Cap. 25 – A nobre arte de correr.
Apresentação da corrida:
Como verdadeira e
nobre arte
Apresento a corrida
como amiga
Como belo estandarte
Num prisma que
instiga
Pensamentos e
emoções que dessarte
Mexem com a alma e a
irriga
Tendo
terminado o capítulo anterior com considerações deveras insultuosas para com o
antro das falsidades ideológicas e sentimentais inicio este com boas novas.
Pois o título o qual já inserido parece bastante agradável ao olhos e ao
coração. Pois nobre porque é inspiradora e arte porque é bela.
Vamos nos ater
à seguinte descrição:
“Eram dias muito alegres, e todos os dias
estava eu numa corrida através de sendeiros e matas naturais, pois que poderia
mais querer senão isto? Era certo que há tempos havia planejado de certa
maneira um treino longo, tratava-se de um grande desafio que me impus. Nestes
tempos estava eu na cidade de Campos do Jordão a qual faço referência com
grande respeito, pois a venero de forma quase que mágica. Certamente vejo esta
cidade de um ângulo bastante divergente que os milhes de turistas que ali vão
para comprar e aproveitar-se do frio, pois estando eu neste suposto dia peguei
uma pochete e coloquei dentro desta o mapa da cidade pois haveria de percorrer
longo trajeto antes de chegar à dita Pedra do Baú, que ficava cerca de 34
quilômetros do ponto em que me encontrava. Uma verdadeira aventura digna de
muitos comentários à parte, saí então numa bela manhã através de uma estrada de
terra, logo chegando à parte já asfaltada, e com extrema vislumbramento
contemplei determinada paisagem que me regalava a natureza. Assim olhava eu ao
longe a Pedra do Baú, que era o ponto a que me destinava eu, parecia estar no
longínquo horizonte, prossegui firme e forte até chegar à cidade, passando pelo
centro me sentia muito bem, e consultando o mapa sem parar de correr me destinei
a outra estrada. Muito emocionante pelo fato de eu nada conhecer daquele lugar,
me sentia em uma verdadeira estrada de características européias, já que era
estreita e desempenhava sinuosas curvas. Muita preocupação com o caminho a
percorrer durante as bifurcações, e bastante apreensivo a ver o nome de hotéis
durante o transcurso, para certificar-me de aquele era o caminho correto.
Preocupações eram parte dos sentimentos e idéias, outra parte era o grande
prazer de estar me arriscando num ato quase que, se não realmente for, heróico.
Pois muito corri naquela estrada e nunca via aproximar-se de meu objetivo,
houveram certamente momentos em que via-me revoltado com este fato, parecia não
Ter fim, mas acreditei e fui bastante perseverante em minhas obstinações.
Considerei que aquele seria um dia bastante importante em minha vida, esta
idéia me ajudava a correr, repentinamente após uma das curvas da estrada
visualizei uma comunidade bastante pacata, de casas simples, feitas de madeira,
ruazinhas de terra e dependente de um comércio extrativista de madeira. Ainda
correndo, me dirigi ao lugarejo, parcialmente impressionado com um garoto de
seus 7 anos andando a cavalo pela rua de terra continuei correndo, deixando um
espaço em minha mente para uma comparação com crianças da mesma idade da cidade
grande que vivem enfurnadas em suas casas sem saber o que fazer quando não
estão diante de um aparelho eletrônico. Pois ainda correndo localizei o que
procurava: um bar! Foi com grande alegria que comprei um cacho de bananas de
num boteco bastante atrativo, com muitas bebidas e frutas, lugar simples, banco
de madeira, e que tinha bananas para vender. Pois foi fato de bastante
consideração para os circunstantes ver um indivíduo que chega correndo no
local. Devo certamente haver chamado a atenção já que aqueles feitos eram ou
são considerados anormais ali. Pois não me indignando com isso, após haver me
saciado com grande ardor, prossegui a corrida correndo ao meu destino: a Pedra
do Baú. Ao faltar 10 quilômetros para concluir a metade da corrida, ou seja:
chegar à pedra ocorreu que começou a escurecer, e sabendo eu que não havia
iluminação na estrada decidi retornar ao ponto de saída. Muito difícil, já que
uma das características daquela estrada é que não havia uma reta ou parte plana
sequer, somente subidas e descidas, o final foi realmente parte crucial,
terminando a empreitada senti-me vitorioso por haver feito tal coisa que poucos
seres conseguem fazer, tanto por falta de força física quanto mental.”
Vejam leitores a extraordinária
variedade de sentimentos que traspassa pela mente de um corredor durante seu
treinamento longo. Há sentimento de insegurança, pois o corredor não conhecendo
de forma prática o trajeto fica assuntado por poder estar errando o caminho. É
natural que ocorra isto quando corre-se em terreno desconhecido, pois todos
temos medo do desconhecido, seja lá qual a forma de interpretação do
desconhecido. Parece ser interessante as insinuações que o corredor faz dos
turistas da cidade, e podemos fazer uma relação disto com a visão que teve este
corredor quando penetrou na pacata e pobre comunidade. A verdade é que o
corredor conhece a comunidade local enquanto os turistas conhecem somente as
propagandas e atrativos, que não fazem parte dos costumes dos moradores da
cidade. Parece que estamos entrando em uma área de discussão bastante
interessante, que é o turismo, o que é realmente conhecer uma outra cidade?
Tirar fotos de tudo têm alguma significação? Pois entrando em um boteco simples
e tendo breves conversas com os circunstantes é um nível de contato com
habitantes locais bastante diferente que qualquer outro tipo, pois os próprios
habitantes ficam ou assustados ou interessados por pessoa que faz tal tipo de
loucura, e a corrida de fundo é realmente algo que impressiona a quem não está
acostumado a ver que pode o ser humano correr tão largas distâncias. Há uma
grande consideração por parte dos habitantes, que é demonstrada de diversas
formas, estas são:
A – Visual ( Ficar
olhando com olhos abertos como laranjas )
B – Vocal ( Gritos, grunhidos, incentivos breves e
outros )
C – Conversações (
Conversas com os habitantes )
D – Gestual (
Imitações através de gestos faciais ou físicos )
Pode um tipo
de expressão ser seguido de outro, e os mais eufóricos podem juntar todos de
uma só vez, com ausência da conversação, e exprimir todo o seu afeto e suas
considerações para com o corredor. Há corredores quê vêem isto como injúrias,
porém os mais simples e amenos de coração recebem todos com grande
simplicidade, e por assim dizer reconhecem que na verdade os intrusos são eles,
a situação diferente que ocorre naquela comunidade é devido à sua pessoa, e por
isso todos demonstram à eles estes procedimentos, do contrário não ocorreria
nada de espantoso ou digno de comentários, pois é somente quando um membro de
determinado grupo executa algo de diferente que isto chamará atenção provocando
as reações diferentes. Quando corre-se em um lugar em que esta é uma atividade
normal nada ocorrerá em relação à estas reações, a não ser quê você vá correr
com uma anilha de 10 quilos nos braços. Pois vemos com estas colocações que o
ser humano têm uma tendência de homogeneização de atividades. É condizente no
pensamento da sociedade que nos cerca que eu vá somente fazer tudo aquilo que
está dentro da normalidade, mas que é esta normalidade senão uma série de
preceitos que foram criados pela própria sociedade, esta homogeneização cria um
estado de estagnação já que a criação é fator precursor de inovações e
desenvolvimento. A velocidade de desenvolvimento cultural poderia ser muito
maior se o antro dos preceitos ou pré conceitos do ser humano não fosse tão
grande quanto é. O nexo deste pensamento está em ver como um corredor é
estagnado à uma atividade que foi desenvolvida pela sociedade que o cerca,
motivo este que faz com que achemos estranhos os costumes de outras sociedades.
Chegamos à conclusão de que não existe a normalidade.
Vemos o quanto
este corredor têm sentimentos de integração com a comunidade que o cerca, e
ele, por sua vez faz questão de demonstrar seus pensamentos em relação à isso,
comparando os costumes de sua sociedade de origem com a que se insere,
destacando o exemplo do garoto e os comentários relativos aos turistas. É
somente entrando em contato com habitante de um lugar que realmente conhece-se
uma cultura distinta. Há varias maneiras de conversar com uma pessoa, a
primeira é levando os seus próprios preceitos como base, a Segunda é
esquecendo-se disto, de certa forma limpando sua mente e tomar atitudes
contundentes, correr é uma atitude contundente, que expressa-se sem palavras.
Não difícil
encontrar atitudes escrachadas e mal intencionadas em relação àqueles que
assistem ao corredor, pois isto é falta de consideração pelo mesmo, creio que
nas pessoas simples haja uma atitude maior de respeito, enquanto outras pessoas
já querem escrachar e fazer picuinha do
corredor, muito ignorante estes, à vezes creio ser estas reações devida à
inveja, já que não são capazes o não se vêem capazes de tal decidem injuriar ao
corredor. Como dizia eu, me assemelha que as pessoas simples são muito
respeitadoras, parecem notar o esforço que está sendo despendido, pois no geral
estas mesmas pessoas despendem grandes esforços diariamente, fazendo esta
relação entre pessoas simples e atletas veríamos que há uma cumplicidade dos
esforços físicos e mentais que tanto um tipo quanto outro de pessoa fazem. Uma
analogia bastante condizente, já que a união faz a força, pois quê é a corrida
senão uma busca de forças físicas e psicológicas, e quê é a união senão o
sentimento de sociedade. Pois por isso sente-se o corredor de certa maneira
sócio daquela comunidade, ou o que diz ser membro.
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