CAP. 7- OS SONHOS TÃO ALMEJADOS
Quem nunca chegou a falar que seu
sonho era completar uma maratona? Ou então ouvir alguém dizer isso? Quando
dizemos assim a palavra sonho está colocada de uma forma a querer dizer desejo
ou vontade, na verdade eu quero completar uma maratona, mas como é algo ainda
um pouco distante de minha realidade eu digo que tenho o sonho de completar a
maratona. Por quê a idéia de sonho está relacionada a algo que está distante? A
resposta a esta pergunta está justamente na análise que podemos fazer dos
sonhos.
Os sonhos são
sempre coisas que estão, ou parecem estar, distantes de nossa realidade,
geralmente com temas extravagantes, exagerados e ficcionais. Por isso achamos
que são histórias ridículas, que muitas vezes não fazem sentido. O grande
problema é que sempre que analisamos um sonho utilizamos como ferramenta para
este feito nossas razões, e a razão possuí algumas limitações que fazem com que
não entendamos como funcionam os sonhos. O sonho seria neste caso uma expansão
da razão, assim, quando estamos sonhando estaríamos entrando em nossa
verdadeira consciência, o quê os psicólogos chamariam de sub-conciente. Nós
mesmos somos o subconsciente, que se forma a partir de vontades e sentimentos
que de certa forma não são visíveis à luz da razão. Este é o motivo que faz com
que os sonhos pareçam ser tão estranhos e enigmáticos.
Se pudéssemos
realmente entender o quê querem dizer os sonhos, poderíamos nos entender de
maneira mais completa, e assim facilitar o entendimento de nossos sentimentos
em relação ao mundo que nos cerca.
Já tive
diversos sonhos em que estava correndo, e creio ser isso um fato comum aos
corredores, são sonhos estranhos, mas que mostram como gosto de correr. Certa
vez voltando de uma viagem que havia feito para disputar uma maratona sonhei
que estava correndo em outra prova, é muito cansativo pensar que após correr
42Km 195mts. você vai dormir e inesperadamente sonha que continua correndo,
fato que mostra como a realidade mental é bastante diferente da corporal, pois
a mente suas vontades e pensares ainda estavam extremamente ligados à corrida,
enquanto o corpo tentava se recompor.
Correr é
portanto um processo acima de tudo mental. No intuito de expandir os
conhecimentos acerca dos sonhos, iremos aqui procurar dividir este assunto em
diversos tópicos, assim como são retratados:
A ) Mistério e desconhecido.
Chegada a broma anterior volvamos agora a
discutir causas mais sérias, tal como o mistério que envolve o corredor. Quê
seria este mistério? Proveniente do medo e do desconhecido é aquilo que
chamamos de mistério. Particularmente tenho grande fascinação pelo mistério,
mas, não só eu como a essência do ser humano possui algo de atração pelo
mistério, É fato quer por ser desconhecido é algo que merece de nossa parte a
maior precaução possível, pode tratar-se de algo hostil e perigoso. Quando
crianças temos em geral medo do escuro, e não muito estranho ocorrer esta
sensação quando adultos, pois acostumados ao berço da cidade, tememos algo no
que se refere à escuridão solitária de uma selva inóspita. Alguns fatos que
ocorrem em nossas vidas muitas vezes são dignos de serem relacionados com o que
dizemos ser mistério ou situações estranhas, e muitas vezes estas ocorrências
estão relacionadas com os sonhos. Na verdade durante os sonhos são colocadas
todas as nossas sensações do dia a dia, porém é muito misterioso deparar-se com
uma premonição em um sonho.
Vejam a seguir a seguinte descrição:
“Estava
na cidade de Curitiba, região sul do Brasil, especificadamente na casa de um
primo, nunca houvera corrido uma maratona antes. Era eu um garoto ainda, com
meus 17 anos de idade, e estava realmente bastante excitado com a idéia de
completar uma maratona. Havia também um certo nervosismo. Um dia antes da prova
tive uma diarréia, e num momento achei que aquilo iria acabar com minha
resistência física, mas do contrário, após fazer todas as necessidades saí
muito mais leve, parecia inclusive haver passado um suposto estado febril
juntamente com a diarréia, fato que julguei de suma importância para meu bem
estar físico. Havia chegado a noite antecedente à prova, não constava com
quaisquer experiências deste porte, dormi. Ao despertar no dia seguinte
recordei-me claramente do sonho que houvera tido: ficava conversando em inglês
não sei com quem, sonho que no momento julguei ser sem importância, já que não
domino esta língua tampouco utilizo-a com freqüência. Finalmente a maratona,
correr e correr, era um sonho que estava se realizando, foi de surpreendente
cunho a constatação de que no quilômetro 30 havia um posto de frutas, me
recordo com perfeição: eram gomos de tangerina, fiquei muito satisfeito com a
reposição, esta que meu corpo há muito pedia, quedei-me impressionado com o
fato de haver um estrangeiro que gritava em inglês palavras e frases de
estímulo, no exato momento revidei os gritos com palavras proferidas no último
volume que me era possível: - I am a runner – Every body is running to arrive! Acreditei
ser aquele fato digno de conotação, acontecimento extraordinário”
Descrição bastante
larga esta meu caro e bom leitor, que até parece retratar factos adicionais
além de nossos interesses, porém o motivo de toda esta parlaria está
relacionado justo aos nossos estudos, que ao mesmo tempo que requerem
determinada especificidade não fogem à grande abrangência de outros possíveis
assuntos de igual valia. Assim sendo, nosso objetivo inicial é discutir sobre o
mistério que podem provocar os sonhos, ou mesmo as chamadas premonições, que
assustam o homem enquanto ser humano por serem de pouca ocorrência, e
consideradas como meras coincidências.
Na parte da diarréia peço que os
leitores, além de terem tido a paciência de haver lido, tenham a resignação de
esperar até chegarmos ao capítulo 8, tópico D, onde comentaremos
algo relacionado às necessidades fisiológicas. Sendo assim este assunto estará
enterrado por agora.
Retornando aos nossos dizeres anteriores,
o mistério é o desconhecido. Há uma pergunta que parece querer se esconder de
nossos olhos tal como se esconde o mistério: Pode o mistério ser conhecido?
Nunca, esta seria a resposta mais cabível, pois se ocorrer de descobrirmos os
mecanismos do mistério, este então não será mais mistério. A criança que se
julga mais esperta acaba, de forma muito perspicaz descobrindo que o Papai Noel
era uma representação de um personagem, porém no mesmo momento em que faz esta
descoberta desaparece todo o mistério que estava envolto a figura deste
personagem. Assim é tal como ocorre com a ciência, que descobrindo uma verdade
passa a julgar que aquele fato que inicialmente parecia estranho é na verdade
muito simples, lógico e às vezes não entendendo sua incompreensão anterior à
acontecimento de tamanha simplicidade. Não se sabia exatamente o motivo de as
coisas caírem para baixo, some te quando foi proposta a lei da gravidade por
Isaac Newton ocorreu o que é chamado de explicação.
Pois, nós leigos não entendemos muitas
questões, mas já é grande progresso construirmos tais perguntas, pois assim não
ficamos jogados como baratas tontas, em que a natureza comanda os caminhos sem
sequer que nós entendamos o que está acontecendo.
Muito provavelmente este assunto esteja
ficando um pouco confuso, deveríamos então discutir de uma forma mais simplista
e objetiva, pois então perguntem-se vocês caros leitores os motivos de uma
premonição. Para quê serviria tal poder mental? Talvez adiantar-se no tempo
seja uma verdadeira loucura, mas uma coisa posso Ter certeza, é acontecimento
intrigante e bastante escasso, que na menor das hipóteses serviu-me para trazer
uma alegria momentânea e um grande estímulo para continuar correndo.
Os sonhos são por certo uma expansão da
consciência humana. Seriam eles a expansão ou o estado de vigília seria uma
repreensão da consciência? Esta dualidade de idéias nos faz perceber e ter a
seguridade de que há uma diferença entre estar acordado e sonhar, a premonição
é um fenômeno que se insere no campo da parapsicologia e dá margem a
interessantes divagares, tais como a concepção de tempo que foi definida pela
humanidade. Somos, por via raciona, induzidos a pensar que mediante o fato de
conceber-se o futuro antes que ele ocorra é um mistério, isto somente porque
não conhecemos os mecanismos psíquicos que compões e arquitetam este processo.
É deserto viável crer que o sonho sendo uma evasão da psique humana, durante à
noite estaríamos muito suscetíveis à maiores níveis de consciência, entendendo
esta consciência como uma realidade mais abrangente. Assim a mente se
desfragmenta e não se restringe ao tempo presente.
Do contrário poderíamos nos basear na
suposição e que não se tratou o caso supraescrito de premonição, mas sim de um
contato ocorrido no presente, o suposto “inglês” já estaria durante à noite
psiquicamente ligado, entretanto só demonstrou este contato no outro dia. Assim
não seria previsão do futuro, mas sim uma maior sensibilidade à realidade.
E assim se passa com os corredores uma
gama de sensações, pensamentos e sentimentos que em muito ultrapassa a mera
corrida, atingindo patamares estratosféricos da psique. A consciência humana
por certo é maior da que pensamos ser, e por mais inconcebível que possa
parecer, disserta-se ainda sobre as concepções de tempo e espaço, e ao
maratonista isto é o que mais interessa já que ele corre mediante estes dois
princípios.
O tempo e o espaço não são importantes
para a consciência, mas sim para os horários de chegar ao serviço, almoçar,
jantar, ir ao cinema, jogar futebol ou iniciar um treino. Ironicamente à
consciência profunda nada disto importa, não existe tempo à ela: Uma lembrança
é o retorno no que decidimos conceber de tempo, a ansiedade é a ida ao futuro,
sendo então o tempo maleável e suscetível às mudanças pela consciência ele não
existe. É como dizer que um quadrado pode se transformar num círculo e logo num
triângulo, logo ele não existe, ou pode existir se assim acharmos. Os
sentimentos são o que definem a realidade, fico entusiasmado com a idéia de que
um filme gravado à anos, ou um livro escrito à centenas de anos pode provocar
prantos, lágrimas ou risos e gargalhadas. Isto simplesmente provaria a
inexistência do tempo, ou de sua importância.
O espaço é flagrado sem importância
quando diz-se que sonhou-se com uma realidade antes que esta ocorre-se,
concebe-se assim que se minha consciência se aliou com outra sem que se
precisasse viajar ou se deslocar fisicamente que não há importância no espaço,
ou que este inexiste. As implicações destas concepções filosóficas trazem-nos concepções divergentes das quais
nos adaptamos, e por isto causam grandes impactos em nossas acepções. Pode o
corredor já sentir a psique de outros corredores que estão mais à frente? Uma
lembrança durante a corrida pode lhe trazer mais ou menos forças? Para a mente
não há importância de tempo ou espaço, mas para o corpo sim, acontece que
enquanto se corre a mente pode estar deslocada à outras realidades, tempos ou
lugares e isto por certo terá repercussão crucial no corpo.
Corremos atrás de sonhos durante toda a
vida! Sempre queremos atingir metas, alcançar objetivos, isto é sonhar.
Sonhamos durante toda a vida. O sonho é a formação prévia de uma idéia em
nossas mentes, ou seja algo que vêm do futuro ao presente, particularmente
achei bastante peculiar a idéia já proferida daquele que sonha completar uma
maratona, o que é um feito relativamente difícil. É então uma futurização de
seus pensamentos, a realidade já entrou no campo da consciência, e se ele já
está “sonhando” para a consciência esta idéia já é uma realidade. O grande
equivoco é que quando falamos na palavra “idéia” imaginamos como algo que está
distante, algo surreal, abstrato, fantasioso, em suma: algo irreal. Acontece
entretanto que as idéias são tão reais quanto são os pensamentos, são definidas
pelo mecanismo da razão, e por certo para a consciência elas são as coisas mais
fidedignas que possam existir, mais real que a realidade que nos cerca,
justamente por isto cada pessoa vê o mundo de uma maneira diferente, os loucos
acreditam tanto em suas idéias que esquecem-se do mundo “físico”. Quem disse
que nós não somos iguais à eles?
Confiamos piamente em nossas idéias ou a designamos como sonhos no
intento de convencermos de que são coisas distantes?
Ninguém têm um sonho. A pessoa não
deveria dizer: eu tenho tal sonho, mas sim eu sou este sonho. Já que é assim:
Eu sou o sonho de correr uma maratona. Ou: Eu sou a idéia de correr. Entramos
supostamente no campo das idéias de Buda, que disse que os seres são o que
pensam. Mediante esta linha de raciocínio proponho uma pergunta: Somos a
consciência ou o corpo? Seria o corpo mero instrumento da consciência? Eu penso
logo existo? Ou: Eu me movimento logo existo?
Nesta duvida existencial é possível
tomar como base o movimento como a existência do ser, já que movimentando-se
têm-se a percepção do corpo no espaço e do corpo para com o próprio corpo. Quê
seria então do sonho? Uma alucinação e distorção da realidade?
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