Cap. 12 – PODER MENTAL
46 – Corrida da
canção infindável
Correr com a
alma
É sumamente
diferente
Que correr na fria
lama
Dos sentimentos não
coerentes
Andar com o coração
É inteiramente igual
Que cantar uma
canção
A não ser que sejas
tu mortal
Pois imortais todos
somos
Quando na alma
impomos
Sentimentos
verdadeiros
Inteiros e maneiros
Correr é como
entoar uma canção com toda a plenitude de sentimentos e emoções. É despender
toda uma energia que ficou acumulada criando uma sensação desagradável de
estagnação. Há pessoas inclusive que conseguem viver em harmonia sem praticar
quaisquer atividades físicas, não quero dizer que estas pessoas sejam
fisicamente saudáveis, pois como sabemos a falta de atividade física faz com
que o corpo não seja tão saudável quanto poderia ser. Mas do ponto de vista de
saúde mental estas pessoas podem ser normais. Fato que creio bastante cômico
quando penso que se eu não praticar atividade física por três dias consecutivos
fico bastante triste, vejam a seguir o seguinte relato, que mostra alguns
aspectos relacionados com o que estamos comentando:
“Tenho uma sensação de poder, somente
pelo fato de saber que sou corredor, que corro diariamente. Me sinto de certa
forma superior às outras pessoas, sejam elas quem forem. A corrida me
proporciona uma sensação de plena superioridade, começo a crer que tudo o que
me cerca é muito pequeno, seja qual for esta coisa... Sou um corredor, faço uma
média de 18 quilômetros por dia, sendo que dois dias por semana chego a 32
quilômetros, uma distância de 150 quilômetros por semana, logo vejo que é isso
que me faz sentir diferente em relação às outras pessoas. É como se eu tivesse
um poder que estas pessoas nunca poderiam Ter, não poderiam não porque não têm
a possibilidade, mas sim porquê falta em todos vontade, as pessoas são no geral
fracas de mente.”
Este texto mostra claramente as
características mentais de um corredor fundista. Segundo minha opinião pessoal,
caracterizamos um ser humano para ser corredor fundista não somente pelas suas
características físicas, mas principalmente por seus atributos mentais. A
corrida da maratona requer muito mais força de vontade que condicionamento
físico, é portanto uma prova que depende quase que exclusivamente das forças
mentais do corredor. Não é qualquer pessoa que consegue ser corredor de fundo,
antes de tudo deve-se saber quais são as características de seus pensamentos. O
grande problema está no fato de nossa sociedade valorizar o bem estar, quantas
vezes não nos deparamos com pessoas perguntando da seguinte maneira: - Mas você
não cansa de correr tanto? A canseira esta de que estamos retratando é uma
outra forma de viver, e à ela daríamos o nome de bem estar, outras pessoas
erroneamente imaginam que bem estar é estar em casa sentado em um sofá
assistindo seus programas prediletos. Grande falácia esta, imaginamos então que
bem estar é estar bem, estou muito bem quando estou correndo minhas exacerbadas
distâncias, é este um momento em que me deleito com minha capacidade física,
com meu corpo, eu sou meu corpo e gosto muito de saber quais são minhas capacidades
motoras, ainda que assim posso todavia desenvolver estas capacidades de forma a
aumentá-las e tornar-me poderoso como dissera antes
O poder é a
capacidade de conseguir algo. Assim como está na descrição supracitada ocorre
uma grande sensação de poder. O corredor consegue fazer algo que outras pessoas
dificilmente ou nunca conseguiriam, e quando este está ciente deste fato
sente-se poderoso, como se estivesse em um pedestal, e todas as pessoas fossem
de certa forma mesquinhas segundo sua visão, pode ele mostrar este poder de
diversas maneiras, e às vezes de maneiras mal educadas é claro. Como não
poderia deixar de ser devemos duvidar de todas às idéias que nos surgem aqui
nestas linhas, pois na verdade a filosofia é o questionamento de tudo, assim
sendo devemos perguntar-nos se o corredor realmente possui este poder. Não
estamos tratando simplesmente dos corredores, mas sim da verdadeira essência
dos seres humanos. Pois. Pode outra pessoa Ter este mesmo sentimento de
supremacia em relação à outras coisas como dinheiro, capacidades artísticas,
trabalho e outros mais. Estamos porém falando especificadamente dos corredores,
seria de certa forma inconveniente pensar que este poder todo é falso,
entretanto é idéia viável crer que é meramente uma situação totalmente
psicológica, que depende muito das relações sociais.
Explicar-lhe-ei o que quero propor. Uma vez que o sentimento de ser
poderoso é algo que só pode vir à tona quando o ser humano quer se comparar a
outras pessoas digo que é um sentimento que depende das inter-relações sociais.
Se um respeitável corredor de elite vivesse solitariamente no planeta não
poderia ele Ter este sentimento, de sorte que isso seria algo que iria de certa
forma ser uma arma a menos para que ele desenvolvesse uma posição psicológica
positiva em relação às suas corridas, já que, a idéias de ser poderoso trás
consigo grandes benefícios no que se refere à auto estima, e autoconfiança.
Retiro as palavras já ditas que este é
um verdadeiro sentimento, o poder é na verdade uma ideologia criada na mente
humana, não é real, é apenas uma idéia, é fato que é uma idéia que existe na
mente, porém só existe a partir do momento que é criada e só pode ser criada no
caso da pessoa querer comparar-se com outras.
É
providentemente necessário chegarmos à conclusão de que o corredor maratonista
é uma pessoa mentalmente diferenciada de outras, que por graça poderíamos
considerar como meros mortais, é até um sentimento egoísta, mas que feliz ou
infelizmente ocorre nas mais diversas situações. É cabível a afirmação de que
há duas coisas que estão sendo retratadas aqui:
a)
Sensação de
poder perante outras pessoas.
b)
Autoconfiança
/ Vontade
A – Sensação de poder perante as outras pessoas.
Atenção à
seguinte descrição e aos comentários adjacentes:
“Madrugada de uma Terça feira, acordei
derrepente, são exatamente 4:00 da manhã, fato bastante surpreendente que me
vêm ocorrendo a partir do momento em que comecei aumentar as metragens semanais
de corrida, acordo de madrugada em uma súbita situação, me dá vontade de
correr, faço contração com os músculos da perna, isso me traz um certo alívio,
desço até a cozinha, pão com geléia e muita água para voltar a dormir como se
nada houvera ocorrido.6:00 horas, e me desperto com uma facilidade muito
grande, por momentos perco a vontade de viver, neste breve momento sinistro
senão macabro perpassa por minha mente a idéia de que neste dia correrei como
todos os dias uma distância estratosférica. Nunca havia me acontecido algo que
trouxesse esta sombria sensação., mas parece ser um pensamento que somente me
ocorre ao despertar, pois minutos depois estou alegre e pronto para mais um dia
de luta”
O corpo humano se adapta às
diferentes situações em que é colocado, o corredor é uma pessoa que coloca seu
corpo em constante movimentação, os músculos ficam visivelmente mais fortes e
resistentes, enquanto que uma série de outras mudanças não visíveis ocorrem na
parte cardiovascular e na fisiologia em geral. Pois estando o corpo acostumado
a tantos movimentos executados diariamente ocorre que à noite passa a ser um
momento de anormalidade para o corpo, pois este fica parado e sente falta da
movimentação, daí a sensação de acordar de madrugada e querer contrair os
músculos da perna, e a sede é decorrente da falta de líquido corporal, mas há
um fator que não foi comentado, que provavelmente passasse despercebido pelos
leitores, não é que eu queira desmerecer os entusiásticos leitores deste livro,
porém o fato é que trata-se de um assunto de grande diferenciação, que por suas
características dificulta a percepção. As características mentais de um
corredor deste porte são normais? Não gostei muito de utilizar o termo
“normal”, e por isso julgo ser necessário mudar a questão, colocando-a da
seguinte maneira: As características mentais dos corredores fundistas são
iguais quando relacionadas à média da população? Ficando inteiramente pronta a
questão é necessário o intento de responder... Estamos aqui falando de pessoas
que executam uma atividade diária que requer grande quantidade de energia,
tanto energia física adquirida através dos alimentos quanto energia mental
adquirida através da constante auto sugestão. A auto sugestão é o combustível da mente, e faz com que o corredor
esteja sempre com vontade de correr, ou seja é uma grande criadora de idéias
positivas que trazem a auto estima. Agora seguintemente veremos uma relação de
idéias que fazem parte da auto sugestão:
a)
Eu sou
poderoso em relação às outras pessoas.
b)
Quase
ninguém consegue fazer o que faço diariamente.
c)
Sou bom no
que faço.
d)
Tenho noção
de meu treinamento semanal.
e)
Sei que não
é fácil fazer o que faço, porém sou batalhador
No entanto
ocorre que estas sugestões, sem a mínima intenção, podem vir a ser negativas.
Quando falamos das características mentais do corredor fundista dizemos que
estas não são iguais à média da população, pois ele deve ser uma pessoa
constantemente auto sugestiva, uma pessoa que tenha uma força mental muito
grande para a carga de trabalho que desempenha, do contrario irá definhar em
seus intentos de correr. Estamos aqui falando certamente de auto estima. Não
somente de vontade de correr, mas de vontade de viver. Veja bem leitor, que na
descrição há interessante confissão de sentimentos negativos em relação à vida,
tudo isso decorrente da carga de trabalho diária ser exagerada. Falamos aqui de
uma pessoa de certo modo estressada. Há um momento em que a mente não suporta
tamanha carga, e começa com isso a sugerir que não vale a pena viver. Estas
sugestões são dadas de forma inconsciente, sendo assim não são controladas pela
parte consciente do cérebro, e tratam-se de lapsos momentâneos, pois, como visto
somente no despertar ocorriam estes pensamentos descritos como sinistros. Não
alienando-nos da expansão deste assunto é lógico chegar à conclusão que a auto
sugestão vêm da parte consciente, enquanto que as idéias negativas vêm do
inconsciente, em decorrência da grande carga de trabalho. Necessário é
apresentar estes pensamentos de forma mais simplificada: A carga de trabalho
exagerada provoca uma necessidade de auto sugestão, se não haver auto estima
não se suportará a carga de trabalho. Tudo é na verdade uma grande luta entre o
consciente e o inconsciente, o primeiro apresenta suas idéias revolucionarias e
positivas, o segundo de forma embaçada e inintendível traz consigo toda a
tristeza possível.
Diremos que o
inconsciente é de certa forma distorcido, pode até não ser, porquê sempre
procuramos entende-lo através da razão, forma bastante errônea já que a razão
está dentro da parte consciente. Deve haver o equilíbrio entre estas duas
partes. É complicado ficarmos falando desta forma tão abstrata, na prática
ocorre que a pessoa tornando-se estressada em decorrência da excessiva carga de
trabalho passa à recorrer à sua auto estima, porém há um momento em que a auto
sugestão começa a perder para as idéias negativas, e isso irá seguramente
interferir no treinamento, seja diminuindo o êxito nos treinos ou seja parando
com eles sem entender a profundidade do motivo de haver parado. Chegamos à
brilhante, e simples conclusão de que a sensação de poder perante as outras
pessoas, a que é dado o nome deste tópico trata-se de uma auto sugestão
constante, que é relacionada aos valores de cunho social, e que como objetivos
ajuda ao corredor manter-se corredor todos os dias, todas as semanas, todos os
meses. É a busca consciente de auto estima.
É necessário
que não ocorra o fator estresse, para que consequentemente não venham a falhas
as auto sugestões, e para que assim transcorra devemos apelar para outros meios
de energização física e mental, e estas são provenientes da boa alimentação,
complementação nutricional, bom convívio social e outros fatores que não estão
diretamente relacionados à corrida, mas que em muito influem no estado mental
de um corredor.
Prosseguindo
com as descrições aqui está a 2a deste tópico:
“É quase noite e assim sendo aproxima-se o
horário de meu treinamento, isso me traz uma alegria compulsiva, chego em casa
às 7:00 e sei perfeitamente que se sentar por dois minutos não conseguiria
levantar-me mais, somente no outro dia, minha técnica consiste em tomar café
comer pouca coisa e ir nadar, após a natação há a corrida, após muitos
quilômetros chego em casa num horário relativamente tarde: 11:20 de espírito e
corpo novos com uma sensação indescritível de prazer e satisfação.”
Esta descrição só vêm a confirmar
algumas coisas que foram comentadas em relação à primeira, veja bem que o
personagem da descrição diz que se sentar-se sabe que não irá conseguir
levantar, isso aponta um cansaço extremo. Note também que o corredor precisa
pela sua própria fadiga física e mental de estimulantes, como a cafeína, para
que ajude no trabalho de quedar-se desperto e ativo. Isto está parecendo com um
moribundo que chega em casa e ainda sabendo de sua fadiga quer se reerguer das
profundezas do cansaço. Vemos que a mente precisa de um estimulo energético
através das auto sugestões supracitadas, porém somente agora percebemos que
além das auto sugestões que são estímulos provenientes da razão há também os
estímulos químicos, estes conseguidos neste caso através da ingestão de
cafeína. Há neste caso dois motores da mente, um de origem racional, e outro de
origem química. Daí concluímos que há muitas drogas utilizadas por esportistas
competitivos, e o motivo desta utilização dos ditos “doopings” é devida à
necessidade do corpo e da mente necessitarem chegar aos seus limites, os
limítes são quase impossíveis ou impossíveis de serem atingidos através de
situações normais, por isso há a implementação de substâncias que aumentem o
desempenho. Notamos grande contraste entre o momento em que este corredor
acorda para o momento em que está correndo, ou para os momentos posteriores à
corrida, isso mostra com veementemente que por mais que ocorra a luta do
inconsciente com as auto sugestões a corrida é uma verdadeira fonte de auto
estima, e neste momento fica incrustado a idéia de que somos vitoriosos em
nossa atividade. O corredor é imbuído nestes momentos de grande renovação de
sentimentos, idéias e força. Tanto na parte física quanto na mental ocorre uma
verdadeira renovação. Nos momentos em que chega do serviço há uma fadiga
incomensurável, porém após a corrida tudo parece estar diferente, os problemas
parecem haver se tornado pequenos, e o bom humor se apodera da pessoa.
Finalmente repetiremos as palavras extraídas da própria descrição: Sensação
indescritível de prazer e satisfação.
3a
descrição:
“Sentindo-me um verdadeiro super herói
olho para as outras pessoas, que vão aos seus trabalhos, estudam, se divertem
nas festas, e fazem todas as coisas que todas as pessoas fazem com grande
facilidade, mas logo vejo que elas não fazem 2 ou 3 horas de atividade física
intensa por dia, e logo comparo-me a estas pessoas, sempre que converso com
elas estou pensando que neste dia ainda haverá uma corrida intermitente através
da cidade. Louco? Todos os dias, utilizo-me de toda minha capacidade física, e
às vezes chego a sentir desprezo por aqueles que nem se quer gostam de praticar
exercícios. Minha mente é constantemente inundada das noções que querem me
diferenciar dos outros.”
Enfim chegamos à sensação que o
corredor têm de querer se comparar com os outros, algo bastante natural quando
falamos de uma pessoa que está acima de todas as médias de movimentação
corporal, pode chegar este a ser um sentimento negativo, que de certa forma
atrapalhe no convívio social, há momentos em que é importante esquecer-se por
completo da corrida e pensar e falar de outras coisas, justamente para
contribuir no contexto de vida mental completa, que não fique estagnada à um só
lado ou aspecto da vida. Funciona perfeitamente este sentimento para os
corredores obcecados por correr bem, pois como já vimos trata-se de um estímulo
mental, uma auto sugestão!
B – Autoconfiança / Vontade.
Vontade e autoconfiança são
dois adjetivos essenciais para um atleta maratonista, e para o corredor em
geral. Corredor de vontade é aquele que corre com devoção e bastante seriedade.
Correr, olhar para frente sem se importar com quaisquer coisas ou pessoas que
estejam ao redor. Quando se corre há pessoas que elogiam e outras que dizem
infâmias aos corredores, o corredor que possui uma verdadeira autoconfiança é
aquele que não responde aos às maledicências proferidas e sequer olha aos que
elogiaram, pois está inteiramente concentrado no que faz que não importa-se com
todo seu redor. São estes os fatores que fazem o atleta correr bem, assim é que
ele terá vontade de correr, e não de ficar se vangloriando ou bajulando com
pessoas que o elogiam, aliás, o atleta que quer ser bom no sentido de boa
vontade e concentração deve fugir dos elogios e ser humilde, pois esta última é
uma das características do autoconfiança, que não deve ser confundida com
egocentrismo. É possível ser humilde e autoconfiante ao mesmo tempo, assim esta
vontade torna-se plena e branda, mais harmoniosa que a vontade do egocêntrico.
No comments:
Post a Comment