Cap. 17- QUAL SERÁ O ASSUNTO?
Finalizei o
capítulo passado com uma pergunta que pareceu aos olhos da pessoa leiga ( Não
me refiro necessariamente à você leitor ) com uma pergunta muito diferente, mas
o caso é que a pergunta é totalmente fluente com as idéias que apresentam o
tópico em si, pois o motivo que faz para que façamos alguma coisa em nossas
vidas é certamente comandado pela sociedade, por suas regras, para ser mais
específico. Dizemos assim que somos influenciados por tudo aquilo que nos
cerca, e a cultura esportiva é por assim dizer uma idéia que foi criada pelo
ser humano, e que por isso não é uma cultura inerente às nossas próprias
essências.
Como podemos
ver, na antigüidade bastante remota, os principais motivos de uma pessoa para
que esta praticasse atividade física, era justamente ou guerrear para
conquistar territórios ou treinar para guerra, do contrário a busca de frutas e
caça de animais eram boas alternativas àqueles que quisessem praticar caminhada
ou corridas curtas. Há também, inserido neste contexto o fator sobrevivência,
pois fugir de animais selvagens é necessário quando se quer preservar a vida,
não há querer sendo a sobrevivência instinto que prevalece sobre qualquer
vontade provinda das razões humanas. Pois há varias formas de movimentos
corporais que eram praticadas na antigüidade. Hoje com o advento da ciência
vemos que a atividade física faz bem ao corpo e à mente, antigamente também se
sabia isso, porém de forma meramente prática, com duvidosas explicações.
Se você
nascesse na antigüidade provavelmente seria uma amazona ou um guerreiro, já que
gosta de fortes emoções, e de praticar movimentos corporais extenuantes.
Difícil iria ser você escolher ser um escravo ou escrava para carregar pedras o
dia inteiro recebendo açoitadas dos mais variados feitores, há gente que de
fato gosta de musculação, mas o problema é notarmos como é difícil encontrar
pessoa praticante de musculação que seja ao mesmo tempo sádica, masoquista e
que goste de receber ordens imperiosas, naqueles tempos provavelmente as
pessoas tivessem sequer a liberdade de escolher se seriam escravas, nobres ou
religiosos, mas de qualquer maneira exerciam suas atividades físicas, e isso
foi o que acabamos de concluir nestes pensamentos longínquos.
A discussão
principal a que me propus a construir este capítulo está baseada justamente na
influência cultural que recebemos em relação às atividades esportivas.
É uma
influência que pode ser tanto positiva quanto negativa, pois como sabemos nossa
sociedade preza em todos os aspectos pela competição, é refletida esta idéia no
âmbito do movimento físico humano, que passou a ser denominado esporte. No
trabalho devemos ganhar, assim como no esporte, e faço aqui uma crítica em
relação a isso, pois se nossas crianças ( da sociedade é claro ) são educadas
de forma a terem sempre que ganhar suas medalhas e competições ocorrerá, e
ocorre, uma grande calamidade, perdendo para valores de vida que são muito mais
importantes que uma vitória, eu diria que a vitória pode ser vista como o
cúmulo do egoísmo, enquanto que a confraternização é algo consideravelmente bom
para aqueles que querem conviver em uma sociedade harmoniosa. Sabe-se que
nascemos influenciados pelo meio em que vivemos em todos os aspectos, mas do
mesmo modo que João do tópico E, capítulo anterior não conseguia peneirar as
informações que recebia, a Ter assim uma opinião crítica, nós igualmente nos
contentamos com fazermos aquilo que
julgamos ser bonito, e ser um objetivo condizente, contribuindo para despencar
uma sociedade que poderia andar num caminho muito mais eficaz. Poderíamos aqui
estar falando de valores utópicos, mas não são estes dos quais estamos falando,
já que se pensarmos na antiga escravidão e sofrimentos de outros tempos é
totalmente condizentes em pensarmos numa sociedade pouco mais harmoniosa da que
vemos hoje.
Neste
contexto, vejo de prioritária importância a mudança de ensino de valores para a
humanidade, com certeza a vitória não se equipara à conhecer novos amigos e com
estes confraternizar em uma atividade que exija menos movimentos mecanicamente
executados, e em objetivos impostos de forma quase que autoritária.,
constantemente encontramos estes valores erroneamente já aplicados às crianças.
Numa
constatação infeliz vejo que a própria aplicação do esporte competitivo
aplicada às crianças e adolescentes da maneira que é aplicada é extremamente
necessária, já que após crescerem encontrarão por certo um mercado tão hostil
quanto é o esporte que fazem. Assunto de bastante importância este com o qual
nos deparamos, pois desta forma estariam estas crianças perdendo as graças da
infância em decorrência de uma aplicação de idéias culturais erradas. Pois se
perdem a inf6ancia porquê são ( sem que os pais e professores e elas próprias o
saibam ) treinadas para saber enfrentar os aguilhões da sociedade em que
estarão imersas num futuro, logo perdem um momento muito importante na vida.
Concluímos
que não é necessária a valorização do esporte competitivo, para quaisquer
pessoas, devemos encontrar a graça do correr com naturalidade, e
descompromissados, assim nos tornaríamos de certa forma crianças. Correr na
chuva, na lama e nos lugares mais inóspitos possíveis, sem que fiquemos ateados
às preocupações que nos cercam no dia a dia. Tanto nas crianças como em nós
adultos existe uma essência de alegria, esta está extremamente relacionada à
falta de obrigações ou imposições, ocorre que esta essência é mais evidenciada
nas crianças e ficando encoberta de forma bastante obscura nos adultos. Caso
você queira entender-me com clareza faça o favor de reler o capítulo anterior
por inteiro.
Já tive a
infelicidade de ver uma mulher correndo em uma esteira e ao mesmo tempo falando
num celular sem deixar de assistir o noticiário televisivo, pois isto trata-se
de uma completa falta de discernimento, já que a corrida deveria ser um momento
de desligamento do mundo em que vivemos, e, sendo este assunto divergente
iniciaremos outro capítulo neste instante.
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