Cap. 18- CORRIDA E DESLIGAMENTO DO MUNDO
Quero aqui
expor de forma bastante atrativa a teoria de que a corrida nada mais é que um
momento de silêncio, um momento em que estamos voltados para nossos próprios
corpos. Num acontecimento quase que mágico estamos em uma atividade sagrada. Se
você quer saber o que é mesmo correr desta maneira eu lhe explicarei com todo o
prazer de que creio ter a capacidade de explicar, podemos correr de diversas
maneiras, é bastante condizente compararmos a corrida com a leitura, pois da
mesma maneira que posso ler num ônibus horrivelmente barulhento e que não para
de balançar um momento sequer para que meus olhos se prostrem nas letras
respectivas, posso decidir ler numa mesa com boa iluminação, cercada de
silêncio num local bem arejado. Bastante diferentes estas duas situações, isso
é fato evidente que somente vêm a nos trazer algo com que comparar a idéia que
será em seguida passada.
Pois veja bem
você meu apreciado leitor, que podemos fazer esportes de diversas maneiras é
claro. A corrida especificadamente que é nosso esporte em tema, pode ser feita
de diversas formas. Posso eu correr em uma cidade barulhenta, poluída e cheia
de lixo na calçada, ou é possível que eu queira me deliciar com uma prazerosa
corrida através dos campos naturais de determinado local. Assim está dito que a
corrida é uma atividade mágica, mas intensamente retiro o que disse pois há
variados tipos de corridas e não são todos os que podem apresentar esta magia
de que estou falando. Alguns tipos de treinos apresentam somente meros lapsos
desta energia, enquanto que em outras situações pode-se chegar à uma forma de
êxtase na corrida, não quero mistificar uma atividade de forma a distorcer a
realidade, mas há momentos de intensos sentimentos. Estes momentos é o que
estou querendo nomear de momentos mágicos. Saiba você, por exemplo, que eu em
minha constância já tendo corrido 7 maratonas em quatro já cheguei chorando de
corpo e alma, pois os sentimentos me afloraram de forma extraordinária. As
lagrimas são na verdade de uma vitória, é uma vitória pessoal a qual não
conseguiria descrever com perfeição nem escrevendo cinco livros sobre este
assunto, ocorre que estes sentimentos fortes inundam a alma de forma digna, que
mostram na realidade como os seres humanos conseguem ter uma superação pessoal.
Esta superação é demonstrada através das lágrimas, que resvalam pelo rosto,
enquanto que o corredor tendo chegado ao seu objetivo sente-se num estado da
mais pura plenitude sentimental e ideológica.
É assim que
ocorre, mas como já visto, não são todos que correm com o coração. Muitos ficam
atados aos valores competitivos, e segundo meu modo de pensar pode haver um
corredor de excelentes tempos, que seja da elite, mas que de tão influenciado
pelos valores competitivos de nossa sociedade acaba perdendo em muito a sua
caracterização como pessoa, e por isso perde em muito igualmente no que dizemos
serem características psicológicas positivas, ficando restrito apenas em pensar
em ganhar, não sabe ele que a maior vitória que podemos internalizar em nossas
vidas é confraternizar com outras pessoas de forma positiva, alegre e benéfica,
é também se emocionar de forma expansiva, para mostrar à todos que o que
estamos desempenhando são coisas que têm grande valor para nossas vidas.
O mais
importante nunca é ganhar, já vi corredores mal humorados em decorrência de
valores competitivos, que foram auto aplicados em suas mentes, e, penso ser
este um erro bastante comum para as pessoas que praticam este esporte, que é
influenciado pelas idéias competitivas que traz a mídia consigo.
Para seu
deleite intentaremos executar aqui a técnica de concentração que já foi
explicada, porém não executada no capítulo
4 Tópico 1, note que estamos utilizando isto para facilitar o entendimento
da matéria que estou expondo a você neste capítulo:
Desligue agora mesmo todas as idéias que são
relativas à interferência de todos os meios de comunicação sobre sua vida, e,
naturalmente veja-se jogado em meio à uma selva, uma selva bastante espessa,
você está deitado e não sabe como apareceu ali, tenta recordar-se de algo,
porém sem êxito não se lembra de nada. Muito confusa está sua mente, mas, à
proporção que se dá conta do local nota que há muitos sons e ruído, são na
verdade macacos e pássaros que fazem da selva uma verdadeira orquestra.
Naturalmente assustado após constatar o perigo que corre, num súbito movimento
você levanta, olha com os olhos o mais abertos possíveis à procura dos animais
que fazem tanto rebuliço, mas não os encontra. Já mais calmo decide ficar
parado por momentos, e nota estranha tranqüilidade no local. Sentindo-se
reconfortado inicia uma caminhada leve através da inóspita mata. Derrepente
apercebe-se de que há uma trilha por perto, uma trilha que porventura sobe
bastante na altimetria, e você nota que quanto mais sobe mais bonitas são as
flores e plantas que o cercam, pois sem mais delongas inicia você uma corrida
leve, que aos poucos fica mais rápida, a beleza se apresenta cada vez mais
apreciável, inclusive a fragrância das flores é algo pelo qual é chamada sua
atenção. Opinadamente você decide que este é um afloramento de suas energias, e
sente-se ligado de certa forma à tudo aquilo que vê, você crê ser impressionante toda a paisagem
que o cerca, e têm surpresas que não esperava, pois é a natureza grande fonte
de prazeres à visão, audição e tato senão ao próprio discernimento. Ao pico da
montanha você olha a paisagem que se prostra diante de seus pés e têm grande
sentimento de congratulação.
Depois
naturalmente creio que a sugestão dos leitores seja de que o personagem
fantástico cai da cama e se desperta com um estrondoso despertador, que o
acorda para o trabalho, ou então que este corredor acorde batendo fortemente
com a cabeça no banco da frente de um ônibus, quando este parara bruscamente em
um ponto, mas não leitores. Quero dizer a estes sugestivos que o que estou
propondo uma coisa bastante real, e que se queira a vontade dos humos que se concretize
e não fique somente no campo das idéias, mas é fato real que para que algo se
execute com suma presteza é necessário que este parta antes de uma idéia é
claro, pois já temos aqui as idéias... Sem mais conversas ímpias tentarei
desembuchar o que transborda de meu cérebro ( espero que não tenha sido esta
uma conjetura desagradável às damas que lêem estes escritos, mas tendo sido
reclamo clamor por partes destas digníssimas damas )
Já foi dito
que a corrida pode ou não ser mágica, dependendo exclusivamente do modo com a
qual é desempenhada, pois posso correr estando eu contribuindo ainda mais para
uma situação estressante, ou então posso correr de uma forma tão natural quanto
mágica. O erro é que as pessoas ficam entretidas com o ato de correr de forma
mecanizada, o que é em um contexto analisado de forma mais realista uma
característica da própria sociedade, veja que, tal pessoa corre tantas vezes
por semana de tal maneira, e assim por diante outras pessoas o fazem com
mudança de quantidade de dias e de tipos de treinamentos, porém uma coisa
sempre é igual, que é na verdade a forma automatizada com que fazem o treino,
perdendo a característica de originalidade do treino, o próprio improviso é
algo que faz com que experimentemos novas sensações, dando estímulos diferentes
aos nossos corpos e estimulando assim as regiões cerebrais ligadas aos
sentimentos diversos.
É portanto
estritamente necessário experimentarmos que seja um dia em nossas vidas correr
em lugar totalmente inusitado, como seja uma praia a quem não o fez ou que seja
uma trilha ladeada de flores a qu6em não o fez. Contanto é importante não se
contentar em achar que a corrida é algo simplista, pois vimos que pode ser
desempenhada de forma muito mais expansiva e completa.
Visto isso
espero que vocês experimentem esta sensação de plenitude, que se aproxima em
algo que possa ser chamado de mágico e que trata-se nada mais nada menos que um
desligamento do mundo.
Enganosos
pensamentos seriam estes se a tua interpretação for intrépida, pois o quê julga
ser você o desligamento do mundo, isso pode dar a cômica impressão de que o
mundo é lidado numa tomada de 220 Wolts, pois aí está o erro. O quê
consideramos como mundo é a situação em quê vivemos, mas na verdade a
verdadeira essência do mundo é natural, vivemos como já dito em um mundo
artificial, a corrida mágica é portanto o desligamento do mundo artificial, e
um envolvimento pelo mundo natural, esta seria a corrida a qual mediante meu
modo de pensar é a corrida mágica.
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