CAP. 26 – A RELIGIOSIDADE
Assim, o
significado de um movimento é o próprio movimento e nada mais, a realidade do homem é o corpo que se
movimenta e nada mais.
O ser humano é
então, diante de Deus o mesmo que o cachorro ou o macaco diante do homem.
Caros leitores: nossos
pensamentos e dissertações foram bastante plausíveis, e me disponho todavia a
seguir nesta jornada com vossa permissões, do contrário poderíeis deixar este
livro de lado.
É bastante
sério os estudos que aqui encontram-se, não quero que pareçam ser pensamentos
apenas transcritos em folhas de papel, mas sim algo que seja vivo, não há
embasamento de autores conhecidos ou mesmo de grandes nomes da filosofia ou
ciência. Não se esvai com isso o caráter de seriedade destas páginas que aqui
estão. Conhecimento é tudo aquilo que é adquirido através da razão, sob o crivo
dos questionamentos e das respostas lógicas e coerentes.
Neste capítulo
discutiremos algo sobre a espiritualidade dos atletas. Assunto bastante
interessante já que abrange um largo campo.
No decorrer da
história da humanidade surgiram muitas religiões, todas elas buscam algo a
mais, que extrapole o senso comum. Cada qual possui características peculiares,
mas admitem que haja um poder superior que ajude o homem, e em muitas também
existe a crença nos demônios e criaturas malévolas.
Será isto
verdade? É de grande graciosidade notarmos como o ser humano interessa-se por
tudo o que seja desconhecido, muitas pessoas sentem-se atraídas por filmes de
magia e histórias fantasiosas, vejam vocês mesmos que decidi colocar os contos
nestes livros por saber que muitos interessam-se pelo extraordinário. É através
destes mistérios que nos deparamos com algo que não é possível explicar, nestes
contos e histórias além de serem inexplicáveis as ocorrências são também falsas
de certo modo, por haverem sido criadas pela imaginação, porém o mundo real não
é composto pela imaginação, e diversas coisas ainda não podem ser explicadas
pelas concepções científicas de nossos tempos. No capítulo 7, Os sonhos tão almejados algo abordei sobre premonição,
já que tendo um sonho de certa forma antecedente à um acontecimento fiquei
extasiado. Qual é a importância de tentarmos explicar o que numa primeira
instância seria inexplicável? Ocorreria que se entendêssemos o que não sabemos
que é possível existir aumentaríamos nossas capacidades de modo a fazer um
atleta de elite ou do último pelotão se sentir mais completo e portanto
ajudá-lo a correr senão a viver, pois insisto na clara idéia de que uma coisa
leva a outra. Os sonhos certamente estão entre os assuntos de grande mistério
para o ser humano. Porém outros fatos também são de grande relevância no que se
diz respeito ao oculto.
Muitas equipes
de futebol e de basquete, antes e após os jogos fazem uma prece em conjunto. Há
uma função concreta nesta prece? Não é devido dizer que isto dependerá da
crença de cada um já que independente das crenças a realidade somente pode ser
uma. Se realmente existe algo após a morte por exemplo, eu irei ao céu,
acreditando ou não, pois as leis somente podem ser uma verdade, do contrário
ocorreria aquilo em que se acreditasse e a realidade estaria distorcida como em
sonhos ou ilusões.
No caso de que
o mundo espiritual seja uma realidade há uma grande função nas preces
propriamente ditas, já que estas criariam energias positivas que ajudassem aos
atletas. Uma questão bastante maleável à discussão já que não sabemos quem é
Deus, tampouco qual é sua vontade. Todas as religiões, segundo o meu modo de
ver, são criações culturais da humanidade. Isso mostra como seriam falsas, o
que sempre existiu na verdade é o apego ao medo, pois o medo provém das coisas
desconhecidas, e estas sempre existiram. Quê é o medo senão um sentimento do
ser humano? O medo faz parte do homem como faz parte a alegria e a tristeza,
sabemos então que a religião é uma conseqüência da própria essência humana, e
não demonstra o mundo real, já que o mundo real não é resultado do medo e sim
um mundo visto pelos sentidos.
Para
esclarecer devo dizer que os sentimentos não retratam a verdade e sim os
sentidos, a religião é criação cultural criada pelos sentimentos e não pelos
sentidos tato, visão, olfato e audição. A única coisa que pode nos transmitir o
mundo real são os sentidos, neste modo de ver as religiões são falsas do ponto
de vista real e verdadeiras quando devem exprimir sentimentalidades.
Estas
elucubrações são bastante severas, idéias que vão contra à toda uma criação
humana, já que tudo isto se incrustou como uma pesada pedra na humanidade,
tanto que parece ser natural acreditar em algo que seja superior. A ciência
entretanto é resultado de um sistema baseado na razão e questionamentos, esta
sim retrata a realidade com grande precisão e desmascara a religião. Tratam-se
de seres invisíveis, e que não se sabe onde estão, pois difícil seria acreditar
numa coisa destas. Não faz muito sentido ser religioso, em sua maioria as
pessoas o são, talvez seja por causa da moral empregada, que ressalta o amor e
a paz, e sendo isto uma coisa positiva à humanidade todos aderem aos
pensamentos.
Uma corrida
competitiva é ao mesmo tempo uma confraternização e uma máquina de ódios e
rancores, sentimentos totalmente contraditórios que coexistem numa mesma
empresa. Quê diria disto Deus? Sabemos que a raiva o ódio e o rancor podem ser
transformados numa corrida através dos processos mentais na mais pura
resistência física e resignação mental, seria o amor capaz de causar tamanha
força? Creio que não, já que é um sentimento mais relacionado à tranqüilidade.
Vejam porém que esta fúria competitiva está relacionada ao amor próprio, seria
isto amor ou egocentrismo exacerbado? Creio com veemência que a Segunda
alternativa seria mais condizente com a verdade.
Eis que nos
deparamos com um grande contra-senso já que o amor de Deus não é a favor da
vitória do corredor, pois este depende de sua fúria perante os adversários para
vencer. Há muitas vezes uma explosão sentimental, atletas que finalizam uma
maratona chorando de emoção, este choro estaria imerso num contexto de
superação, dos limítes físicos e mentais. Muitos religiosos fazem caminhadas de
muitos dias, e por min serão comparados aos maratonistas, são muitos os
caminhos que levam à lugares exóticos e sagrados. Para pagar penitências também
fazem diversas outras coisas, tais como subir escadas de joelhos ou rezar
durante muitos dias seguidos em jejum. Por uma pessoa leiga em se falando de
religião, são feitos característicos de uma pessoa insana e louca, porém
existem os devidos motivos que os levam a fazer determinados atos. Outros ainda
se auto-flagelam pela e por suas respectivas religiões.
As
penitências religiosas podem muito bem ser comparadas à corridas de longa
distância, já que requerem, tanto umas quanto as outras, grande esforço físico
e mental. No caso em que exista um Deus ou uma Força Maior oculta, haveriam nos
dois casos criações energéticas muito fortes que provocariam a expansão dos
sentimentos influindo no estado mental. Do contrário os religiosos podem ser
considerados como uma grande horda de fanáticos iludidos, e os maratonistas
continuariam sendo maratonistas. Não acusando injustamente os religiosos direi
aqui que a maratona é também uma criação cultural, que no início foi criada
pelas idéias religiosas e sentimentais da época na Grécia, a grande diferença
encontra-se no fato de que com o progresso científico descobriram que correr é
benévolo ao organismo biológico, o que traz mais um sentido para a corrida,
transformando-a numa realidade que faz sentido racional, ao contrário da
religião que, tendo sido criada pela cultura não possui provas plausíveis de
sua realidade.
Porém o
mistério sempre cercou a humanidade com seus curiosos laços, e nos sentimos
atraídos por ele de maneira mágica, muitas vezes cega, já que não necessitamos
utilizar a razão para explicar a religião, deste modo vemos como os sentimentos
são mais fortes do que os pensamentos racionais. Isso é visto de maneira
bastante clara quando utilizamos o
clássico exemplo do maratonista que não soube controlar seus impulsos sentimentais
da maneira correta, e por isso, passou a correr desenfreadamente numa vertiginosa
carreira. Com isto após tantos quilômetros “quebrou”, ou seja diminuiu o ritmo
drasticamente. Neste caso, bastante típico, os sentimentos dominaram a razão,
esta controla a parte técnica e estratégica da corrida, os sentimentos devem
ser controlados, mas não podem por serem mais fortes que a outra. Dividiremos
nossos estudos portanto em algumas partes:
A)
Sentimentos e religião.
B)
Razão.
A – Sentimentos e religião.
Aqui está
incluída a religião do corredor. Fazemos uma ligação de sentimentos com
religião. Os dois estão ligados à parte sentimental do ser humano. Como já
visto os sentimentos são mais fortes que a razão. Num determinado podem ajudar
ao maratonista correr mais rápido e conseguir se superar, mas podem ao mesmo
tempo ser grande causa de desastres tais como exageros ou mesmo perca de ritmo.
Os sentimentos podem ser desde a fúria de ser ultrapassado por um determinado
corredor, como também a grande tristeza de ser passado pelo mesmo. Assim, vemos
que para situações iguais podem ocorrer sentimentos divergentes, depende isto
da educação mental que o atleta teve para quando fosse submetido aos diversos
tipos de ocorrências que podem haver numa corrida.
O grande
segredo é saber quando exatamente devemos ativar nossos sentimentos, e quais
sentimentos devemos Ter, pois eles podem nos ajudar na corrida. Muitos dirão
que não é possível controlar os sentimentos através da razão já que eles são
mais poderosos do que ela, mas esta é a grande questão a que acabamos de
chegar: Qual é o inter-relacionamento entre os sentimentos e a razão? Voltando
ao aspecto religioso, considerando-os como expansões dos sentimentos humanos, notaríamos que há a possibilidade de a razão
controlar a emoção, já que uma criação cultural traz sentimentos. Veja que a
religião é uma criação cultural, e tudo aquilo que é cultural não pode ser
propriamente dito sentimental, pois o sentimento é nato no ser humano e não
numa folha de papel ou numa pronunciação qualquer, mesmo que esta seja uma
oração. Pois no momento em que ocorre uma oração em grupo haveria uma expansão
sentimental, que fora provocada não por um suposto Deus mas sim por uma reunião
que trouxe através de aspectos racionais um nível de sentimentos elevados. Esta
teoria nos faz chegar ao pensamento de que a razão pode ser fonte de
sentimentos, e por assim dizer os sentimentos podem ser controlados pela razão.
É claro que dependendo do nível de sentimentos estes, em alguns casos não podem
ser controlados por pensamentos racionais, um descontrole destes pode provocar
uma glamouriosa vitória como uma desastrosa derrota. Fato verídico é que aquele
corredor que não sabe utilizar seus sentimentos sempre será um bom corredor, mas
nunca irá extrapolar aquilo que ele mesmo considera como sendo seus limítes.
Vemos que os sentimentos possuem três facetas:
1 – Quando bem administrados.
2 – Quando foge ao controle.
3 – Quando não utilizados.
No que se
refere à religião vimos que esta pode ser a fonte dos sentimentos mais
positivos para uma competição, porém fugimos ao aspecto propriamente misterioso
que ela proporciona à nossos estudos. É muito claro que nestas folhas não é
possível nos aprofundarmos nos aspectos mais profundo deste tão interessante
assunto, não quero também me gabar de
meus poucos conhecimentos sobre religião, mas vejam vocês leitores que
isto não trata-se de uma transmissão de conhecimentos, mas sim de uma conjunta
dissertação e de um constante questionamento, o que diríamos tratar-se de
filosofia ou busca do conhecimento.
A religião,
como dito, é um tema bastante complexo, e à isto se prostram os teólogos. Em
nossa maneira humilde algo produziremos à este respeito. Creio eu que um grande
problema encontrado seja a distância temporal dos fatos ocorridos inerentes ao
surgimento das religiões em geral. É interessante vermos que a religião é
sujeita às condições gerais da época em que surgiu. O Cristianismo por exemplo,
surgiu através dos pensamentos de um grande sábio, o qual é chamado de Jesus
Cristo. Este sábio tinha grandes desavenças com o sistema político e religioso
de sua época, este foi o motivo que o levou a ganhar tanta notoriedade entre as
pessoas de sua época, sendo este sucesso postergado às precedentes gerações.
Pode um ser humano ser tão lembrado pela humanidade quanto ele? Qual seria o
verdadeiro motivo de haver tanta importância em seu nome? É a igreja uma
empresa política? Talvez esteja sendo grosseiro, mas sim realista, pois naquela
época os que possuíam maior poder político eram os religiosos, portanto a
religião era o que chamaríamos hoje de empresa, assim é de grande naturalidade
pensarmos que ela se impusesse por toda parte, e produzisse uma estrondosa
propagação a ponto de colocar o nome de Jesus entre o maior do mundo, tais como
suas histórias e lendas. Igualmente como hoje as empresas multinacionais enfiam
seus produtos e idéias na cabeça dos consumidores de forma que estes nem saibam
que estão sendo influenciados por uma grande gama de idéias, estas que
escondem-se por trás de um tapete. Deste modo Jesus não teria sido um ser tão
extraordinário como se diz na Bíblia Sagrada.
É inevitável
que surja uma aspecto espiritual no ser humano, pois decorrente este dos medos
e sentimentos, sendo os medos eternos sempre haverão crendices. No espiritismo,
que se diz como ciência, há a crença de que nós seres humanos podemos entrar em
contato com os mortos. Isto seria realmente sensacional, segundo meu ponto de
vista, pois poderíamos saber do que é constituída esta outra realidade. A
ciência do espiritismo estuda fatos estranhos, tais como barulhos e ruídos
estranhos, objetos que se mexem sozinhos e pessoas possessas. Interessante
seria descobrir de que forma estes espíritos que vagam pela terra influenciam
em nossa vidas. Seria esta descoberta exacerbadamente mais importante que
discutir sobre corrida? Não, pois já que uma está intrinsecamente relacionada
com a outra, saberíamos na real qual a importância verdadeira da prece, e dos
atos relacionados à religião e ao mundo oculto, mágico e misterioso que se
encontra diante de nossas pessoas sem nos darmos conta. É portanto assunto de
suma importância a religião no que se refere à vida, e em particular à corrida.
B – Razão.
Esta é de
grande importância, por determinar tudo aquilo que é inerente ao treinamento.
Ritmo que deve ser impresso, movimentos técnicos, e até expressões faciais para
ludibriar os adversários. Desta já foi citado que têm a capacidade de controlar
os sentimentos, porém estes quando exagerados fazem com que a razão fique
privada de suas capacidades, é de grande tristeza ou de maravilhosa alegria
quando isto ocorre, pois como venho constantemente dizendo pode decorrer uma
esplendorosa vitória ou derrota catastrófica desta perda de controle.
É bastante
aconselhável utilizar o crivo da razão com todos os treinamentos, não se
deixando influenciar por sentimentos desmesurados, principalmente nos
treinamentos de ritmo, os treinos longos, creio eu, são bastante propensos à
uma influência de sentimentos já que requisitam uma grande dose de resignação e
vontade. Vemos que os treinamentos de tiros ou intervalados necessitam de
bastante precisão, para isto sentimentos não funcionam, deve-se ser uma pessoa
“fria”, no contexto de não se produzirem sentimentos, por maiores que sejam as
dificuldades, e se acaso sejam produzidos estes sentimentos eles devem sempre
dentro do possível ser controlados para não se expandirem. A razão é portanto
mais amiga da perfeição que os sentimentos, é através dela que iremos criar
nossa estratégia de corrida, na corrida certamente poderemos utilizar nossa
religiosidade e os sentimentalismos aflorar-se-ão, mas não nos treinos, vejam
como faz sentido isto de que estou falando: se o corredor se entusiasmar com
seu treino a ponto de querer mudar seu ritmo para mais rápido poderá Ter grande
desventura ao notar que não terá a capacidade de finalizar suas séries de tiros
de 400 mts. por exemplo. Então por força da ignorante insistência diz-se: -
Não, eu tenho perfeitas condições de finalizar os treinos num ritmo superior ao
que me foi proposto, e mesmo que esteja sendo influenciado por sentimentos
animalescos sei que o faço com
perfeição! O que ocorre nestes casos, amigos meus, é que o corredor não possui
uma visão mais ampla de seu treino, fica atido tão somente a cada dia, não se
dando conta de que está sobrecarregando o organismo, talvez a mente não esteja
sendo forçada e sobrecarregada, mas o organismo quanto à sua parte física
certamente não suportará a longo prazo este desgaste.
São muito
interessantes estas colocações, já que fazem com que saibamos dividir as fazes
de treinamento naquelas em que devemos expandir nossos sentimentos daquelas que
não se deve Ter quaisquer tipos de sentimentalismos. Também notamos que a visão
de treinos deve ser de longo prazo, o que é uma coisa muito difícil de
controlar. Não se deve sobrecarregar o corpo com as corridas influenciadas por
uma exagerada gama de sentimentos positivos. O mesmo ocorre do contrário, pois
o corredor pode se encontrar triste por qualquer motivo em um determinado dia,
esta tristeza poderá influir sua corrida se ele não tiver a capacidade de
separar seu treinamento de sua vida particular. É possível fazer esta
separação? Dependendo das proporções do problema que faz com que o atleta
esteja triste sim, mas há casos em que a tristeza não consegue se dissolver com
o treino. Nestes casos à vezes é melhor não treinar, e sim tentar dentro do
possível buscar uma solução ao problema. Se não há solução é melhor correr que
não fazer nada. A melancolia provinda de assuntos pequenos é facilmente
resolvida com um treino, há porém sentimentos negativos mais fortes que uma
simples indisposição mental, estes como dito devem ser trabalhados dentro do
possível.
Estamos no
centro de uma grande luta, pois os sentimentos impossibilitam que a razão
funcione em sua devida ordem, enquanto a razão impossibilita a expansão dos
sentimentos, assim é, por isso não é fácil treinar, sendo esta uma dificuldade
que se encontra para treinar-se para a tão medonha e apreciada maratona.
Que todos os
corredores consigam encontrar o equilíbrio entre uma e outra, juntamente com
sua religiosidade encontrar-se no mundo e situar-se na corrida.
É por certo
uma infindável busca pelo desconhecido que faz com que o homem sobreviva. Ao
mesmo tempo que busca desconhece, e por isto se há de inventar uma explicação à
tudo aquilo que supostamente não se consegue explicar mas que algumas vezes
sente-se o efeito. Muito se fala de espíritos e coisas do tipo Omo casas mal
assombradas, porém não é capaz o ser humano de criar mentalmente visões?
Alucinações? Há quem diga até que há a possibilidade de haver o que se diz
alucinação em massa. Não seria coincidência? Ou neste caso já caímos na teoria
que valoriza o inconsciente coletivo? Há muitas perguntas a serem feitas neste
campo, todas por certo bastante intrigantes, pois nos instigam de tal maneira a
tentar descobrir quais são realmente as capacidades humanas, e se desenvolvendo
estas podemos evoluir, não tão somente na corrida como em uma série de outros
aspectos. Julgo que se considerarmos a capacidade de criação de alucinações ou
mesmo imagens poderíamos desacreditar em espíritos ou aparições já que estes
pudessem ser decorrentes de nossas próprias imaginações e vontades alimentadas
por uma vontade fora de comum muitas vezes chamada de fé, entretanto é caso
digno de comentário comentar algo relativo, neste mesmo capítulo, aos poderes
paranormais dos humanos. Falar um idioma desconhecido é uma destas
características, dar informações que somente um ou outros sabem, ou mesmo dizer
o que ocorre do outro lado da cidade num mesmo momento são algumas das
características que se conferem aos paranormais, dentre tantas outras, muitas
vezes bastante estratosféricas. É interessante notar que há estudos sobre este
mesmo assunto posicionados sob um prisma de caráter científico, e que não se
restringe apenas à fábulas ou contos fantástico, por este mesmo motivo julgo ser
digno de apreciação este assunto, que nos leva a pensar sobre o futuro da
humanidade, e se algum dia iremos substituir a tecnologia pela corporeidade,
nos comunicando por pensamento ao invés de telefone, levitando ao revés de
andar de carro ou moto. Este último nos leva a citar ou imaginar que o homem no
futuro não mais andará, mas sim levitará, deixando de lado o movimento
corporal, não em si o movimento corporal, pois o corpo estando se deslocando no
espaço está se movimentando, somente não se movimenta no caso da levitação
quando comparado a si mesmo, por isto podemos dizer que não há contração
muscular. Porém o que leva à levitação? De onde provém o dispêndio de energia
para que tal ocorra? No músculo temos como combustível o ATP-CP, glicogênio,gordura
ou a própria proteína que pode ser utilizada como última demanda, mas e nestes
fenômenos mentais paranormais? Qual é a fonte primária de energia para que se
ocorra um evento de tal natureza? Pudera ser a glicose que entra no cérebro a
fonte de energia, mas se é isso, Quanto de glicose é necessária para uma
levitação, ou telecinese ( mover objetos com a força da mente ). Me pergunto se
é real a existência da interface entre o físico e o mental que se designa
“plasma”, uma espécie de energia que têm a capacidade de interferir no físico
através do mental, como se fosse este um meio termo. Supondo que haja mesmo tal
substância como um elo de ligação, de quê maneira especificadamente age?
Me proponho a
questionar sobre qual o nível de influência têm o plasma, esta energia
intermediária, para com a corrida. Ou mesmo sobre o que ocorre com ele durante
uma corrida, partindo do princípio de que todos temos esta energia, e que
podemos dissipa-la em diferentes intensidades de acordo com a capacidade
pessoal de cada indivíduo, se tivéssemos capacidades iguais de dispêndio desta
energia não haveriam por certo os paranormais, ou então todos seriam paranormais
por assim dizer. Uma das perguntas que acho intrigante estar colocando para que
vocês leitores reflitam de alguma maneira é a seguinte: Como pode a corrida
interferir de tamanha maneira no bem estar do praticante? O que se considera
por bem estar? Um estado mental de despreocupação e relaxamento? Bem estar pode
estar conceituado como a capacidade de não se deixar interferir por influencias
negativas oriundas de quaisquer paradas, sejam motivos sociais, afetivos
extrínsecos ou intrínsecos. Isto é o que considero como bem estar, porém não é
estar fechado ao mundo, mas sim não se deixar influenciar pelo negativismo,
estar disposto para as coisas boas, não deixando porém de estar consciente da
realidade que o cerca.
Fora dito que
a corrida provoca bem estar, e num supremo intento, provocado por nossas
discussões defini minha opinião sobre o que julgo ser bem estar, não sei se o
senhor ou a senhora leitor (-a) compartilham da mesma idéia que o escritor, do
contrário há liberdade total em criarem suas próprias divagações à respeito do
assunto. Um estado mental receptivo ao bem; de forma mais resumida e/ou
compacta está dito e proscrito. O incrível é que este estado de estar não é
restrito somente ao momento da corrida senão que perdura pelo dia inteiro até o
cair da noite. É crucial perceber que não se trata simplesmente de bem estar
físico, mas emocional, pois da mesma forma que o corredor têm um controle sobre
seu corpo ele passa a ter controle sobre suas emoções, tudo isto graças às
mudanças ocorridas em seu plasma. Quê tipos de mudanças são estes? Há produção
ou dispêndio de plasma durante a atividade física de longa duração? Segundo à
lógica concluiríamos que ocorre durante uma produção de plasma, para que este ficando
de alguma forma mais ativo possa influencias de maneira mais acentuada nos
estados mentais, para depois ser gasto. É possível gastar o plasma ou ele é
somente um veículo de transmissão? Neste último caso o que haveria durante a
corrida não seria a produção senão a organização do plasma para que fluísse o
bem estar posteriormente. Como uma linha de telefone que tivesse de ser
remendada para que este funcionasse devidamente.
Incitei, de
maneira bastante peculiar um tema relacionado à poderes psíquicos do homem, não
obstante a religião abarca um conglomerado tão vasto quanto a quantidade de
grãos numa grande plantação de trigo.
A religião,
durante a Idade Média adquiriu caráter de grande importância, sendo a base de
um modo de pensar e viver. Hoje em dia a sociedade em geral não vive uma fé tão
intensa como nos idos de 400 D.C. e 1.400 D.C., o advento da ciência trouxe por
certo um poderio maior que o de Deus transformando o crédito que a humanidade
depositou na religiosidade em mera obrigação. Isto é uma breve comparação de
uma época passada com nosso presente, que nos dá parcas noções de como a crença
muda de aspectos no decorrer do desenvolvimento do mundo. Mas que raios de
desenvolvimento é este? Acaso seria o tecnológico? Médico? Social? Ideológico?
Num panorama geral podemos dizer que ( ainda que este compêndio seja produzido
através de especulações e sugestões ) a grande responsável é a tecnologia. Pois
hoje recorremos à prece na última das instâncias, sempre quando não há mais
nenhuma solução para o pior dos problemas. É
ainda interessante notar que a prece é utilizada sempre para melhorar
problemas e nunca para agradecer soluções conquistadas ou para cantar louvores
e osanas, isto é mais que sinal de uma degradação de uma suposta concepção
filosófica de Deus e da realidade submetida ao mundo espiritual.
A concepção de
um ou muitos Deuses no mundo sempre fora adotada pelo homem. Será uma
conseqüência inconsciente da incapacidade que os humanos possuem diante de
muitos problemas? Sendo ou não sendo esta protuberância psíquica a “Religião” é
uma estruturação de diversos estudos que o homem fez através dos tempos, que
por certo têm em seu conteúdo abrangente
matérias relacionadas com a metafísica da realidade Divina, humana e
inanimada como também direcionamentos de conduta moral diante da sociedade, variando
de modo de acordo com cada religião. A religião no entanto não é dotada apenas
de estudos como também de prática, e é somente na prática que encontra-se a
verdadeira religião.
É viável que
neste momento eu possa desviar-me brevemente do assunto principal sem deixar de
lado ainda o método de pensamento que estamos utilizando... Nossos estudos adentrara-se num tema
metafísico de imprescindível importância, pois conhecemos a realidade ( ?
) e para entendermos ela devemos
interpretar-la. O recurso utilizado para interpretar a realidade é a linguagem.
Assim é lógico imaginarmos que não conhecemos a realidade de maneira direta,
mas sim através de um veículo de interpretação, os músicos, por exemplo, quando exteriorizam através de sua arte o
entendimento de suas realidades põem em pauta um outro veículo de
interpretação que em hipótese alguma se
assemelha à linguagem, ou mesmo pode até se assemelhar no que se refere à
mesquinhez com que logra transmitir algo da realidade propriamente dita. Um
grande problema pelo qual nos deparamos é que vivenciar sem interpretar é não
vivenciar segundo o ponto de vista humano, os animais não interpretam o que
vivem, vivem por viver cada momento, mas nós não: queremos dar motivos à tudo o
que fazemos, neste aspecto ( o aspecto essencial ) os animais são mais
evoluídos que nós, pois assim são os únicos que conhecem a realidade pela
realidade.
Adaptemos
então à corrida a idéia antecedente: Quê é conhecer a realidade? Qual o modo
mais sublime e perfeito de conhecermos a realidade? Desenvolver temas e fazer
um processo dialético infindável? É de se convir que a linguagem é um meio de
interpretação e não o fim propriamente dito, assim, queira sim ou queira não o
único modo de se conhecer a realidade é vivenciando-a, ainda que teimemos em
querer interpretar o que vivemos e colocar tudo no âmbito de letras, notas e
cores.
Assim, o
significado de um movimento é o próprio movimento e nada mais, a realidade do homem é o corpo que se
movimenta e nada mais. Julgo que esta afirmação tenha surtido suficientemente
digna para concatenarmos a idéia de que o nível máximo que um ser pode ter de
contato com a realidade se apresenta quando ele entra em contato direto com a
realidade do mundo em sujeitar-se a interpretações da realidade, o meio de
expressão representa a tentativa de transmitir o que foi vivenciado, o próprio
sentimento é um meio de expressão, e os meios de expressões são fugazes cópias
em preto e branco da realidade, é por isto justamente que há o termo “santa
indiferença” entre os católicos, pois o homem santo deve unir-se à realidade
divina sem ousar interpretações. Chegamos então à um ponto mais elevado de
discussão, um momento em que a corrida não precisa de motivos, explicações ou
fundos ideológicos, corre-se apenas por correr e nada mais, apenas para
vivenciar e entrar em contato com a realidade.
A religião é
um tema por demais abrangente, a começar pela vasta quantidade de religiões
existentes no mundo, julgo de suma importância referir que quando delimitamos
este tema somente à esfera ocidental muito se perde em filosofia, já que o
oriente possui concepções teológicas bastante ricas.
No universo
tudo é harmonia, desde a mais ínfima flor até o complexo sistema solar em que
vivemos, com suas leis de atração. Assim é de se supor que Deus fez as coisas
visando um equilíbrio, um bem por assim dizer. Assim Deus é bondoso, pois do
contrario haveria feito um universo, um mundo não harmonioso. Uma idéia que em
muito me desagrada é a de Deus estar distante do homem, as palavras e frases
que dizemos no dia a dia sempre têm uma interpretação bastante importante,
mesmo quando proferimos distraidamente pois o inconsciente libera algumas
brechas ao consciente, sendo assim as expressões mas simples das religiões
devem sempre ser interpretadas com laboriosas discussões, para que possamos
entender com clareza a metafísica da realidade.
É interessante
notar que a criação do mundo foi feita por Deus. No entanto, a pergunta que
comumente se faz é: Quem é Deus? Ou mesmo: O quê é Deus? O que é o mesmo que
dizer: Como foi criado o universo? São perguntas que nos levam em seguida a
pensar quem somos nós próprios e onde vivemos. Cada concepção revelará
resultados diferentes, e trará interpretações diferentes às coisas mundanas. O
que infelizmente acontece na maior parte da sociedade é que as pessoas, muitas
vezes mesmo tendo uma religião específica, e freqüentando esta de maneira
regular não cogitam o real impacto que têm a crença num determinado fato ou
idéia religiosa. É impressionante o a leveza das revelações espirituais na vida
das pessoas quando na verdade deveriam ser idéias tão pesadas quanto três
montanhas juntas, no que se refere à influência ideológica e existencial a
religião deve ter um peso preponderante na vida de qualquer um que tenha a presteza de levar suas crenças,
idéias e visões à sério.
Tentarei aqui
desenvolver um pouco mais as idéias anteriores de maneira a deixa-las o mãos
claro possível: sir Isaac Newton revelou-nos de maneira extraordinária novas
leis da física, não conheço com exatidão as fórmulas que este cavalheiro
compôs, mas com um pouco de discernimento sou induzido a concordar que fazem
sentido e assim as aplico à minha vida, de maneira que sempre que ver uma pedra
caindo ou uma maré subindo relacionarei com suas leis e não ficarei tão
abismado quanto ficaria se não soubesse destas fórmulas. Assim, estas são
informações teóricas que aplico à minha vida, não porque quero ou não mas
simplesmente porque fui induzido racionalmente às mesmas conclusões que ele
quando o estudo.
Da mesma
forma, se sou adepto de determinada religião, supõem-se que acredito tudo
aquilo que ela prega, ou ao menos alguma parte, e que, sendo assim aplico
aquilo que acredito à minha vida de modo que a experiência sensível ( relativa
aos sentidos ) que tenho do mundo será suscetível à uma interpretação
específica, sempre mediante àquilo em que acredito, da mesma maneira que
acontecia ao lembrar-me sempre das leis de Newtom ao ver a maré subindo.
Entretanto,
fazendo uma análise sincera da sociedade em geral, não noto sequer a ínfima
influência de idéias religiosas nas pessoas. Assim conclui-se de modo lógico
que as pessoas, não aplicando a religião à suas vidas nada mais fazem que
simplesmente “bater cartão”na igreja, ou melhor dizendo: apenas comparecem ali
por uma questão de presença física, mas não ideológica e espiritual.
Este é um
problema bastante pertinente a discutirmos, pois na verdade o ser humano tende
a simplificar em demasia o conhecimento de sua realidade, e, neste processo,
acaba por extirpar de sua vida a metafísica religiosa já que a base inicial da
humanidade é a física e suas necessidades prementes são a sobrevivência através
do trabalho. Este processo de simplificação rege um pensamento mono articular
que faz com que pensemos que a realidade é unicamente física, assim, por mais
que qualquer religião diga, com laboriosas dialéticas ou mesmo com processos
mais incisivos de conversão ideológica, que Deus foi quem criou o mundo ou que
os sonhos são viagens espirituais com corpos astrais, nossos processos de
simplificação da realidade são tão primitivos que não conseguimos de forma
alguma aplicar as filosofias mais complexas à nossas vidas. Em real é uma
falsidade dizer que se é adepto de determinada religião sem que realmente se
aplique suas idéias à vida.
O ser humano é
então, diante de Deus o mesmo que o cachorro ou o macaco diante do homem.
Morremos de rir quando notamos que um cachorro não têm consciência de sua
ingenuidade, ignorância e até burrice. Ao contrário disto, Deus que é
harmonioso e bondoso, não caçoa de nós mas simplesmente vê o quão distantes
estamos da realidade maior.
O corredor
está então, quando crente nas verdades divinas, totalmente submetido à
realidade na qual está inserido. Ainda importante frisar o quão valoroso é o
contexto da moral religiosa. Muitos dizem que vivemos em uma sociedade
deturpada e perdida, inserida totalmente na violência e marginalidade, não
obstante julgo como idéias exacerbadas que há uma ênfase exagerada por parte da
mídia concernente à estes aspectos, a religião traz há muito tempo o ideal de paz
entre os povos e as pessoas, o que é o que de melhor poderia acontecer à toda a
humanidade, no entanto até isto deve ser submetido à interpretação. Quê diriam
os senhores leitores que é paz? Quê é bondade? Quê poderíamos dizer daquele que
rouba ou mata apenas por fome ou sobrevivência? As idéias religiosas só
poderiam se efetivar totalmente quanto a parte da sociedade que não é religiosa
aderir à elas, para isto teríamos que reformular o sistema econômico em que
vivemos, criando talvez uma sociedade socialista onde os valores monetários
pudessem ser distribuídos igualmente, eliminando a parte física do problema, a
parte espiritual deveria ser trabalhada num contexto ideológico, pregando tudo
aquilo que se prega nas religiões, e de infelizmente maneira escassa as idéias
humanas.
É evidente que
a maneira de pensar da sociedade é influenciada pelo sistema econômico em que
vivem, por certo o meio capitalista traz uma sede insaciável por bens
materiais, o que é contra as idéias espirituais de jejum, abstinência sexual e
irmandade pó exemplo, isto nos dá uma clara noção dos motivos que levaram as
pessoas a pensarem como pensam, e a serem como são. A liberdade por certo é um
conceito bastante relativos, porque se tivéssemos nascido em lugares com
sistemas econômicos diferentes estaríamos com idéias e noções religiosas
diferentes ( não só religiosas claro ) assim isto é por certo uma privação de
liberdade, e das liberdades esta é a maior liberdade que existe: a liberdade de
pensamento.
Muitos não
fazem questão de difundir idéias inovadoras aos outros, pois do próprio
contexto ideológico em que estão inserido extraem vantagens, os que estão sendo
ludibriados não podem simplesmente ficar parados, senão começar um progresso
através das ferramentas que dispõem.
Por tudo isto,
até hoje, as idéias religiosas não foram de maneira efetiva inseridas à
sociedade, caso isto ocorresse, uns poucos com muito poder financeiro e
ideológico teriam de dividir isto com o grande contingente da humanidade. É
possível ainda que no papel ( Leis ) Haja algo semelhante à idéias de Deus, não
obstante há outros papéis, subterfúgios, assinaturas e entre caminhos que fazem
uma sociedade desigual.
A solução
para esta problemática está supostamente no desenvolvimento moral da sociedade,
proveniente tanto de idéias religiosas como das humanas desenvolvidas através
de muitos séculos. O poema Chaves de luz ( Consulte o capitulo 34 – Espargir de novas idéias
) retrata de maneira bastante atraente uma metáfora concernente às idéias aqui
desenvolvidas, pois o que é feito com o conhecimento é o mesmo que é feito com
o lado escuro da lua, simplesmente oculta-se para vantagens específicas.
C - Sobre a
interpretação sensorial do mundo:
O aprendiz e o virtuoso sensitivo:
Os caminhos verdadeiros estão na essência
Não se deixai ludibriar pela vida aparente
No silêncio da alma e da própria tristeza
Emerge a alegria
Pois tudo que é brusco e que acontece de repente
É falso
Quereis algo mais verdadeiro que a tristeza?
Algo mais espirituoso que a lágrima?
Os caminhos verdadeiros estão no silêncio da tristeza
Na letargia da arte
No antagonismo da loucura
Na força descomunal do virtuosismo
Os caminhos verdadeiros estão na lágrima humana
Gotas dos divinos céus
Força poderosa irresistível
Pobres daqueles que não percebem
Que quem rege a vida é o próprio inconsciente
E não este consciente perdido e minúsculo
As novidades são promissoras
Contanto que a pessoa tenha a sutileza da percepção
Pés firmes à terra
A arte é a vida que nunca poderá morrer
Distante e próxima de tudo
Os sentidos
realmente enviam estímulos ao espírito, libertando-o de uma letargia nefasta à
vida, letargia de paralisação, por isto digo-vos que é através dos sentidos
que chegamos à Deus. Haveria por certo um nível superior aos sentidos que
seria a própria interpretação dos sentidos ( visão, tato, olfato, paladar e
audição ), assim, quando o vento resvala, a pele sente e os pensamentos
interpretam o que foi sentido como algo sagrado, e assim o pensamento eleva-se
à um patamar espiritual. É evidente, que há uma diferenciação nos sentidos que
são “enviados e captados” pela pessoa, já que podem ser mais ou menos
complexos, tal como uma música clássica, ou mesmo os cabelos de ouro de uma
donzela, os estímulos mais complexos tendem a proporcionar uma
vivacidade, uma inflamação, um “efeito de elevação do espírito” maior naquele
que os interpreta, enquanto que os estímulos sensíveis simples tendem a
não provocar esta onda de virtuosismo e elevação.
No entanto
estes conceitos ainda são relativos, já que como os estímulos sensoriais são
suscetíveis à interpretação há considerável dependência de conceitos,
valores e idéias internos naquele que interpreta, assim, pode ocorrer de um
estímulo sensorial simples tal como o rufar de um tambor distante, ou a beleza
das folhas de uma árvore tornarem um motivo suficiente forte para inflamar o
espírito daquele que vê ou ouve. Assim temos a seguinte disposição de fatos:
§
Estímulos sensoriais complexos – A
composição de uma sinfonia, uma exposição de esculturas renascentistas, um
livro sobre metafísica.
§
Estímulos sensoriais simples – Coisas
“pequenas” que nos ocorrem o dia a dia, pinturas mais abstratas que realistas.
Assim esta
coisa aparentemente pequenina transforma-se em algo grandioso e sagrado ao
intérprete. Ocorre também que as pessoas interpretam de diferentes maneiras
os mesmos estímulos, isto pode ser motivo de muitos casos de
desentendimentos e discussão, mas também de estupefação e surpresa. Por isto
também a concepção estética de belo e agradável é variável de indivíduo para
indivíduo, assim, os estímulos do mundo possuem tantos sentidos quanto existem
pessoas para interpreta-los.
Um fato que
acontece é o desenvolvimento da interpretação de estímulos sensoriais,
no início o indivíduo não dá muita importância aos detalhes ( estímulos simples
), na medida em que convive com os estímulos, aprende a entender os complexos (
cultura complexa ) automaticamente quando têm a percepção dos estímulos
simples, passa à dar à eles outro significado, supostamente um significado mais
elevado.
Assim como
percebe o mundo através de seus estímulos sensoriais, percebe as pessoas, e,
com o desenvolvimento de sua capacidade perceptiva ou: “sensibilidade
do espírito” passa a perceber detalhes nas pessoas; Detalhes estes que
passam despercebidos às próprias pessoas que se julgam portadoras do
conhecimento de si mesmas. Estes detalhes podem ser transcritos em uma lista de
exemplo, entretanto um fato que ocorre, muito diferente do conhecimento
construído pela razão é que a “sensibilidade do espírito” é embasada não em
linhas de atuação específicas, racionais e intelectivas, mas sim uma atuação
intuitiva.
Estes detalhes
que são exalados pelas pessoas podem estar desde uma palavra específica que ela
proferiu em um discurso, uma atitude que ela tomou ou mesmo num pequeno
movimento involuntário ( voluntário na inconsciência ) de seus olhos.
Em geral a
capacidade perceptiva de um sensitivo é de maior envergadura (
colocamos aqui como sensitivo a pessoa que desenvolveu através de um processo
educativo a capacidade de percepção dos estímulos sensoriais simples de
forma complexa. ), tudo no mundo tem um sentido diferente do que se
assemelha quando analisado numa primeira instância de maneira rápida, frugal,
despreocupada e informal.
Para
simplificar temos ESC para Estímulo Sensorial Complexo, e, respectivamente ESS
para Estímulo Sensorial Simples, vamos agora ver um fácil entendimento do
problema de interpretação por cada uma das partes:
SENSITIVO
ESC Consegue
assimilar de maneira global o sentido e a mensagem.
ESS O ESS se
transforma em algo com um contexto complexo ( a arte exclusivamente
abstrata por exemplo ), podendo
ultrapassar o ESC em inflamação do espírito.
APRENDIZ
ESC Tem dificuldade em assimilar o complexo
ESS Entende
melhor aquilo que é simples
A diferença
entre o aprendiz ( que está colocado como a pessoa que precisa de um
desenvolvimento educacional para a “cultura complexa” ) e o sensitivo é que o
sensitivo transforma os ESS não em ESC pois isto é impossível, mas em idéias,
sentimentos e percepções mentais complexas de modo que consiga ter o espírito
inflamado com apenas um detalhe (
aparentemente um detalhe ), enquanto o aprendiz, com sua visão limitada,
não consegue entender os estímulos complexos e os relega à um segundo plano, e
dá valor diferente aos ESS do que é dado pelo sensitivo.
Tudo isto é
bastante visível quando notamos que há muita gente que vive fazendo
brincadeiras, e mesmo segundo determinado ângulo seja de grande comicidade sob
outro prisma não há a menos graça. Assim o sensitivo se torna indiferente à
muitos aspectos da vida, o aprendiz, por este motivo, interpreta o próprio
sensitivo como uma pessoa estranha, séria e sem graça, do mesmo modo que o
virtuoso sensitivo julga o aprendiz como ingênuo desconhecedor de realidades
maiores.
Esta
indiferença do sensitivo nada mais é que a não complexidade pela erraticidade
mundana, a não participação no erro do aprendiz. Pois o sensitivo não é
mundano, mas já tem uma ascensão cultural, uma sabedoria além do comum, por
seus contínuos esforços. ( aliás: aquele que não se esforça não se torna
sensitivo ), e principalmente por sua
moral elevada e correta é um homem de valores transcendentais, vê o que é
oculto à muitos, percebe nuances que poucos perceberiam, nota detalhes de
difícil acesso.
Finalmente
chegamos ao maratonista, este é por excelência o maior exemplo do esforço,
dedicação e vontade, o que condiz com um movimento de espírito grande; O
maratonista nota detalhes de seu corpo que não corredores ou até mesmo
corredores de distâncias mais curtas não percebem, é evidente que estas
percepções não se restringem ao âmbito corpóreo mas se alastram aos aspectos
psíquicos como capacidade de concentração ( que é ampliada ), aliás, existe uma
diferença entre concentração e introversão. Concentração é a capacidade
de concentrar-se em algo que está fora da mente ( como o percurso, as passadas,
as dores do corpo ou o ritmo ), enquanto que introversão é a capacidade
de ampliar de desenvolver idéias, imaginações e divagações dentro da própria
mente. Tanto uma quanto a outra ajudam o corredor, sendo que cada momento
requer um necessidade específica. Em geral o religioso, aquele que ora com fé e
devoção têm as duas capacidades desenvolvidas, pois as imaginações se propagam
em sua mente de maneira espantosa, em geral ele se concentra na visão de um
objeto devocional específico ou na própria oração que profere, recebendo de si
mesmo um ESS auditivo, que por repetição pode facilitar a interpretação
complexa do simples, da qual havíamos falado antes.
Agora proponho
uma pergunta: O corredor religioso é mais sensitivo que o não religioso?
Conforme citado, caso o indivíduo seja um religioso de verdade e não apenas na
aparência, ele dá à vida um valor diferente do que os outros ( ateus ou
descrentes ) dão, um valor que respectivamente transcende a “percepção dos
sentidos humanos”, pois estes são insuficientes para a adoção das idéias e
realidades divinas. Assim, os religiosos devem recorrer ao campo das idéias, da
devoção e ao campo da intuição, que são ( os dois últimos ) aspectos que o
sistema econômico-ideológico ocidental atual suprime no potencial humano. Para
concluir de maneira suscinta esta idéia temos a seguinte ordem de ascenção:
Percepção dos sentidos humanos = Interpretação racional da realidade
Percepção
sensitiva = Idéias, Intuição,
Devoção - - DEUS
O corredor
religioso, é por isto, mais criativo que
o ateu, com isto interpreta de maneira mas espontânea as situações que exigem
improviso e criação, como um filósofo, ( aliás, a religião têm muitas vezes um
contexto dogmático, ideológio e filosófico forte ) têm uma capacidade de
abstração da realidade para além do comum, pois isto é o mínimo que a religião
exige, então ocorre um processo de internalização da realidade propriamente
dita ao mundo das idéias, a realidade é submetida ao julgamento da consciência
espiritual. ( dotada de idéias, experiências e criações mentais ) Forma-se
assim uma nova realidade:
Realidade –
Mente e consciência espiritual – Nova Realidade
Sentidos –
Interpretação Sagrada – Sentimentos – Movimento do espírito
Infelizmente, hoje em dia, os valores religiosos estão distantes da
sociedade, mas a sociedade não pode se deixar influenciar por valores meramente
pragmáticos e totalmente funcionais, mas deve aos poucos procurar entender que
existem modos diferentes de entender o mundo que fogem ao entendimento racional
das coisas. A religiosidade é uma maneira de entender o mundo que abarca em si
filosofias de explicação do início do mundo e do motivo existencial, tanto do
mundo quanto de nós mesmos, poderíamos dizer que a religião é uma filosofia
existencial. Muitos acreditam que as religiões são extensões da psique humana
no sentido de colocar suas frustrações em um ideal desejado, respectivamente de
paz e realização. Ou seja: um resultado psíquico das frustrações da vivência
humana.
No entanto
esta explicação pessimista para a criação das religiões não interessa ao
religioso, pois este vê o mundo sob outra perspectiva, e mesmo que esta
escandalosa teoria seja colocada em pauta não tira de maneira alguma o mérito
funcional das religiões, de anfitriãs da melhor maneira de viver que há no
mundo, pois após explicar o mundo é desenvolvida e consolidada uma maneira de
viver específica, mediante a definição de um objetivo. É como saber o que é um
gorro de inverno, e após descobrir que serve para protege-se do frio passar a
utiliza-lo segundo sua utilidade, assim é a vida, após sabermos o que é ela,
utilizamos ela da maneira correta.
D - Síntese sobre a
realização humana
Pensar em Deus
nos faz pensar no destino humano, porque Deus e suas noções constitui um
sistema de realidade específico, descobrindo este sistema logo nota-se que há
uma postura específica diante dele, que leva evidentemente à algum destino,
este que por certo não constitui um caos, pois o caos não é sistemático e
portanto não é Deus. Qual é no entanto a nevrálgica essência do viver mundano?
Qual é a realização que torna o homem completo enquanto ser?
As coisas,
consideradas por nas boas, que conseguimos em nossas vidas nos trazem alegria.
O ser humano é de tal modo dotado dum sentimento de sobrevivência que até a
esperança pode lhe trazer um laivo de alegria. Quê é a esperança senão uma
suposição fugidia duma probabilidade remota de que algo ocorra?
A única coisa
que em real nos traz um sentimento de realização é aquela que foi com bastante
antecipação programada por nos, que por certo tempo ficamos ansiosos para que
ela ocorresse. Um dos grandes segredos das maratonas, e em menor intensidades
em competições de menores distâncias é que se justificam justamente por este
processo de que estamos falando, e se utilizam cabalmente da especificidade de
expectativa da mente humana. É por certo um grande evento que possui uma série
de recursos que influenciam, por sua vez, na emotividade humana, e ainda, pelo
fato de se tratar de algo de grande dificuldade, um novo fator se acrescenta:
superação, e uma das características da realização humana enquanto experiência
é a de superar determinada dificuldade.
A alegria e a
tristeza são provindas meramente da quantidade de expectativa que fora posto
diante de determinada situação, evento ou objeto. Aquele que não espera nada
conseguir de uma maratona, e a corre apenas por divertimento
descompromissado provavelmente não
ficará triste se acaso vier a obter um resultado péssimo, do contrário se o
corredor coloca um excesso de expectativas positivas num resultado, antes de
obtê-lo e se prostra na realidade diante de um péssimo resultado certamente não
só ficará abismado como muito triste. A realização humana, portanto,
está intimamente relacionada com o nível de expectativa colocada no
empreendimento, é evidente também que se acaso é colocada muita expectativa
positiva num evento e este é bem findado ocorre que a realização será tão
grande quanto foi a expectativa.
O errado no
entanto é colocar as mais gloriosas bênçãos numa maratona que foi destituída de
treino, isto é o exemplo de que os corredores devem ter um mínimo de
discernimento em suas ações, não adianta achar que mesmo sem treino haverá um
resultado otimizado.
Tornar-se
completo enquanto ser humano é saber qual a quantidade de expectativas correta
que devemos colocar num evento, sabendo o que fora aplicado até então para que
este evento seja realizado. Isto é o exemplo do bom discernimento. Na realidade
muitas realizações podem tornar o homem completo enquanto ser, j’que as
expectativas que as pessoas colocam nas coisas estão em diferentes níveis para
coisas diferentes, o fato é que o homem nunca cansa de buscar, enquanto vive
busca algo. O homem busca algo, este algo pode ser definido como felicidade, a
felicidade, por sua vez, só é provinda mediante uma realização que demanda a
expectativa e o bom senso.Nos deparamos com o seguinte panorama:
Homem completo enquanto ser
HOMEM –
EXPECTATIVA – REALIZAÇÃO – FELICIDADE
Esta breve
sinopse demonstra claramente o processo de realização de eventos da vida
humana, estes eventos podem ser exemplificados como a ida à uma festa, um filme
específico assistido, uma formatura ou mesmo uma maratona. Todos estes devem
ser nestes momentos eventos importante ao ser que os vivencias, pois este
colocou o nível de expectativa correto nestes eventos, são eventos considerados
pelo sujeito como cerimoniais, com importância significativa em suas vidas, são
situações consideradas como passagens específicas de estados de estar, de uma
conotação específica passa-se à outra, deve haver este sentido de mudança e
transformação para que seja uma realização que realmente torne este personagem
da vida real um ser humano completo.
O homem não
pode viver somente de sonhos, somente de expectativas, deve também realizar
para ter a sensação de que houve uma concretização em suas cogitações, mesmo
que a sensação de realização seja provinda de uma simples situação. ( um
pórtico de chegada por exemplo ). Insisto em dizer que a maratona é o maior
modelo que pode haver para provocar no ser humano a sensação ou noção de
concretização de um ideal. Ela exige em geral dois ou três meses de treinos intensos
e dispendiosos, toda esta dedicação que vêm da parte de quem treina faz com que
se crie cada vez mais expectativa, o que doa ao evento uma gama de energia
incalculável, portanto, na medida em que passa o treino a expectativa aumenta e
o evento fica conseqüentemente cada vez mais importante, estes são em suma,
valores abstratos, emotivos e ideológicos que vão se transformando pouco a
pouco no pensamento do corredor. Acontece que a maneira pela qual entendemos o
mundo, e construímos por ele a interpretação da realidade é de exclusiva abstração,
por isto podemos dizer de maneira inegável que o evento fica cada vez mais
importante quanto mais passa o tempo.
A realização é
portanto a raiz das vivências humanas que faz o ser sentir-se completo, vamos
no entanto complicar um pouco mais: podemos dividir as realizações em
grandes ou pequenas, conforme tanto o seu tamanho como o nível de energia
psíquica que aplicamos nesta realização. Assim um simples abraço, olhar ou
beija pode ter uma conotação de estupenda importância, enquanto que uma
maratona de 42.195 metros pode ser corrida sem que seja dada qualquer
importância psíquica. Onde o ser humano deve então procurara a realização para
chegar à felicidade? As bases deste problema são maleáveis porque são
psicológicas, tudo culmina no fator chamado nível de importância,
dividiremos em dois para simplificar e exemplificar:
NÍVEL DE
IMPORTÂNCIA ALTO X NÍVEL DE IMPORTÂNCIA ESCASSO
Inserem-se aí
mais dois termos que se relacionarão com os dois primeiros:
REALIZAÇÕES
GRANDES X REALIZAÇÕES PEQUENAS
Supostamente
notamos que numa co-relação destes quatro termos podemos encontrar um sujeito
que realize um evento de grande escala sem dar quaisquer importâncias, enquanto
outro que executa algo pequeno dando uma super importância. Tudo se relaciona
com as características psicológicas dos sujeitos em questão, e com os valores
que são dados por eles a cada uma das coisas. Podemos nos deparar com um homem
completo enquanto ser numa realização pequena que numa grande pois tudo se
passa num âmbito psicológico, daí provém a afirmação conveniente neste caso de
que a realidade só é válida na mente, tudo apenas pelo motivo de que a
realização é psicológica e não física em si, pois se fosse física o homem só se
tornaria completo quando submetidos aos mais altos níveis de suplicio como
maratonas ou situações penosas como a guerra.
No entanto,
deve haver alguma ressalva como há em todos os assuntos, aliás devemos sempre
assinalar possíveis contradições para melhor definir o tema e evitar
esquecimentos. Como eu dizia: No entanto se acaso o homem sente-se cômodo de
tal maneira que não procure se movimentar, não encontrará a realização e
tampouco a felicidade, pois a felicidade só provém da realização, este verbo
por sua vez exige movimento, mudança de estados como citado anteriormente. Este
é o caso análogo e retrógrado da não realização, que é repudiado com unhas e
garras por uma sociedade de produção e capital, donde estar parado é pior que
estar morto pois supõe-se que haveriam forças para labutar.
Então nos
perguntamos: de onde realmente vêm a felicidade? E acima de tudo: O quê é a
felicidade? E talvez: Qual a importância da felicidade? Até agora nos referimos
à felicidade como um estado sublime de êxtase provindo duma realização,
portanto de um ato específico. Mas ainda não cogitou-se se acaso a felicidade
possa ter outra origem, ou mesmo origem na inatividade.
A cultura
oriental, especificamente da Índia dá um valor muito grande à não atividade,
chegar à realização transcendente através do encontro de um silêncio interior,
não há necessidade de realizações heróicas ou de atuações que transformem o
mundo, pois a realidade do mundo em essência sempre será a mesma e as mudanças
são apenas ilusões criadas pela vontade humana, assim: Para que viver num mundo
de ilusões transitórias se o objetivo final é o silêncio? Nesta visão quanto
antes o homem descobre que vive uma ilusão melhor, o que não desvirtua o lado
humano da concepção do real, apenas é uma visão totalmente distinta, que retira
do mundo a necessidade de histórias heróicas, cheia de detalhes que
intensificam suas características marcantes, a personificação e dão à estas
histórias uma personalidade distinta.
A
personalidade é uma característica que diferencia uma pessoa de outra, é o que
faz algo ser distinto de muitos outros, mesmo que sejam similares. Podemos
medir a personalidade de uma pessoa através de suas reações à determinados
estímulos ou mesmo por sua maneira de pensar e agir no mundo que a cerca.
Assim, as pessoas reagem aos estímulos utilizando-se de toda a bagagem moral,
intelectual e cultural que possuem. Vejam que de maneira precisa podemos
concluir que a cultura influencia sobre a personalidade de uma pessoa, pois a
cultura está relacionada com a formação de valores desta pessoa. Assim, pode-se
distinguir que cada Nação distinta possui uma personalidade específica.
Por quê a
discussão recaiu tanto sobre personalidade? Anteriormente era dito que para que
o homem tivesse sua realização deveria passar pelo processo de: Homem / Expectativa / Realização /
Felicidade, que é um processo que envolve realização, realização nada mais
é que movimento e mudança que representa a caracterização específica das
situações, colocando à elas uma personalidade. O homem deve para chegar à Deus
intensificar sua personalidade, dar valor aos aspectos que o fazem diferente
dos outros homens, pois ele é aquele que conseguiu isto e aquilo e que é deste
modo específico. Não havendo esta caracterização minuciosa que a humanidade
ocidental dá à seus integrantes todos
seriam iguais, não haveria a valorização das ações, assim como ocorre na Índia,
e a ascensão à Deus pode ser feita através de um silêncio total, pois o mundo é
uma extrapolação da própria vontade humana.
Durante uma
prova de maratona acontece um processo muito pertinente, e que têm muita
relação com nossas discussões teológicas. Cada corredor é apenas mais um dentro
de um grande contingente, perde sua personificação, e faz o que todos fazem o
que é a mesma coisa que deixar de fazer. Se todos correm é como se estivessem
parados, se comparamos, entretanto, com os espectadores, o corredor têm uma
ação efetiva, e realiza uma façanha, só é façanha porque não é realizada pelos
outros, pois do contrário façanha seria ficar parado, assim temos que façanha
ou ação é tudo aquilo que é diferente ou movimento. Podemos colocar
todos estes termos como sinônimos, enfatizando que mesmo o ficar parado pode
ser uma ação, contanto que seja diferente do resto. Se todos ficam parados
ocorre despersonificação, se somente um está parado este estado passa a ser
personificação.
Jesus diz que
todos são iguais, no entanto para ser igual é necessário destituir os humanos
da personalidade, e isto é medonho à qualquer um, pois a personalidade é como
se fosse a própria vida, se fossemos todos iguais não seriamos mais
caracterizados, e o Eu não seria eu e se perderia num grande todo. Os Brâmanes indianos já
deram um fim à esta problemática aceitando o universo como um todo.
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