Cap. 13 - AMPLITUDE DA CONTEMPLAÇÃO.
Grande treinamento de minha vida
De forma bastante agradável
Quero falar sobre a corrida
Sendo o primeiro dia amável
O grande treinamento de minha vida
É com grande prazer que despendemos
nossos tempos para contemplar um belo cenário da natureza. Me deslocando de
ônibus de casa para a faculdade é interessante notar qual está sendo a
movimentação nas ruas, o quê as pessoas estão fazendo, como andam apressadas,
os carros. A grande vantagem de estar em um ônibus é que você têm uma visão
privilegiada, de uma altura superior, podendo tanto analisar o quadro da
situação climática de sua cidade, quanto tentar decifrar as pixações
inintendíveis que se encontram em praticamente todas as paredes da cidade. Isto
é contemplar, ou seja: olhar, toda a contemplação pode Ter um sentido
diferente, segundo os olhos de quem está vendo. Posso olhar algo com
pensamentos escrachados ou de uma forma bastante otimista, procurando aprender
com o que estou vendo, ocorre portanto que a contemplação possui diversos
níveis de amplitude, de modo que eu aproveite mais, menos ou sequer aproveite
algo que contemplo.
A corrida é momento agradável a fazer
contemplação, o corredor pode ao mesmo tempo correr e deleitar-se com os
atrativos visíveis de uma cidade, ou de
quaisquer outros lugares, para expandir este assunto dividiremos entre dois
tópicos:
A – Paisagens citadinas e breve
relato dum sentimento possesivo.
B – Paisagem natural num
contexto abrangente.
A – Paisagens citadinas e breve relato dum sentimento possesivo.
Vejam a seguinte descrição:
“Todas as tardes lá estava
eu, correndo meus sagrados 15 quilômetros, o percurso específicos através de
determinadas ruas da cidade, até chegar ao parque e retornar pelo mesmo
trajeto. Cheguei a conhecer cada estabelecimento daquelas ruas, até mesmo as
pessoas que tinham hábitos de vivências da rua, como seguranças, motoristas
entre outros, a rua era de certa forma bastante conhecida. As casas e suas
arquiteturas sempre foram apreciadas, as novas construções eram logo notadas,
sempre me senti como sendo parte da história desta rua, como se chegasse alguém
novo, eu como já estando utilizando-a com antecedência tivesse mais direitos
sobre ela, dias de chuva, sol, frio ou calor, ali estava eu, sempre olhando os
detalhes daquela rua.”
Como vemos há um
singular sentimento de posse do corredor para com a rua, sentimento este que é
baseado através de um sentido histórico: estou há mais tempo portanto tenho
mais direitos, pensamento este que foge às características de nosso capítulo,
porém que são dignos de retratação, inclusive num possível capítulo à parte.
No que se refere à paisagem, vermos que
trata-se de uma visão citadina, onde através de vários pensamentos o corredor
se vê de certa forma ligado àqueles que o cercam, e se deleita com as formas da
cidade.
B – Paisagem natural num contexto abrangente.
Já dissertamos algo sobre correr em uma
paisagem natural, porém esta discussão não teve o mesmo contexto com o qual nos
deparamos neste momento, pois agora estamos falando especificadamente da
contemplação. Pois então quê se trata uma paisagem natural? Aquela que ainda
não foi transformada pela ação do homem. Com clareza devemos Ter isso definido
em nossas mentes, pois quando corre-se em uma pista de cooper, deve-se levar em
consideração que na maioria das vezes, esta pista já foi transformada pela ação
do ser humano, que planta as árvores aonde bem entende, com o intuito de deixar
determinado lugar esteticamente mais apreciável aos seus olhos, assim ocorre
que com a natureza verdadeira poucas vezes nos deparamos, a não ser que
estejamos vivendo em lugares que fiquem longe dos grandes centros urbanos.
Estas paisagens parcialmente naturais não deixam de ser agradáveis, mas não
constituem em uma paisagem totalmente natural, há uma grande diferença entre
correr em uma floresta que correr em um parque, pois é, segundo minha visão,
muito mais completo no ponto de vista de beleza correr-se em uma floresta.
Assim vejam a seguinte descrição:
“Já estava correndo há
aproximadamente duas horas e meia, através daquelas estradas planas, o ritmo
era agradabilíssimo ao corpo, um prazer incomensurável me dominava, já sabia o
percurso, o qual fazia quase todos os dias, pois o lugar não era
especificadamente de meu total conhecimento. Uma longa subida pela estrada, o
ápice da montanha e o declive, assim chegava eu a uma praia, cheguei ali, e vi
que estava ficando escuro, o dia se esvaia dando lugar à noite. A praia era de
2 quilômetros de extensão, decidi com alegria correr de um extremo para o
outro, e assim por diante. Era com grande prazer, que pouco antes de escurecer
me deliciava com a beleza que proporcionava a infinitude, haviam surfistas e
garotas das mais variadas delicadezas naquela praia, era um momento da mais
pura exibição de minhas capacidades físicas Como se fosse uma apresentação da
capacidade de quê é capaz um ser humano, corria neste ponto bastante rápido, e
justamente estava com uma camiseta bastante chamativa ( segundo o meu modo de
pensar ). As virtudes que se extrapolavam de minha essências eram devida tanto
ao sentimento de me sentir superior, fisicamente bem delineado e capaz aos que me assistiam ( ou mesmo que não
estivessem assistindo, porém real é que eu pensava que estavam me assistindo,
portanto é válida esta idéia.) quanto devidas ao sentimento de grandeza das
belezas naturais que me cercavam. Me ative a olhar a imensidão do horizonte e
do mar, anoitecendo fiquei impressionado que passara do dia para a noite sem
haver parado de correr, esta idéia foi de grande valia para aquele treinamento.
Do horizonte, do mar e dos sentimentos de superioridade minha atenção voltou-se
para o céu que apresentava-se nesta ocasião pleno de estrelas, eram muitas
estrelas, algo que eu não estou acostumado a ver, portanto fiquei em estado e
êxtase. Alguns uniam-se na areia e formavam rodas cantando canções com violão,
e eu continuava pertinentemente correndo, correndo e vendo toda a imensidão que
me cercava.”
Nesta larga descrição
percebemos que há uma diferenciação entre dois sentimentos diferentes:
Primeiro
sentimento: Exibição aos outros.
Um deles é o sentimento bastante
interessante de exibição aos outros que estão na praia, são exibidas três
características do corredor:
1)A primeira é devida à um sentimento de
superioridade por parte do atleta consiste na exteriorização de poderes
mentais, é como se houvesse uma indiferença exteriorizada através da seriedade
com que o corredor se porta durante o treino, por parte dele há grande vontade
que as pessoas que estão ao seu redor percebam esta seriedade.
2)Em seguida vemos algo relacionado à
parte estética e sexual quando se relaciona com esta demonstração o corpo bem
delineado. Esta característica é contrária às outras duas, já que a sexualidade
é instintiva, e a exibição de poder mental e físico é algo racional, mas com
lógica percebemos que as três características relacionam-se entre si.
3)Em terceiro há o sentido de capacidade
física que está comprovado no próprio ato de correr. O corredor quer aqui
mostrar que é bom naquilo que está desempenhando, já que há a seriedade da
postura mental, há também a seriedade de postura física, vemos isto quando ele
aumenta a velocidade, justamente para que os outros notem sua incrível
desenvoltura.
Breve conclusão: Concluímos nesta parte
que o corredor está em constante contato com as pessoas que o cercam, queira
ele pensar nisto ou não. A partir do momento em que entra na praia, quer
exibir-se à todos, damos à isso o nome de expressão corporal, ocorre que como
comentado antes, a exibição estética não está necessariamente relacionada à
vontade de exibi-la, enquanto que às outras duas necessitam de estimulo de
origem mental para serem procedidas.
Segundo
sentimento: Captação do meio.
Tal como se exibiu o corredor ao meio, o
meio se exibe à ele, e este corredor capta a exibição na forma de contemplação.
Há neste aspecto um forte sentimento de pequenez diante da magnitude da
natureza. A natureza é pois a dominadora, ao contrário do que ocorria no
sentimento que o corredor tinha comparando-se com os outros, ele então sente-se
totalmente ínfimo à tamanha grandeza. Mas não era ele próprio uma pessoa
superior? Não neste caso, fica ele feliz por ver algo tão belo.
De forma conclusiva a natureza é em seus
aspectos de grande beleza, capaz de transformar um corredor em um espectador,
não só da beleza, mas também dos movimentos que a natureza proporciona, pois,
vejam bem como o corredor se dignifica com o ato de haver passado do dia para a
noite correndo, o tempo é proveniente da natureza, e é caracterizado neste caso
com a diferença de luminosidade que apresentou a natureza. Vimos então que a
contemplação não se passa tão somente por parte do corredor para com o meio,
mas também do meio ( pessoas ) para com o corredor, vimos também que não se
restringe isso a ser somente uma contemplação sendo mais que isso: uma
comunicação. E a natureza? Conseguimos nos comunicar com pessoas e estas
conosco, através de olhares, comentários, gritos, gestos, corrida frenética,
beleza corporal, espírito de seriedade, mas não chegamos com veemência a propor
uma comunicação de nós para com a natureza propriamente dita, e dele para
conosco.
É de grande comicidade chegar ao cúmulo
de pensar que o ser humano não faz parte da natureza, pois somos seres vivos, e
vivemos no planeta terra. Poderíamos dizer que nossas criações e transformações
não fazem parte da natureza, seria esta uma afirmação mais cabível, porém o
fato é que nós fazemos parte da natureza, e assim sendo, a partir do momento em
que estou me comunicando com outro ser humano estou também comunicando-me com a
própria natureza.
A pergunta correta seria: Podemos nos
comunicar com a natureza com a exceção dos seres humanos? Creio que sim! Por
incrível que pareça há um determinado sentido de comunicação do homens para com
o meio que o cerca, pois se nos basearmos tão somente no fato de haverem
momentos em que o homens se sente inferior ou superior ao ambiente que o cerca
isso já é um modo de comunicação.
Se na cidade há um sentimento de posse, e
na natureza há um sentimento de inferioridade, são estes tipos de comunicação.
Expelidos por conceitos estéticos que proporciona a natureza. São estes em
nosso caso a beleza. É estranho pensar que coisas inanimadas comunicam-se
conosco, mas é todavia mais estranho pensar que nós podemos nos comunicar com
elas, isso já entra na parte de conceitos pessoas, pois a religião é exatamente
relacionada à este fator, ou seja: o homem querer se comunicar com a natureza de
sua própria existência, que é sumamente desconhecida.
No comments:
Post a Comment