22 – ALGUNS ASPÉCTOS OBSCUROS DA CORRIDA.
A tanto tempo que não me deparo com as
ditas descrição, que pensei por momentos que elas haviam sumido das folhas, mas
cá estão elas, com toda a veracidade proferida. Vejam por seus próprios olhos,
interessados leitores um acontecimento ( Descrição ) senão profano bastante
digno de posterior comentário, e julguem pelas suas próprias razões se este
capítulo realmente merece o nome recebido, pois se não for assim retiro estas
palavras introdutórias assim como o título do ante dito capítulo....
“Fim de semana, e
finalmente uma idéia que surgiu em nossas mentes. Eu e um grande amigo
decidimos fazer um treinamento bastante interessante, pois lá estávamos na
cidade em que seria feito o treinamento, e, um dia antes pegamos o mapa da
cidade para analisar qual o trajeto. Na real o itinerário proposto era bastante
longo, tratava-se de um verdadeiro treino, e lá estávamos nós no outro dia: eu
correndo e ele pedalando ao meu lado num sol escaldante, ambiente de praia,
estrada. Foram-se os primeiros 20 quilômetros de corrida, quando em seguida
após breve descanso mais 60 quilômetros de bicicleta, e aí então já estávamos
espavoridos em nossos próprios atos, já que escurecia, não sabíamos a que horas
chegar, as pernas já não respondiam da forma devida, eu tornaria a correr mais
20 quilômetros e a pedalar ao meu lado, a escuridão na estrada se tornou plena
de modo que somente conseguíamos enxergar nada mais que 5 palmos diante do
nariz. Passavam poucos carros pela estrada, não havia meios de pegar carona, aos
lados da estrada havia uma densa floresta que já mostrava sinais de que os
animais noturnos despertavam ( Pareciam ser macacos, com sons estridentes e
outros graves ), havia um determinado medo de que pudesse passar uma cobra e
esta ser pisada, ou mesmo de um repentino buraco na estrada não ser enxergado.
Também possível era ser atropelado por um carro já que aquela estrada não
possuía quaisquer tipos de iluminação. Apesar da situação extremamente incômoda
fazíamos piadas e galhofas imitando macacos e rindo-nos de nossa própria
desgraça. Como se tudo isso não bastasse começou um temporal de descomunal
força, de modo que se não podíamos enxergar agora éramos então verdadeiros
cegos, ainda depois comecei a ter cãibras nas duas pernas faltando cerca de 14
quilômetros, começamos a revezar a bicicleta, era algo que realmente estava
parecendo impossível. Foi com grande alegria que chegamos vitoriosamente na
cidade, parecendo verdadeiros guerreiros, atravessando aquelas infindáveis
poças de água. Ao chegar constatei com grande assombro que a sola de meu pé
parecia estar desgrudada do mesmo, para meu reconforto vi que noutro dia havia
voltado à normalidade.”
Encontrar mais adversidade que as
anteriormente descritas parece ser bastante difícil senão impossível, tratou-se
realmente de um treinamento incrível já que poucos seres humanos de nossa
sociedade experimentam acontecimentos tão adversos. É uma sensação muito boa, a
de após haver feito exercício durante horas seguidas receber a noite e uma
grotesca chuva, você sente-se de certa forma um herói. Esta sensação provém da
adversidade encontrada, como que quanto mais adversidade maior é a sensação de
superação, não difícil encontramos pessoas que não enxergam limítes, procurando
esportes cada vez mais extenuantes. Tudo deve entretanto ser executado com o
devido discernimento, com a antecipação de procedimentos e com os treinamentos
antecedentes à um suposto treino mais longo.
Falamos aqui de alguns aspectos que
seriam considerados como obscuros no esporte, sobretudo na corrida. Creio
perfeitamente que baseados nas insinuações anteriores poderíamos afirmar que o
excesso realmente é uma obscuridade da alma e do corpo já que se trata de uma
imperfeição. A obscuridade pode provir de diversas causas, não necessariamente
trata-se de algo maligno, senão negativo. Há pessoas porém que se apegam de
tamanha maneira àquilo que fazem que não importam-se com as conseqüências, este
é justamente o caso do corredor inveterado que só pensa em correr e nada mais.
Há o provérbio que diz que tudo têm seu lado bom e o ruim, e isto se aplica
igualmente à corrida, veja que os atletas da citação acima passaram além de por
um treino extenuante por perigos diversos, o que veementemente não podemos
considerar como algo positivo, a menos que alguém sinta atração em morrer
atropelado em uma estrada em meio à uma tormentosa chuva.
Além de todos estes aspectos drásticos
ocorridos durante o treino, há o fato de que não houve, ao contrário do
procedimento correto, treinamentos antecedentes devidos, para que mais tarde,
na devida ordem de progresso houvesse o treino mais longo. Para concretizar
estes pensamentos quero citar uma aventura que fiz em determinado momento
através de mais uma descrição:
“Naquele dia certamente eu
estava bastante iluminado, se é que assim pode-se dizer, pois meus pensamentos
eram muito positivos em relação ao treino que se iria proceder, era uma manhã
bastante agradável quando já portando todos os complementos necessários, muita
banana e água, cheguei na borda da piscina de 50 metros, deixando-os ali e
fazendo os alongamentos. Por incrível que pareça eu não tinha grandes
pretensões, tudo surgiu com grande espontaneidade e naturalidade. O treino não
era por assim dizer algo inabalável e imutável, pelo contrario, era suscetível
às mudanças de todas as sortes que viessem a ocorrer. Comecei a nadar com a
mais pura inocência, sentindo que o ritmo estava muito bom, e me encontrava com
muita energia. Foram razoavelmente 6 quilômetros de crawl, quando
definitivamente decidi completar os 10.000 metros, pois havia uma certa
indignação por num momento anterior haver feito 8.000 pensando se tratar de
10.000, este fator era um dos que me levava a prosseguir neste mister. Neste contexto
meus pensamentos eram da mais pura força de vontade e uma mescla de alegria e
torpor. Quando tornava a nadar saindo da complementação nutritiva sentia
estranha tontura, talvez devida ao posicionamento horizontal do corpo, todos
sabiam o que queria fazer, não por ser exibicionista, aliás não me vejo como
um, mas dava-me este conhecimento maior ânimo. Logo um grande abatimento mental
apoderou-se de meu ser, claro que sei por experiência que no esporte de
resistência há fazes de baixa estima senão de desânimo perante a uma realidade
divergente, mas isto passa e de um momento para outro nos vemos quase como
perfeitos deuses. Pois foi isto que aconteceu, de forma momentânea eu achei que
tudo deveria acabar, mas noutro momento já me via mais forte. Curioso é saber
que isto se passa tanto mentalmente quanto fisicamente, pois a insuportável dor
parece desapareceu e ií que iria consegui realizar meu intento. Porém isto não
é tudo, pois meus planos não se restringiam tão somente a nadar 10 quilômetros,
mas sim prossegui fortemente uma jornada com uma corrida que até então não
sabia onde iria parar. Quando falo que tudo é espontâneo digo que não haviam
planos inteiramente definidos, somente sabia que queria correr uma larga
distância, não tinha por certo nenhuma previsão. Ao fazer a zona de troca para
colocar shorts, tênis e camiseta vi que estava numa espécie de loucura, pois os
pensamentos que tinha eram fixos como é uma estátua de bronze. De forma
contínua me sugeria: - Vamos! Você deve prossegui, ir para frente, continuar,
agora é a parte da corrida, não se importe com o que já passou, esqueça e viva
o agora. – Estes pensamentos seguiam numa cadência, sempre com o mesmo
significado. Assim comecei a correr, somente após três quilômetros me dei conta
de que estava correndo, vejo que o corpo se adapta gradativamente à corrida,
pois antes ficara demasiado tempo numa constante cadência de movimentos
específicos, se estes movimentos eram diferentes tanto ele quanto o cérebro
requereriam determinado tempo para adaptarem-se à nova situação. Foi de grande
comicidade notar quer até a dor nos ombros demorou a vir à tona, e quando
surgiu certamente custou bastante, era muito estranho neste intervalo de tempo,
pois parecia que tinha vontade de correr com os braços e não com as pernas. Do
clube corri até um parque, neste quando cheguei na pista de cooper achei fato
de grande divertimento senão de estranheza fazer a relação de que as pessoas
que ali estavam faziam suas corridas de suas comuns maneiras, enquanto que eu
já havia nadado 10 e corrido 10 quilômetros, e todavia prosseguia firme e forte
em minhas possivelmente consideráveis insanas obstinações, ou até obscuras. A
corrida, tal como a natação, passou por um momento crítico, momento em que
pensei em parar, no intento de descrever direi que é o momento da tristeza e
desalento mental, é o momento da fraqueza e debilidade física, é um momento
crucial, em que se confrontam pensamentos numa batalha estranha e desconhecida
Esta é a parte da corrida e natação de longas distâncias em que espadem-se os
sentimentos.. Tal como na água se esvaiu este momento, e revigorei-me com
minhas ocultas capacidades, tornando a correr com vontade de quem inicia uma
grande corrida, evidentemente não com o mesmo nível de glicogênio muscular, mas
com uma força que creio bastante difícil explicar. Assim se passou, finalizando
a corrida de 30 quilômetros encontrei-me com um amigo que disse não acreditar
em tal feito, crendo ou não é interessante ver-se se fora obscuro ou claro como
é a luz.”
Nesta curiosa e larga
descrição, caros leitores, é de suma importância considerarmos um fato que
ficara oculto aos leitores, que se baseia no fato de que o atleta não havia
para este treino feito treinamentos antecedentes adequados. Treinar para
treinar? Sim, é exatamente isto que quero dizer, muitas pessoas têm ânsia por
feitos heróicos inigualáveis, e nisto perdem-se em pérfidas ilusões fazendo um
grande mal aos seus próprios organismos biológicos. O exemplo mais clássico
disso tudo é o da pessoa que quer competir sem haver treinado adequadamente, e
sobretudo fazer um tempo excepcional, isto serve para vermos até que ponto vai
a audácia do ser humano. É claro que muitas pessoas não têm o devido
conhecimento de determinados cuidados que devemos tomar com nosso corpo, porém
creio que em todos haja uma certa consciência que diz até onde é o certo forçar
o corpo. Neste caso concluiríamos que haveria uma consciência universal da
naturalidade corporal. Não se vê que os animais irracionais já nascem sabendo o
que devem fazer? Como se tivessem embutido um livro manual na cabeça. Se
conhece isso por instinto? O ser humano é decerto um animal, e faz parte da
natureza, já que é assim há uma consciência de informações previamente
inseridas, dentre estas os cuidados corporais. É claro que não nascemos já
sabendo exatamente quais os procedimentos a serem tomados, mas sim de medidas
racionais e cabíveis para delimitar as atividades físicas. Às vezes tudo
depende tão somente do bom senso, utilizando-se da lógica para o argumento
final.
Não quero me propagar por caminhos
demasiado diversos do proposto, o que é muito claro é que muitas vezes comemos
erros, o maior erro é aquele cometido de forma consciente. Se pensarmos que
todos nascem com instinto todos os erros deveriam ser considerados conscientes,
mas isto é um assunto demasiado profundo, e aliás suscetível à diferentes
interpretações. Devemos nos vigiar, para que não sejamos enganados pela própria
exagerada auto estima, pois esta é a causa principal de desventuras exacerbadas
como esta, para todo treino longo devem haver, torno-o a dizer, os treinamentos
antecedentes.
Se todos estes aspectos podem ser
considerados como obscuros ou heróicos é bastante que cada leitor segundo seu
bom senso interprete os fatos com seu próprio bom senso. Diria que há a heroicidade bestial e a
heroicidade cabal.
Baseados em nossos estudos sobre algo que
seria numa primeira instância obscuro chegamos à conclusão de que as coisas
podem ser positivas ou negativas segundo nosso modo de proceder, assim divido
este assunto das seguinte maneira:
A – Heroicidade bestial.
B – Heroicidade cabal.
A – Heroicidade bestial.
Trata-se justamente como incitado de um
fato bastante negativo. Já vi corredores de grande capacidade não terem um bom
desempenho pela falta de conhecimento, chego a pensar que o conhecimento por
certo ajuda mais que quaisquer patrocínios ou apoio. É bastante cabível este
pensamento se vermos que corredores de capacidade inigualável correm e treinam
de maneira errônea, sem fazer uma tabela de treinamento ou alongamentos, dentre
estes muitos outros aspectos como local de treino. São coisas que estão perfeitamente
ao alcance do corredor, e que infelizmente, por vontade exagerada ou mesmo
falta de conhecimento o corredor foge ao treino. É por certo um fato heróico já
que ainda assim estes tipos de corredores fazem tempos extraordinários, porém
tal como músicos sem teoria ou técnica, poderiam estes obter velocidades
todavia mais rápidas se tivessem determinados conhecimentos ou os respeitasse.
Podem ver claramente leitores que os dois exemplos citados anteriormente
tratam-se de nosso tópico presente: Heroicidade bestial. Não falo aqui da falta
de condições, mas das possíveis e infelizmente inutilizadas condições de
treinos. Me abstenho no fato de que a exagerada força de vontade pode ao mesmo
tempo que causa sentimentos de auto superação causar desconfortos posteriores,
isso não ocorre se o treino for feito de forma consciente e paciente, é o que
veremos no tópico seguinte...
B – Heroicidade cabal.
Entendemos por heroicidade cabal o
treino que é executado da devida maneira, há de haver paciência para isso, e à
vezes é difícil ater a vontade de fazer um treino de superação de limítes. Isso
varia de corredor para corredor, pois alguns são exageradamente guerreiros,
enquanto que à outros até lhes falta vontade para treinar. A maior perfeição é
aquela que entende de onde provém a imperfeição, eu, sabendo de quais
procedimento surgem minhas dores físicas e até mentais posso evitá-las ou
cura-las agindo de maneira diferente. Agir de maneira diferente implica em
mudança de hábitos ou efetivamente treinamentos, o que é para muitas pessoas um
problema de gigantescas proporções, já que estas sem saber estão impregnadas de
estagnação, ou seja: atuam sempre da mesma maneira quando submetidas a
situações semelhantes.
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