Cap. 23 – DIÁRIO DE UM CORREDOR II
No livro “Vamos pensar e correr”
anteriormente escrito há um capítulo intitulado: Diário de um corredor,
exatamente o capítulo último, ocorreu que o objetivo deste capítulo, naquele
livro era descrever treinamentos e competições, estando por assim dizer estas
descrições sujeitas a abordagens de diversos crivos. Pois estando extremamente
insatisfeito com o grande desvio de objetivos que supostamente ocorreu naquele
capítulo, proponho neste livro fazer um capítulo com o mesmo nome, com a
diferença de que o assunto será neste caso condizente com o título. Pois o
título está com o caractere de 2o pelo justo motivo já explicado.
Feitas as explicações preliminares, no
meu modo de entender julgo ser momento de iniciarmos as seguintes explanações.
“Hoje
foi dia de competição, eram 500 metros nadando e 3000 correndo, cheguei no
local já correndo pois estava atrasado para o início, e por isso totalmente
espavorido. Retrato dos competidores unidos, e pronto: todos para a água, eu
não estava nem um pouco preocupado pois estava muito confiante em minha própria
força. Iniciou-se a natação e eu sabia que um dos competidores, por acaso amigo meu, era muito forte na água, e sabia
que ele podia criar uma grande vantagem nesta parte da prova, procurei alongar
ao máximo as braçadas e fazer uma boa finalização, mas inevitavelmente ele
ficou uma piscina na minha frente por ser nadador muito técnico, não
preocupei-me com este fato já que estava ciente de que este mesmo não possuía
tantos dotes na parte da corrida. Ao sair da água me deparei com grande problema pois por haver
chegado atrasado não tinha tido tempo para acertar os detalhes do tênis, e com
isso demorei uma eternidade para calça-lo, fato deveras cômico ou tragicômico
para os espectadores, para min uma grande infelicidade, sem perder a
perseverança iniciei a parte da corrida à toda a velocidade, um trem haveria de
ser mais lerdo que eu, para minha grande surpresa não encontrava o primeiro
colocado, não sabia onde estava, por momentos era como se eu estivesse perdido
na prova pois a realidade era que o primeiro colocado era como um ponto de
referência para min, a única coisa que não queria era perdê-lo de vista, era
como uma bússola é para um marinheiro se assim posso dizer. Ao visualizar minha
sina notei que estava ele bastante adiantado, enquanto isso um amigo da prateia
gritava estrondosamente: - Aperta nas três primeiras voltas que você passa ele!
Meu espírito era total concentração e não dava atenção para quaisquer tipos de
urros, gritos ou comentários que viessem do mundo externo. Era evidente que eu
estava mais rápido que o primeiro colocado, porém foi de grande constrangimento
quando vi que não havia mais tempo para ultrapassa-lo, desfaleci em meu ritmo
terminando a prova em um desonroso 2o lugar”
Quê poderíamos comentar nós outros desta
excelente descrição amigos? A priori que o atleta chegara com atraso na
competição, e justamente esta fora a única causa de sua derrota, pois não teve
tempo de acertar o afrouxamento e amarração de seu calçado. Mesmo sendo o
atleta melhor nadador vimos que ele era melhor corredor por ganhar pouco a
pouco vantagem na parte da corrida, é evidente portanto concluirmos que se
queremos Ter um bom desempenho em determinada prova deve-se Ter uma organização
minuciosa, com preparativos de detalhes. Pois como na maratona um dia antes
tudo já deve estar organizado, número de peito, camiseta, shorts, meia, tênis e
assim por diante.
Consta que a organização do ser humano
pode ser a responsável pela vitória ou derrota de determinada prova, no que
tange à organização devemos abordar que há organização mental e física,
importante dizer que a organização física provém da mental e vice versa, pois
quando estamos em ambiente organizado é mais fácil organizar as próprias
idéias. Bastante interessante havermos chegado a um debate sobre a organização,
e proveio exatamente do fato de havermos analisado uma prova, notando a
desorganização do atleta, e por este motivo creio eu ser interessante sempre
que fazermos algo, seja esta coisa o que seja, sempre analisarmos de forma
racional para vermos em quê aspecto podemos melhorar, a partir do momento em
que fazemos esta análise podemos notar quais foram os respectivos erros para
depois corrigi-los. Porém sem análises não podemos saber quais os erros e assim
não corrigimo-los, e muitas vezes nem sabemos o por que de não estarmos no auge
de determinada atividade.
Pois é interessante sempre fazermos uma
análise crítica de tudo aquilo que fazemos e vivemos. Estes pensamentos
crivosos certamente nos ajudarão para que da próxima vez encontremos saídas
mais práticas e fáceis para determinados problemas. Direi a vocês leitores
curiosos que é justamente nisto em que consiste a maratona. A maratona é uma
sucessão de análises críticas, não venham a crer que estou me enganando, pois é
de certo que estes pensamentos possuem uma base bastante consistente... Vejam
bem, o maratonista bom é na maioria das vezes um atleta experiente, que já
correu várias maratonas em sua carreira, pois a cada maratona, de forma
inconsciente ou consciente ele fez uma análise, discutindo mentalmente quais
seriam as suas possibilidades de melhorar em determinado aspecto. Pois destes
pensamentos surge o que chamamos de experiência, que consiste nada mais nada
menos que uma série de conhecimentos. Não tratam-se estes porém de
conhecimentos simples como aqueles que são lidos em qualquer livro de instruções,
mas sim de conhecimentos profundos que são adquiridos através de uma
sistemática desenvolvida pela análise crítica.
Creio que seja de grande interesse
conversarmos sobre a verdadeira definição do que seria experiência, já que o
bom corredor fundista é aquele que a possui. Vou fazer uma negação neste
momento bastante pertinente, que provavelmente não seja da apreciação de todos
os companheiros que lêem estes escritos. A negativa é exatamente a seguinte:
Não é possível aprender através da experiência de outros corredores. Parece
esta negação algo bastante audacioso, e ao mesmo tempo loquaz, não tão somente
parece como o é.
Me chamariam de louco se eu não
intentasse justificar tal preceito. Pois aqui estarão certamente minhas devidas
justificativas...
Você acha que pode aprender algo da
experiência de outro corredor? Não, pois cada pessoa é única do ponto de vista
físico e mental, e portanto dizemos que cada qual deverá ter sua própria
estratégia, e, entendemos por estratégia os procedimentos que são utilizados
durante a prova pela experiência que possui o corredor. Como poderei eu passar
minha experiência para um colega corredor se ele não poderá utilizar minhas
estratégias? Minhas estratégias são resultado de minha experiência. Digo
portanto que cada um deve Ter suas experiências pessoais, para assim criar uma
estratégia peculiar à sua pessoa. Este sistema certamente é bastante
interessante e correto, pois do contrário todos fariam as mesmas coisas durante
a corrida para obter os mesmos resultados, o que não é, em absoluto, real.
Não devemos confundir entretanto, este
nosso assunto com determinados procedimentos que podem ser chamados de básicos,
que são pertinentes a todos os corredores, para auxiliar na corrida, e por
assim dizer dividiríamos nosso assunto em duas partes principais:
A - Procedimentos estratégicos pessoais
B - Procedimentos básicos
Assim feito
vamos discutir cada qual de forma pouco mais detalhada:
A – Procedimentos estratégicos pessoais.
Como visto,
são estas as chamadas estratégias, que são pertinentes à cada pessoa de forma
particular, e que não podem ser passados de corredor para corredor. Não são portanto ao contrário do que muitos
maratonistas pensam informações de caráter geral, devendo ser conservados para
cada pessoa. Pode-se dizer que acontece o grande erro de um corredor tentar
influenciar o outro com suas dicas de: - Faça isso; - Faça aquilo; - Coma isso;
- Coma aquilo; - Use este tênis; - Use aquele tênis; - A maratona é assim; - A
maratona é assado. Pois caros amigos, é bastante errônea esta troca de
informações já que cada pessoa possui um biotipo ( relativo à formação corporal
) diferente, um DNA característico e talvez o que seja mais importante:
características de caráter mental diferentes. Talvez a estratégia que eu
utilize para correr uma prova seja excelente no meu caso e pode ser
estupidamente horrível para outro corredor, mesmo que as condições físicas
deste sejam parecidíssimas com a minha, pois pode a diferença prevalecer nas
características mentais.
Notamos que
geralmente os maratonistas iniciantes são de forma grandiosa influenciados
pelos procedimentos estratégicos de forma errada, achando que estes são
pertinentes à todos os corredores, e pensando que se um procedimento foi
proveitoso a determinado corredor é pensamento condizente que também seria de
bom proveito para eles próprios, e ainda arrisco dizer que esta é uma
característica do próprio ser humano, pois sabemos que a cultura na verdade
consta como uma transmissão de conhecimentos de geração para geração, sendo
assim a cultura na qual estamos inseridos foi transmitida pelos antepassados,
mas quem é que diz que esta cultura é proveitosa para minha pessoa? Não seria
portanto mais inteligente de minha parte criar minha própria cultura? Criar
esta cultura, que na verdade são conhecimentos, baseado nas conclusões que
extraí de minhas experiências pessoais.
Vejam bem
leitores que estamos aqui nesta analogia discutindo sobre a experiência e
estratégia que devem ser adotadas na corrida, e como vimos tal como na corrida
na vida também temos experiências e devemos Ter uma postura para com os
acontecimentos da vida. Esta postura é o que eu chamaria de estratégia na
corrida, e a experiência que temos na corrida seria na vida o que chamamos de
cultura. É por isso que falo sobre o tema de experiências pessoais, tanto na vida
como na corrida. Na corrida não é bom utilizar uma estratégia que não funciona
para nós, mas é fato que todos aprendem através das próprias experiências, e
muitas vezes aprendem pelo erro, e um destes erros é tentar ficar imitando os
outros. Há dúvidas neste Assunto? É correto imitar outros corredores? Foi bom
para fulano: Será bom para min? Há gente que tenta imitar a muitos até
descobrir qual é a fórmula estratégica mais aprazível à sua pessoa. Porém isto
trata-se de verdadeira perca de tempo já que o mais interessante seria que ele
tentasse por si mesmo descobrir quais os melhores procedimentos para sua boa
corrida. Como? Simplesmente escutando seu corpo, pois o ser humano ficando
preso à idéia de que ele é inteligente acaba perdendo a consciência de que seu
próprio corpo possui linguagem para com ele. Creio que já tenhamos abordado
algo neste aspecto neste livro porém para minha desgraça não me recordo em que
parte do livro. Assim sendo, para que eu adquira meus próprios procedimentos
estratégicos é necessário que através de minha conversa com meu corpo eu saiba
ouvir o que ele quer dizer, para entendê-lo e assim entrar em harmonia com ele.
É algo bastante inteligente saber como utilizar o corpo da maneira devida, da
maneira que ele mesmo gosta de ser utilizado. Qual é a conversa do corpo? Para
aclarar um pouco mais este assunto que pode estar parecendo muito abstrato para
o leitor colocarei alguns pormenores para que seja tudo posto de maneira
intensivamente iluminada. Pois a conversa do corpo é dada através das dores,
dos prazeres e desprazeres que o corpo nos proporciona. Ainda há muitas outras
sensações intrínsecas que o corpo explode e transborda para nós como sede,
fome, calor, frio, calafrio, hipotermia, hipertermia e muito mais. Fato
bastante digno de explicação é que nós estamos pensando neste caso que somos
nosso próprio corpo, e notamos aqui como os assuntos dos capítulos anteriores
relacionam-se de forma intensa, pois de verdade o cérebro faz parte de meu
corpo e portanto eu direi com toda a veemência inimaginável que meus pensamentos
fazem parte do que se diz ser meu corpo, indo todavia mais longe nesta linha de
pensamento proclamarei que meus sentimentos são parte integrante de meu corpo
já que estes sentimentos provém de meus pensamentos e idéias, e estes por sua
vez são originários de meu cérebro. Baseados nestas últimas profusões
apresentamos a seguinte tabela ordinária:
1
- Corpo =
Sensações / Dores, sede, calor, frio...
2
- Cérebro (
Parte do corpo ) = Idéias, pensamentos, sentimentos / Sou forte, é bom correr,
medo, alegria, amor, fúria...
Assim já sendo
explicados estes aspectos notamos que além dos corredores terem diferenças de
caráter físico há as diferenças de caráter mental, pois estas diferenças
determinam a impossibilidade de passas os procedimentos estratégicos de um para
outro, sendo imprevisível o que pode haver como decorrência deste feito, já que
mais que pareçam-se eles podem ser de características mentais divergentes.
B – Procedimentos básicos
O que nomeamos
por procedimentos básicos serão logo em seguida explicados. Um ser humano
sempre será um ser humano, ao menos nos tempos em que estamos hoje vivendo, é
impossível transformar um homem num macaco ou num camelo. Estas cômicas e
desditosas colocações nos serviram para constatarmos que há determinadas
características que são comuns à todas as pessoas, pois se um carro rodar 42
quilômetros deve ele ser pleno com determinado combustível que certamente não
será o mesmo que o dos seres humanos. Pois são os procedimentos básicos todos
aqueles que são comuns à todos os corredores, relativos a alguns tópicos da
corrida, tais como alguns já discutidos neste livro. Pois é de suma importância
que o corredor se alimente de carbohidratos de forma intensiva antes da prova,
de que forma isto irá ocorrer depende de cada um. Os leitores impacientes devem
a esta altura estar injuriados com tal frase, pois está escrito que os
procedimentos básicos são comuns à todos e portanto não possuem variações, ao
contrario dos procedimentos estratégicos que são de caráter pessoal. Neste
momento o leitor esbravejado certamente estará considerando tais definições
como verdadeiras infâmias ao antro dos conhecimentos humanos. Explicar-lhes-ei
com toda minha bondade, e certamente tereis a clemência de ouvir que tenho eu a
dizer...
A única coisa
neste mundo em que se coincidem os resultados é a matéria que entendemos por
matemática. Que dois e dois são quatro todos entrarão em comum acordo, tanto
neste país como em outro. Consideramos no campo que estamos discutindo como
características comuns aquelas que possuem menor nível de variação, ou seja, as
características que são menos maleáveis. Os procedimentos estratégicos são por
certo incomensuravelmente elásticos no ponto de vista de possibilidades e tipos
de estratégias, isso é muito mais devido à parte de características mentais
diferentes que das físicas, porém é fato que é infinito em possibilidades. Ao
contrário dos procedimentos básicos que têm determinados limites, pois não
pode-se encher um ser humano de metanol para que corra mais rápido, é
necessário respeitar determinadas regras que são pertinentes ao conjunto de um
todo chamado essência. Utilizando-me de expressão bastante estranha quis dizer
em suma que os carbohidratos são uma verdade absoluta no campo das coisas que ajudarão
um maratonista na prova, vejam que realmente pode haver uma variação de atleta
para atleta, pois alguns se adaptam melhores que outros a determinados
procedimentos relativos à alimentação, enquanto outros preferem dietas
divergentes. Leitor indignado... quero dar um recado ao senhor: estou neste
momento em estado de fúria racional, pois por mais que haja me atido a estas
teorias criadas por minhas própria razão, vejo que afundei no poço que acabei
de construir, ou fazendo uma alusão mais condizente eu construí um castelo
muito bonito, porém por descuido caí no fosso dos jacarés e fui devorado com
tamanha voracidade que não me sobrou tempo para o intento de escapar, escapara
por certo seria uma nova construção ideológica com o intuito de defender minha
tese ou, por assim dizer meu castelo.
Notem leitores
na problemática em que acabamos de cair. É de certo que por um ato de
inteligência descobrimos que os procedimentos básicos possuem uma certa
maleabilidade, é igualmente correto dizer que os procedimentos estratégicos
citados no tópico A podem ser explanados de forma a serem considerados
procedimentos com restrições. Vejam como esta idéia deforma, ou melhor,
constrói uma nova e mais completa realidade: vamos aqui supor que os
procedimentos estratégicos podem de certa forma serem colocados em tabelas,
sendo assim organizados de forma metódica e matemática por assim dizer, assim
concluiríamos que determinada pessoa enquadra-se exatamente no perfil daquele
que deve tomar determinada estratégia, e isso foi decidido justamente através
da consulta que fizemos em nossas tabelas de características mentais e físicas
/ mediante procedimentos específicos. Desta maneira estamos delimitando o nível
de atuação deste atleta, pois já sabemos quais são suas melhores tomadas de
decisões durante uma prova através de suas características mentais e físicas.
Conclusão esta
bastante iluminada, que nos leva para o caminho de uma realidade ainda mais
completa, pois desta mudança concluiríamos que tanto as os procedimentos
estratégicos como os procedimentos básicos podem ser maleáveis ou não,
dependendo tão somente da forma como queremos trabalhá-los, sendo é claro mais
fácil pelo caminho já delimitado, que é mais próximo da metodologia precisa que
da filosofia maleável.
Encantáveis
leitores: estimo-lhes a paciência que apresentam para acompanhar linhas de
pensamentos que por vezes parecem chegar à um beco sem saída, e outras à um
vale encantado, mas independente das explanações deve seguramente haver algo
bastante palpável, não que não tenham sido as explanações é claro... nada de
pessoal para com seus entendimentos também. Queria eu de forma vigorosa por em
risco meu pescoço tentando com vigor propor uma conclusão, mas como estão
cientes vocês é bastante duvidosa minha capacidade conclusiva, e isso sem
cerimônias hei de confessar, pois o homem somente deve ser valorizado quando de
forma honesta e clara diz qual é sua verdadeira identidade, e não fica com
redemoinhos de falácias, querendo enganas a si mesmo mais que aos outros.
Vejam vocês
que após estas palavras sinto-me mais aliviado, não por haver ido ao lavabo nos
entremeios do pensamento, mas sim por haver acabado de declarar um defeito,
assim tirando grande peso da consciência. Digo pois que às vezes minha
conclusão parece mais uma troca de assunto que um fechamento de tal, pode ser
também um desenvolvimento de assunto. Cientes de que esta conclusão de que sai
de minhas entranhas é bastante peculiar vamos de encontro à dita cuja....
É a filosofia
um senso contraditório à matemática, consideramos a ciência ou o mundo
científico por matemática já que esta quanto mais se desenvolve e concretiza
mais exige métodos rígidos e calculistas. Pois nosso debate este iniciou de uma
descrição bastante simples, em que colocamos em conotação a espalhafatosa
desorganização do atleta, pois desorganização é justamente o contrário de
método frio e calculista, e por assim dizer até privado de sentimentos, há algo
em min que diz que devemos considerar as pessoas exageradamente organizadas e
meticulosas como pessoas sem sentimentos, e enquanto isso as bagunçadas seriam
as mais sentimentalista. Pois já criou-se por minha falta de capacidade uma
nova teoria durante o que deveria ser um fechamento, ou seja: relacionarmos a
organização e desorganização com sentimentos eu com a falta destes. Porém
tornando no assunto tema da palestra direi que estamos vivendo em um mundo cada
vez mais sistemático/matemático/meticuloso, e o motivo disto está justo na maior
competitividade que apresenta a sociedade por viver em um mercado capitalista,
é fácil notarmos que a forma de pensar não pode ser diferente da realidade em
que vivemos, já que somos influenciados por ela. Pois disto chegamos ao que diz
que cada vez mais a filosofia perde espaço e ganha a meticulosidade, pois
somente esta serve de alguma coisa para o corredor. Já que este quer melhorar
seu tempo e tudo mais.
Não seria mais
interessante o corredor esquecer de tudo isto de procedimentos estratégicos
básicos metódicos e utilizar os de liberdade? Me explico para que não se perca
este pensamento, e veja agora a seguinte série de tipos de procedimentos:
AA – Procedimentos
estratégicos pessoais de liberdade. ( mais filosóficos )
AB – Procedimentos
estratégicos pessoais metódicos. ( mais
rápidos e funcionais )
BA – Procedimentos
básicos de semi-liberdade.
BB – Procedimentos
básicos metódicos.
Notamos aqui
que os procedimentos básicos são menos voláteis que os estratégicos, porém os
estratégicos podem ser tão metódicos quanto os básicos.
AA – Por
procedimentos estratégicos pessoais de liberdade entendemos como uma maneira
pessoal de aprender a utilizar a estratégia sem a influência de segundos ou
terceiros. Há mais liberdade, e o corredor é aqui de maneira natural a ouvir
seu corpo, porém se ele ainda não sabe ou quer ouvir a linguagem corporal é
suscetível a cometer erros, recordemos que o cérebro é parte do corpo, e
linguagem corporal está definidamente relacionado com as idéias, pensamentos e
emoções que surgem do cérebro. Pois há de se ouvir o corpo de maneira natural.
AB –
Procedimentos estratégicos pessoais metódicos, se refere à uma tabela já
disposta sobre a propensão mental e física de um indivíduo, definindo assim de
forma artificial qual as estratégias a serem tomadas. Não há a liberdade das
tentativas que há no anterior, privando o corredor de ouvir seu próprio corpo,
as coisas são impostas, ele não foi se adaptando de forma progressiva àquela
realidade.
BA – Disse
semi-liberdade pelo justo motivo de quê não pode-se consumir metanol para
correr, ou correr descalço para correr mais rápido, são idéias já definidas que
são lógicas mas que possuem maleabilidade.
BB –
Procedimentos básicos metódicos são aqueles do estilo corra para frente, uma
passada após a outra, faça o aquecimento com X% de sua freqüência cardíaca
máxima, faça estes determinados alongamentos. São estes os ditos dados
matemáticos irrevogáveis e indiscutíveis, sem variações ou vacilos. Pois vejam
leitores como é grande minha insistência neste seguinte assunto; Vejo que esta
é a única faceta pela qual preocupam-se os profissionais de Educação Física de
nossos tempos, são eles simplesmente metódicos e matemáticos esquecendo-se de
que o ser humano têm uma gama de mundo mental tão variável quanto é o próprio
universo, pois se fosse explorado o tópico AA
com maior veemência certamente não teríamos corredores tão rápidos, mas
certamente mais conscientes e certos da realidade do mundo de suas mentes e o
mundo que os cerca.
Da forma que
ocorre parece que somos robôs preparados para fazer tudo de forma sistemáticas,
mas contrariando esta realidade atual direi que a liberdade da filosofia nos
traz muito mais graça de estado de espírito que qualquer outra coisa que seja
matematicamente comprovada pela ciência, não quero porém desvalorizar toda esta
ferramenta já criada pelo homem, que é muito importante. Ao meu ver deveria
haver um complemento da filosofia para com a ciência e vice versa. Para que
toda esta liberdade de espirito tenha um embasamento funcional e racional. E
termino aqui este capítulo com toda a veracidade de um criador para com a
criação, para uns certamente será demasiadamente repetitivo, pois serão poucos
os que perceberão que o pensamento consiste em uma evolução de pequenas
nuanças, e assim uma realidade é sobreposta à outra, vejam só que um castelo é
criado de um tijolo colocado sobre outro de forma que se tiramos o tijolo que
está em baixo logo tudo se desfalecerá.
01/06/2002
– “Muito
bem, dia de competição será um duatlhon de 500 metros de natação acrescentado
de 3000 metros de corrida. É interessante analisar alguns detalhes referentes à
esta prova. Creio haver treinado adequadamente para uma prova deste porte, tudo
se passou como um sonho bastante agradável. Fora defender um nome, o nome da
faculdade na qual estudo. Assim viajei para a cidade na qual seria feita a
competição numa noite bastante limpa, pois de manhã já deveria estar preparado
para a prova. Uma certa tensão se apoderava de min por não saber exatamente
qual seria o percurso, chegando na cidade liguei para o telefone de uma colega
e tive a infelicidade de cair na caixa postal, não entrei em desespero, mesmo
sabendo que era ela quem me daria o endereço da hospedagem. Num insistente e
quase que mecânico ato continuei discando, notando a inutilidade disto comecei
a andar pela cidade, à procura do clube em que seria a competição, este sim eu
tinha o endereço, mas não sabia como chegar até ele, num gesto quase que
desesperado pedi informação à dois policiais que andavam num carro.
Ironicamente eles me disseram que o clube que procurava era no mesmo quarteirão
em que estava andando. Pôde parecer coincidência, é fato colocar que a cidade
era relativamente pequena. Chegando ao clube já tive grande alegria em poder
entrar e ver a piscina que iria nadar no outro dia, logo pensei que nem que
tivesse que dormir ali ao lado da piscina não voltaria atrás, mesmo com o
problema ao qual me defrontava pois não sabia onde ficava a hospedagem. Não
conseguindo mais entrar em contato com esta minha colega decidi ficar num hotel
nas cercanias do clube, porém o fato inóspito era que se ficasse neste hotel
não poderia jantar, e se jantasse dormiria na rua. A resolução foi ficar no
hotel e esperar para o dia seguinte. Logo que felizmente me encontrei no hotel,
que era o mais barato da região, tentei m concentrar no que deveria fazer:
descansar devidamente, mas a realidade não era nada positiva, pois estava numa
solidão bastante desagradável, ainda tive de me abster em comer umas bolachas
salgadas que por um acaso havia trazido comigo. Um sentimento bastante
estranho, mas muito forte surgiu do âmago de meu ser, isto foi logo depois de
organizar meus apetrechos para o dia seguinte, o pensamento que retrata este
sentimento era: - estou lutando contra tudo e contra todos. – A força de
vontade é o que prevalecerá! Assim foi com este sentimento que rezei ao pé da
cama e tentei inutilmente dormir, talvez pela monotonia do lugar, liguei a
televisão e logo o sono veio à tona. Um sonho bastante confuso de preces e
súplicas, que teve também uma parte em que estavam um amigo emprestando-me uma
touca e óculos de natação, estava numa cadeira várias toucas e óculos, eu já
estava colocando tudo dentro de uma sacola para ir à competição, uma aluna e
sua mãe pareciam querer me ajudar. Despertei-me tomei o café da manhã e me
dirigi já correndo ao local da competição, que era seguramente menos que um
quilômetro do hotel. Lá chegando não vi nada senão uns garotos que iriam fazer
basquete, pensei que aquele não seria o dia da competição, ou que já havia sido
executada. Logo percebi que tinha chegado com uma hora de antecedência, o que
poderia ser devido à excessiva preocupação. Ainda havia bastante tempo para
aquecer e alongar. Aqueci correndo cinco quilômetros e nadando uns 300 metros.
Ocorreu que tendo os outros competidores chegado com uma grande equipe estava
eu até determinado sozinho, não me preocupei com este fator, fazendo inclusive
com que isto assustasse de certa forma os oponentes, já que mostrava-me um
atleta introspectivo e pouco conhecido, exercendo um misto de fascínio e
curiosidade nos adversários. Logo encontrei-me com outro atleta estudante da
mesma universidade que eu: defendíamos a mesma bandeira: com isto nos unimos e
trocamos idéias sobre ritmos e estratégias a serem adotadas. Esperamos
ansiosamente a largada das mulheres sendo que a masculina seria depois,
inclusive fizemos um trote através do próprio percurso, ocupados em registrar mentalmente
qual seria o percurso exato. Estava eu inserido no primeiro pelotão, os
detalhes como ajeitar o tênis foram segundo meu julgamento importantíssimos,
entramos na piscina, o árbitro deu o sinal inicial ( - preparar! ), e antes que
desse o apito de partida pediu para que ao nadadores esperassem um pouco. Isto
para minha infelicidade tirou toda minha
concentração, quero deixar bastante claro que este erro me deixou injuriado,
pois tamanha era minha concentração e preparo que isto jamais poderia ocorrer.
Procurei não me constrangir, o apito de largada fora soprado, e começamos
velozmente a nadar. Me prostrei entre os primeiros, ao menos este era meu
pensamento, pois na água não se consegue visualizar muito bem os adversários,
há de se recorrer um pouco à imaginação que provém da suposição. Depois de uma
três chegadas concluí com perfeição que me encontrava em primeiro colocado,
estava contente com isto já que me sentia fisicamente muito bem. Tentava ao
máximo prestar atenção na técnica que estava executando no nado, tudo conforme
o treino, braçada bem finalizada e fazer força com o braço nos momentos
precisos, isto estava acima da velocidade do ciclo de braçadas. E neste momento
estes dois fatores podem se confundir fazendo com que o nadador prefira a
velocidade à técnica pelo desespero de querer nadar rápido. Nas duas últimas
chegadas comecei a sentir o músculo dorsal ficar enrijecido, não sei se fui eu
que diminuí um pouco a velocidade ou se meus oponentes a aumentaram porém é
fato que dois nadadores me ultrapassaram em um corpo de distância saindo com
pouco de antecedência da água, nestas mesmas duas últimas chegadas procurei
imaginar antecipadamente quais seriam as próximas tarefas a fazer, tudo
prevendo mentalmente mediante o ambiente espacial do lugar e as ações que
deveria executar, colocar o calçado e correr. Saí da água com muita euforia e
logo me preocupei com colocar, ou melhor, enfiar rapidamente o tênis. É fato
verídico de que neste momento esquecera-me completamente de colocar os óculos de
grau que previra colocar para correr. Logo comecei a correr numa velocidade que
espantou-me pois passei os dois indivíduos que estavam correndo como se estes
estivessem andando, fato que julguei estranho naquele justo momento. Corri
bastante rápido sem olhar para trás, achava que estes dois estavam na cola, mas
na verdade já haviam ficado para trás, e bastante. Meu companheiro de escudo
ficou logo atrás de min dizendo que os outros estavam muito atrás, aconselhando
com gritos empolgados para que eu mantivesse aquele mesmo ritmo. Eu já estava
realmente no limite dos limites, a única coisa que eu conseguia pensar naquele
momento crucial é que havia um bando de corredores atrás de min, por mais
que o colega de equipe dissesse que já
havia aberto larga vantagem sobre eles. Vorazmente eu seguia correndo, sem
entender como este colega estava logo atrás, já que com antecedência havia-me
dito que não nadava muito bem, nestes momentos porém não ficamos atidos a
resolver muitos problemas, por isto eu somente pensava em correr. Não havia
ninguém à minha frente, porém pensava sempre que logo poderia vir um detrás e
passar-me, assim pensei em dar o máximo de min, eram as últimas quatro voltas
em uma pista de atletismo rústica, corri tanto que consegui ganhar uma volta a mais
em cima do segundo e do terceiro, porém foi somente na última volta e não em
quaisquer outras que corri com tranqüilidade, sabendo que ia ganhar, não por
isto diminuí a velocidade, muito pelo contrario: um sprint na reta final.
Finalizei pensando haver cumprido meu dever, era como uma questão de honra,
pois havendo recebido as considerações, honores e o parabéns fiquei
extremamente satisfeito em ter cumprido aquela tarefa tão árdua. Esperando o
segundo e o terceiro pelotões fiquei extremamente ansioso a ver os resultados,
finalizando na geral em 4o com apenas 3 segundos a mais que o
terceiro, considerando isto como azar. Mas que na realidade vejo que poderia
Ter treinado mais ainda. Portanto não há o que reclamar. Em verdade vos digo
que o mais importante fora a honra e dignidade a que prestei-me, pois por mais
que sejam as dificuldades a vitória é o respeito e o trabalho bem feito e não
simplesmente um podiam que possa vir a calhar.”
É interessante
divagarmos sobre a sensação que o atleta teve nos momentos diversos desta prova
primeiramente quando disse que estava contente, no momento em que liderava a
prova de natação, é pois esta uma amostra da exacerbada auto estima que possui
um atleta no momento de uma competição, ao menos
É isto o que deve ocorrer geralmente já que a auto estima
alta é grande motor que move o atleta, é fácil pensarmos que um atleta estando
em primeiro colocado possui um motivo adicional para sentir-se feliz e
consequentemente bem: o motivo é estar em primeiro, muitas vezes acima de suas
próprias expectativas. A grande questão é sabermos se estar em último ou atrás
dos outros competidores é fator que possa desencadear uma maneira de pensar
negativa, é claro que esta suposta maneira de pensar interferirá no ritmo de
prova e na concentração do atleta. Tudo dependerá dos valores que o atleta têm
mediante a cada situação que lhe ocorre, pois pode-se estar não em primeiro e
ter-se um pensamento mais positivo que o que está em primeiro, nisto não há
sombra de dúvida, a pesar de que na minha opinião pessoal, não necessariamente
iríeis concordar com esta, é avassaladoramente mais fácil manter uma atitude
positiva, e pensamentos de alto teor positivo quando se está na frente que
quando se está atrás. Ocorre uma série de
pensamentos por trás de uma prova, é como uma cortina de pensamentos diversos
que estão entremeados de maneira confusa e inesperada, para me explicar melhor
posso também dizer que é uma competição em que a realidade é maior do que
parece ser porque todos tentam transparecer o que não é. Deste modo não podemos
confiar no que os sentidos nos trazem à tona, não são competidores mentirosos
nem falsos mas sim inteligentes, e utilizam-se deste último recurso para tentar
de alguma forma ludibriar os adversários. Estão todos nadando, porém cada qual
pensa no que pode estar acontecendo ao redor, tentando visualizar mentalmente
com o auxílio da visão no que está ocorrendo ao redor. Mas antes de tudo,
através de uma sugestão, tenta saber o que ocorre nos pensamentos e no corpo
dos adversários, com estes dados consegue administrar o que deve fazer. Pode
por exemplo pensar no que o adversário está em determinado momento pensando
dele: que está cansado por exemplo, e com isto procura não transparecer
cansaço, mesmo estando.
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