruir das vantagens
que ele lhe dava. É na verdade uma relação de simbiose o que ocorre entre corpo
e mente.
São estas
sensações interoceptivas que influem no estado emocional da pessoa que corre.
D – Necessidades fisiológicas.
Conforme dito,
haveria um tópico específico para o assunto aqui apresentado. Com bastante
paciência, o leitor interessado neste assunto esperou, mas não queira pensar
que aqui falaremos somente das diarréias, há bastante assunto, para abranger
mais de um pensamento. Para que este tópico fique agradável aos olhos do leitor
é necessário ímpia fluidez, porém trata-se de uma verdadeira falácia já que
difícil é encontrar fluidez em tópicos tais como estes. Contrariando
devidamente tudo o que acabei de proferir, para dignação ou indignação do
leitor direi que este é bastante fluente.
Quando Falamos
de necessidades fisiológicas logo lembramos de corpo, porém estamos em uma
infinita negação das verdades já estabelecidas através dos estudos que o homem
fez. Então por tais motivos diremos que até nesta situação poderemos relacionar
esta palavra à mente.
Veremos
inicialmente o que foi dito na descrição do Capítulo 7, Tópico A. Pois ali estava escrito que o corredor após
uma diarréia se sentiu muito melhor fisicamente, fato bastante interessante,
pois neste momento a diarréia serviu como uma espécie de saída para o estado
febril em que encontrava-se o corredor, pensou ele por instantes que aquilo
faria mal, quando na verdade melhorou sua situação. O corpo possui saídas
inteligentes para determinados problemas.
Tão escassos
foram meus comentários à respeito desta última descrição que me vejo obrigado a
colocar outra aqui:
“Já havia corrido cerca de 10 quilômetros
naquela estrada praiana, era muito agradável a sensação de salgada umidade
provocada pelo vento, velocidade estava bastante rápida, estrada bastante
movimentada que dava passo à outra praia. Inesperadamente me deparei com uma
vontade louca de descarregar minhas necessidades fisiológicas sólidas, meu
ritmo diminuiu bastante, pois era difícil correr daquela maneira, o pior de
tudo era pensar que aquela era uma estrada muito movimentada e não havia sequer
lugar onde eu pudesse defecar. Uma situação extremamente constrangedora, quando
para minha felicidade havia um terreno baldio à direita da estrada.
Instantaneamente corri para o local, e, me certificando de que não havia
ninguém por perto entrei no matagal, que não era tão espesso quanto queria que
fosse, sem reclamar do banheiro natural com que me deparara entrei e tentei me
esconder ao máximo atrás de uns arbustos, que além de prestarem o serviço de me
ocultar dos carros que passavam funcionavam como excelentes papéis higiênicos.
Olhando novamente nas cercanias para me certificar de minha solidão levanto-me
vitorioso, e continuo minha jornada de treinamento com a maior naturalidade
possível.”
Com grande probabilidade de provocar
estrondosa gargalhadas no leitor, esta é mais uma descrição, que é bastante
comum no caso de corredores de longas distâncias que se prezam a fazer
treinamentos com a maior seriedade. De jocosa hilaridade é verídica, e simples
como é a vida dos antigos homens que habitavam nosso planeta nos tempos
antigos, a gente que seguramente acha que este tenha sido um procedimento
horrendo, esquecendo-se porém que a pesar de seres humanos somos animais, e
estamos assim sujeitos ao natural. Desmistificando a falsidade na qual vivemos,
é fato de risos ver alguém cagando em uma estrada, por isso o corredor deve
esconder-se devidamente para não ser alvo de gritos e aclamações injuriosas.
Parece ser este um assunto sem importância, para qual, eu, escritor estou me
voltando. Como um escritor pode dar tanto valor à assuntos de tamanha
comicidade com toda esta seriedade. Na verdade vos digo: tudo pode ser
discutido de uma forma séria, de modo que sejam chegadas às importantes conclusões.
Vejam bem leitores: se parece esta descrição motivo de ignorante piada seus
comentários do contrário são de importante conhecimento.
Vivemos em um
mundo cultural, esquecemos que o mundo que nos cerca é natural, tudo aquilo que
é criado pelos seres humanos é artificial, e, a própria cultura que criamos é
de certa forma artificial, vejam bem que o fato de fazer sexo, ou necessidades
fisiológicas são na verdade imprescindíveis para a sobrevivência e postergação
da humanidade. Quando vemos alguém se alimentando cremos que é algo muito
natural, porém para as necessidades é se necessário privacidade, fato que é
criado pela cultura do homem. Chegamos a discutir de forma bastante expansiva
um tema que de início parecia bastante simples, e vou além disso, pois os
sentimentos que dominaram o corredor nestes momentos foram da mais pura
vergonha e ódio por haver ocorrido esta situação, que conforme descrita por sua
própria pessoa fora situação constrangedora.
É fato que fora irrepreensível procurar lugar para se
esconder das injurias, os pensamentos eram devidos aos motivos culturais
empregados pela sociedade, provocando grande problemática, já que desta forma a
parte psicológica do corredor fica extremamente alterada, a vergonha seria o
sentimento por ele tido. Ainda mais se ocorresse o caso de ele não encontrar
lugar devido e esborrar-se por inteiro, se bem que cada um possui uma gama de
valores culturais e ideológicos diferentes entre si, e poderia ser caso de o
corredor não dar a mínima importância para este fato, não se sentindo
constrangido, tampouco envergonhado por isso.
Como dito
anteriormente, falei à você apreciado leitor, que não me contentaria em
dissertar sobre o assunto de necessidades fisiológicas de forma simplória, de
forma que saindo do assunto das necessidades chegamos à parte de cultura e
valores pessoais, e ocorreu que o assunto se estendeu como se estende um
elástico ao último nível antes de estourar, porém antes de estourar vamos parar
o assunto este por aqui.
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