CAP. 5- O DESGOSTO DA LESÃO
União com a
natureza:
Correr através
dos campos
Correr através de matas
verdejantes
Leve sinto-me, numa
contínua aventura
Correr com o corpo
Meu corpo é pleno em
todos os movimentos
Sou parte de toda
esta natureza
Correr com a alma
Pisar em barro,
terra, galhos, folhas
Ultrapasso meus
próprios limites
Estradas, trilhas e
pistas
Me dão o prazer de
uma linda paisagem
Gosto de correr
São pomposas
as saudações que envio à todos que com esmero lêem este livro, não apenas por
tão somente lerem com os olhos, mas também por sentirem e assimilarem com a
mente e com o coração. São palavras agradáveis estas que são apresentadas no
início destes pensamentos, justo porquê é bem-vindo o que é plausível, é
plausível o que é bem-vindo e é bem-vindo o que é pensado. Faço um breve
joguete de palavras para exprimir o quão grande é meu sentimento perante aquele
que lê o que se escreveu, a leitura em seu contexto completo, e não ínfimo e
mecânico como muitos o praticam.
A corrida é um
grande livro que se deve fazer, quê é a vida senão o próprio livro este de que
falo? Sendo a vida tal como a corrida um livro vivemos escrevendo,
incessantemente as frases são feitas, algumas delas porém, devem ser corrigidas
por não haverem ficado com a devida harmonia. Um corredor portanto pode fazer
um treinamento inadequado e por isso haverá de retificar seus erros num período
de tempo posterior.
Assim ocorre,
vivemos fazendo coisas erradas tais como correr de maneira inadequada,
posteriormente colheremos os frutos ou o que seja que tenha sido plantado. Pois
se um treinamento ou mesmo alimentação é inadequada ocorre que mais tarde virão
as conseqüências desagradáveis. O problema é que enquanto estamos fazendo uma
corrida excessiva por exemplo, não nos apercebemos de que esta corrida está
sendo desempenhada incorretamente, esta é justamente a função de um mestre, que
ensinará o correto através da experiência adquirida por prática e/ou estudos.
Sempre é interessante seguir os conselhos de um corredor que já passou por uma
determinada situação, para que não sejam repetidos os mesmos erros.
Bastante
curioso este capítulo haver começado com esta espécie de poema, fato que a
pesar de curioso intenta demonstrar toda a gratidão que tenho para com a
corrida. Há um dito que diz que tudo em excesso faz mal, e é realidade que se
não praticamos determinados procedimentos para prevenir as lesões estaremos
sujeitos a ter uma, não é um presságio, mas simplesmente a mais pura realidade.
É necessário tomar muito cuidado com as lesões, e, praticando alongamentos,
colocando compressas de gelo, utilizando calçados adequados e correndo da
maneira mais correta nos locais adequados estaremos ajudando em muito a
prevenir as lesões.
A corrida é
fonte de inspiração, traz ao corpo e à mente grande harmonia quando bem
executada, pois do contrário o desgosto e a tristeza serão companheiros
inseparáveis, sem querer ser trágico, mas já sendo digo que quem corre de
maneira errada não será uma pessoa plena. Tudo isso aprendi por experiência
própria, quando me lesionei. Tendo que parar por meses de correr, o que me
deixou constrangido por me obrigar a mudar alguns hábitos que tinha em minha
vida ( correr especificadamente ).De certa forma a lesão me tornou uma pessoa
triste não posso negar, aprender é a palavra que não constava em meu
vocabulário, e correndo grandes metragens semanais passei a ser uma pessoa
indiferente aos que não o faziam, mais ou menos me achando superior deste ponto
de vista. Ser um atleta em recuperação me tornou uma pessoa mais tranqüila,
parece que somente uma coisa destas poderia fazer com que eu parasse de correr
desta maneira, chegando em casa às 11:30 da noite, após fazer treinamentos de
natação e corrida. É lógico que o estado mental no que se refere à todos os
seus detalhes de uma pessoa que pratica tanta atividade física semanal não é o
mesmo que uma pessoa “normal”, os pensamentos parecem estar envolvidos por uma
esfera de superioridade, e igualmente todas as relações sociais. É muito
convincente chegarmos à esta conclusão já que correr uma média de 100Km por
semana ou 120Km é algo bastante árduo e difícil, e as pessoas que realizam
feitos difíceis devem ser pessoas não somente fisicamente preparadas, mas acima
de tudo mentalmente fortes e muito concentradas em seus objetivos. Vontade é a
palavra chave no que se refere aos maratonistas. De onde vêm tanta vontade?
Seriam pessoas problemáticas? Falta algo ou há excesso no cérebro? Disse isto
de maneira pouco atrativa, mas é algo interessante para se pensar: há uma
porcentagem da população que se interessa em descobrir e experimentar os
limites da capacidade física e mental do ser humano. Por quê fazem isso? É esta
uma necessidade de todos os seres humanos? Qual seria a personalidade ou
característica mental comum a todos os maratonistas ou corredores de longas
distâncias? Haveria uma característica mental comum à todos?
Tudo isto está
dito de maneira que venhamos a pensar que o que provoca as lesões não são tão
somente as corridas praticadas de maneira incorreta mas principalmente as
atitudes mentais relacionadas à corrida.
As lesões são
sinais de que o corpo não agüentou os excessos da mente, ou poderíamos dizer
que a força mental foi tão grande que o corpo desfaleceu. É sinal de que a
força mental não tem tantos limites como possui o corpo, e que esta força não
deve ser utilizada somente com o apoio dos sentimentos, mas principalmente com
a ajuda do discernimento e da razão. Nisso tudo encontramos um tema muito
interessante para debater, sem sombra de dúvida tanto o corpo quanto a mente
possuem suas características peculiares, os corredores utilizam-se de forças
mentais para efetuarem seus respectivos treinos. Quando a vontade é excessiva
ocorre que o corpo não acompanha este desenvolvimento, de caráter mental, da
forma devida. Foi dito que as características relacionadas ao pensamento não
possuem limite, ao mesmo tempo que as mentais estão com seu limite estipulado.
É uma idéia bastante condizente, já que o corpo é algo mais tangível ( por
assim dizer: mais fácil de estudar ), é viável pensar que as lesões provém de
um desequilíbrio do corpo para com a mente, pois o fato de um ser humano ter a
capacidade de correr 200 quilômetros em uma competição diz certamente que quem
o faz é uma pessoa de excessiva força mental, veja que outro corre apenas 100 e
se lesiona enquanto que este primeiro não. Qual seria o motivo de tal fato? O
desenvolvimento de forças mentais e corporais deve ser alinhado, contínuo e
progressivo. Do contrário ocorre o desequilíbrio anteriormente citado. A
indesejável lesão é incitada a partir do momento em que minha força mental é
incomparavelmente maior que minhas capacidades físicas, assim descobriríamos
que um do segredo do bom corredor seria reprimir a vontade de correr, o que
muitas vezes é bastante dificultoso por tratar-se de um processo mental com o
qual muitos sequer conhecem, e por isso não sabem dar-se com este tipo de
situação. Para que o leitor não perca-se em devaneios citarei um exemplo de
caráter prático: o corredor deve no início de um ano, visto de longo prazo,
fazer o “treino de base”, entretanto este treino deve ser feito em velocidade
devagar ou moderada, se sua força mental é demasiada ele irá querer aumentar a
velocidade, e respectivamente lesionar-se-á devido ao fato de que seu corpo se
encontra todavia débil à tamanha exigência mental. Por estes fatores devemos
constantemente vigiar qual a atitude mental que tomamos nas corridas,
comparando isso com nosso nível de treino.
O
desconhecimento ou a ignorância são grandes inimigos, estes podem provocar uma
lesão bastante desagradável, veja que às vezes podem tratar-se de coisas
simples porém importantes, que num prazo prolongado mostram a face da verdade,
se é assim uma maneira concreta de expressar-se. Pois o simples fato de se
correr em asfalto ou grama pode ser fato preponderante no destino de um
corredor, o problema específico que tratamos aqui é quando este não sabe se
existe ou não diferença entre correr neste ou naquele tipo de terreno, a
desinformação é portanto algo de caráter negativo, que pode causar danos ao
desenformado.
Há também os
informados insistentes, estes poderíamos classificar como “burros” no
significado oculto desta palavra, já que estando eles sapientes de alguns erros
que cometem, o fazem. Talvez por simples e sarcástico prazer, falta-lhes a
consciência que abrange o maior prospecto da corrida: o futuro. Alguns detalhes
são bastante incômodos, e através do tempo podem causar danos quase que, ou
propriamente irreversíveis, outros destes detalhes podem ser mesquinhos, e
também incômodos ao mesmo tempo, senão algumas vezes herdeiros de grande
comicidade como veremos nos relatos das duas descrições que virão à seguir.
Pode ocorrer de o leitor não os considerar como lesões propriamente ditas, como
supostamente não os considera o autor, neste caso deveríamos aqui dividir todas
estas maledicências e mal agouros em distintos grupamentos tais como:
A - Lesões
propriamente ditas.
B - Fatos
irrisórios, dignos de comicidade.
A – Lesões propriamente ditas.
Em termos
gerais já abordamos sobre esta parte, sendo que trata-se de um desequilíbrio
entre a força de vontade ou força mental e a força ou resistência física.
B – Fatos irrisórios dignos de comicidade.
Inserem-se
aqui nossas sobrescritas descrições, não consideradas propriamente leões mas
talvez como desgostos, porém se aprofundarmo-nos um pouco mais há de se
ressaltar que uma lesão pode ser originada por divergentes fatores, e pode ser
representada por diferentes fantasias. Não quero aqui ficar jogando com as
palavras de forma desregrada, muito pelo contrário, explicar-me-ei: lesão seria
tudo aquilo que é considerado malévolo, neste contexto um palavreado horrendo
proferido à quaisquer pessoa é um tipo de lesão, podemos classificar isto como
lesão mental, isso se este maldito palavreado afetar a pessoa à qual ele foi
transmitido, pois cada pessoa possui um nível de receptividade diferente,
podendo chegar ao nível de sequer dar importância ao fato, ou no lado oposto
desta moeda a pessoa pode ver-se extremamente ofendida com o palavreado e
chegar à tal estado de consternação que num ato de extrema excitação vir a
pedir satisfações ou mesmo esbofetear a cara do originário negativo palavreado.
Isso se deve ao fato de que cada pessoa reage e sente de maneira diferente às
mesmas situações. Pode como vemos um mal educado facto originar diferentes
reações, estas são as fantasias de que falei anteriormente. Inseridos neste
contexto apresentarei duas descrições, estas que devem respectivamente sendo
bastante esperadas por parte do leitor, já que à tempos estão sendo comentadas
sem no entanto descritas. Aqui vão:
“Me preparei para correr num ato de grande
organização, de forma metódica amarrei o tênis, arrumei o shorts, disc-man e
cronômetro zerado. Após os alongamentos devidos iniciei a corrida de forma leve
e solta num percurso entremeado na cidade já determinado, correndo pela cidade
cheguei até uma praça específica, no trajeto pensei ser bastante interessante
ir àquela praça pelo fato de que lá encontrar-me-ia com outros corredores.
Chegando vi que realmente haviam outros correndo alegrei-me com isso, velocidade
moderada pois faço o período de base, espero que consiga controlar bem a
velocidade. Logo surge correndo ao redor da praça, tal como faço eu, um outro
corredor, bastante conhecido por min, conheço-o de vista há tempos e sei que é
bastante rápido, não me contento nesta velocidade e aumento bastante, na medida
do possível é claro. Surge-me uma dor desagradável em um dos dedos do pé, neste
momento pensei ser uma bolha ou algo semelhante, desvio meus pensamentos que
somente por breves momentos ficaram atidos à esta dor. Minha atitude é de total
indiferença para com quaisquer pessoas que estejam em meu trajeto. Ao terminar
o treino, já em casa me deparo com uma horrenda visão digna certamente de
receber críticas: a meia do pé em que me doía o dedo se encontra ensangüentada,
constatei após algumas exclamações e espasmos mentais que a unha ficava
raspando no dedo que se encontrava ao lado e assim se abriu uma ferida que
sangrava continuamente. Parecia porém que a meia fora embebida em tintura,
tamanha era a sorte de líquido sangüíneo que nela se incrustara.”
Quê concluímos
nós desta descrição? Baseados nos preceitos deste capítulo diremos que o
corredor tentou se manter numa velocidade moderada, pois sabia que se
encontrava num treino de base, porém sentindo-se desafiado por um velho
conhecido de vista aumentou consideravelmente a velocidade, erroneamente já que
sua vontade está neste caso em estado superior ao seu corpo. Outro fator
interessante é que este corredor precisa urgentemente cortar as unhas dos pés,
para que não se machuque desta maneira, é ciente do que se há de fazer, e se
não o faz é por lapsos de ignorância, se desconhecesse a causa de seu
sofrimento tudo seria devido à falta de informação, porém conhece a causa e
deve estripai-la. Provavelmente não seja esta uma descrição deveras cômica por
haver muitas citações relacionadas à sangue e sofrimento, mas devemos nos
certificar que é certamente um caso de detalhe. Há portanto algumas lesões que
são originadas por detalhes ou nuanças que não nos apercebemos, e que causam
situações desagradáveis. Gostaria de saber por parte do leitor se este
considerará o caso seguinte como um detalhe ou uma impróspera e estratosférica
tragédia...
“Mais um dia de corrida, aprontei-me
rapidamente e me dirigi ao parque. Por curiosidade um dia de bastante chuva,
certamente alguns corredores aventureiros lá se encontravam em seus atos
prodigiosos senão até comunistas, se é que assim posso dizer pela grande força
de suas persistências. Alongamentos à parte se iniciou o treino. Foi de grande
surpresa quando notei que à medida que corria meu shorts caía, não posso dizer
porém que fora este somente um fato surpreendente como também estapafúrdio ou
infeliz. Após poucos quilômetros já me adaptara à nova situação, pois inventei
neste meio tempo uma técnica apropriada para que o shorts não caísse por
inteiro, esta consistia em manter uma das mão bastante perto do shorts já
preparada para levantá-lo. Minha Segunda preocupação ( inventar esta artimanha
fora a primeira ) se tratava de fazer isso de certa maneira que ninguém se
apercebesse o que estava sendo feito, o que na realidade era bastante difícil
por eu não ter mãos invisíveis. Sem temer outros transtornos prossegui o treino
firme e forte, me arrependendo sinceramente pelo azar de ter pegado este shorts
digno de comicidade da gaveta. Para meu alívio era um dia de bastante chuva, me
sentia agraciado pelo fato das pessoas fugirem deste fenômeno climático, do
contrário estaria eu numa cilada.”
Julgo que seja uma descrição bastante
interessante do ponto de vista técnico, já que tratamos aqui de lesão, ou mesmo
lesões desgostosas, assim podemos constatar com grande facilidade que esta
tratar-se-ia de uma lesão moral, já que o corredor sentiu-se malogrado com a
situação em que se encontrava, pois tinha bastante receio de que outras pessoas
se apercebessem de sua inusitada situação, e se aproveitassem disto para caçoar
de sua pessoa. Com grande sorte isto não ocorreu, a chuva lhe salvou por assim
dizer, notamos com bastante discernimento nesta altura de nossas dissertações
que há lesões tanto morais quanto físicas, no último caso não ocorreu uma lesão
propriamente dita, mas somente o receio de que uma pudesse a vir à tona, e
ainda assim dependeria da receptividade do corredor como já visto
anteriormente. Pode haver o fato de uma lesão física ser acompanhada por moral,
como considero eu numa ocorrência que veremos a seguir:
“Estava lá eu meado numa competição, o
objetivo era completar num ritmo moderado, já que estava ciente de minhas
condições, que não eram as melhores por falta de treino. Tinha bastante
persistência, quase ao final dos 15.000 metros aproximou-se de min um rapazote
bastante baixo e gordo, que me disse algo de extrema baixeza e num ato jogou-me
água, fiquei com isto extremamente indignado, e respondi-lhe à altura,
continuando minha corrida, porém já tendo perdido com isso toda a concentração
e estando certamente me sentindo mal com isso.”
Podemos ver com tudo isto que fora
explanado que houve neste caso dois tipos de agressão por parte de um baixote
gorducho, que num ato refutável de total imprudência fizera tudo isto o que não
vejo necessidade de repetir, ocorreu que o corredor respondeu-lhe à altura,
tratou-se certamente duma lesão mental ou moral e a partir do momento em que a
água lhe fora mau vinda uma lesão física, assim está dito lesão mental e
física. Para que cheguemos à uma conclusão útil neste caso, que na realidade
não é nem um pouco cômico devemos perguntar quais deveriam ser os procedimentos
do corredor. Creio que no Capítulo 4 na parte de Indiferença para com os adversários encontramos a resposta,
iríamos utilizar o que poderia ser chamado de indiferença para com a platéia,
ou para com os infames para ser mais específico. O atleta é por assim dizer
indiferente para com tudo e para com todos, não se envolve psicologicamente com
nada que está ao seu redor, uma pessoa fria e meticulosa, privada de
sentimentos, assim seria o atleta ideal para se esquivar destes tipos de
acontecimentos. Pode parecer bastante estranho, mas esta é uma solução bastante
apreciável.
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