CAP. 3- O TREINAMENTO PERFEITO
Qual é o treinamento mais perfeito de todos? Treinamento perfeito
seria aquele que traz benefícios físicos à pessoa que treina, como por exemplo
o fato de trabalharmos a parte cardio vascular do corpo isso segundo o
profissional ligado à área de saúde. Ocorre que podemos considerar o
treinamento perfeito aquele que gostamos, porém podemos estar gostando de um
treinamento específico e este estar fazendo mal à nosso organismo. E por quê
gostamos de algo que nos está fazendo mal? Primeiramente devemos considerar que
tal corredor pode não estar sabendo que correndo de determinada maneira está
fazendo mal à seu organismo ou mesmo à sua mente. A primeira medida de
prevenção seria inicialmente conhecer quais são os tipos de treinamentos, como
são procedidos os mesmos e para quê servem cada um deles, para que assim sejam
utilizados no momento certo e da maneira correta.
O corpo humano
possui um limite, e ele mesmo nos mostra isso através de sua linguagem: a dor.
A dor é um sinal de que algo não está certo, de que se está passando os
limites. Infelizmente muitos corredores não sabem ou mesmo insistem em não
ouvir a linguagem que o corpo está passando. Inadiavelmente mais tarde haverão
conseqüências tristes. Através de diversas substâncias podemos dopar nosso
corpo de forma que este não tenha mais a sensação de dor, e assim podemos
correr tão rápido quanto podemos. Fato bastante incorreto, porém que ocorre no
esporte, principalmente na parte competitiva.
Voltando ao
tema base, devemos nos ater para o fato de que o treinamento perfeito é todo
aquele que me traz prazer não importando qual o tipo de prazer. Posso eu estar
correndo e sentir dor, mas neste momento estaria eu pensando em um filme muito
emocionante o qual assistira na véspera com tema ligado ao esporte, e com isso
minha vontade e meu desejo de vencer tenha aumentado de nível, com isso posso
dizer que meu prazer mental é imenso a pesar de que fisicamente eu esteja em um
estado não muito apreciável. O contrário pode perfeitamente ocorrer, ou seja,
me corpo se encontra em estado perfeito e sinto um prazer físico de tamanha
grandeza que isso me deixa extasiado, pois sei que tenho grande controle de meu
corpo, tenho muita força e resistência, meus movimentos são perfeitamente
controláveis e com isso me sinto bem, porém estou desgastado mentalmente com
alguns fatos ou com algumas idéias. Quê aconteceria então neste caso? O
rendimento cairia? A questão de que estamos tratando aqui agora pode parecer simplista,
porém não o é. Quem sou eu? O quê sou eu? Posso responder que sou um ser
humano. Esta resposta parece ser perfeitamente viável se pensarmos de uma forma
mais direta, mas ocorre que o ser humano é dotado de tantas capacidade que por
isso não conhece todas as suas capacidades. O mundo mental que faz parte de min
sou eu? Meus pensamentos são meus ou eles são o próprio eu? Pois se eu digo que
meus pensamentos são sais e tais eles não fazem parte de min, pois simplesmente
são de minha posse. Poderíamos então dividir os pensamentos entre aqueles que
são meus e os outros que são o eu, e estes últimos seriam os pensamentos mais
profundos os quais não conheço ou tenho uma idéia muito superficial deles.
Se eu sou meu
pensamento meu corpo faz parte de min? Não necessariamente, pois o corpo
poderia ser neste caso apenas um instrumento para min ( para os pensamentos )
adquirirem experiências conhecimentos e emoções que na verdade são os
pensamentos superficiais e os profundos dos quais faço parte integrante.
Esta discussão sobre o quê sou pode parecer um pouco louca, mas é
interessante ver o por quê de terem surgido estas idéias. Vejam bem leitores:
Se sou meus próprios pensamentos, é evidente que se pensar em coisas triste
tudo se refletirá para o corpo, mas, se do contrário sou meu corpo, Quanto
melhor eu controlá-lo e treinar com boa vontade isso se refletirá em minha
mente.
Poder-se-ia
dizer que nem uma nem outra idéia são verdadeiras, há de haver um equilíbrio,
eu diria que quando estou praticando atividade física eu sou meu corpo e
utilizo minha mente ao meu favor. Quando estou pensando, lendo ou raciocinando
sou minha mente mas lamentavelmente não utilizo o corpo para ajudar no meu
entendimento imaginativo do que faço, mas é muito claro que meu corpo influí em
meus pensamentos pois nada melhor que um corpo saudável para ler um bom livro.
Pacientemente vocês devem estar se perguntando qual é o sentido da última frase
citada anteriormente, se baseia justamente no fato de que nossos corpos são
verdadeiros laboratórios químicos, sabendo-se que a atividade física influi no
corpo liberando hormônios e outras substâncias, nada melhor que chegar à
conclusão de que a corrida influindo nos processos químicos do corpo influirá
também na atividade cerebral já que o cérebro está ligado à corrente sangüínea,
e dela extrai diversas substâncias.
É se
necessário, para facilitar o entendimento da matéria, citar algo que tenha
caráter mais prático. Um amigo que é nadador de Borboleta treinou bastante para
um determinado teste, chegou a conseguir em seus treinos o índice necessário
para passar no teste, infelizmente ocorreu que no momento do teste, a pesar de
ele estar em seu auge físico não conseguiu a mesma marca. Sabe-se que o único
motivo causador desta má performance teve origem mental, pois seu corpo estava
nas melhores condições possíveis. Quem é ele? Seu corpo ou sua mente. Por quê
falamos: - Meu corpo ficou todo doído; E não: - eu fiquei dolorido; É até
engraçado analisarmos estas duas frases pois se o corpo é teu ele parece ser um
bem ou objeto que você está visualizando de fora. Da mesma maneira dizemos: -
Meus pensamentos eram instáveis; Também nos encontramos em uma situação
bastante cômica, pois que são seus pensamentos senão você? Deveria-se dizer: -
Eu era instável. Destes divagares encontramos duas teorias contrapostas que
poderiam resolucionar este problema: ou sou o corpo e a mente ao mesmo tempo ou
sou algo que foge aos dois e está além de minha compreensão. Voltando então à
prática vemos que se este colega estivesse se concentrando somente em seu corpo
teria ele se saído melhor, já que sua mente não se encontrava nas melhores
condições, pois ele é seu corpo, seu corpo é perfeito, logo ele será perfeito e
não apresentará quaisquer tipos de problemas durante a competição, lógico que
antes e depois igualmente.
Tudo depende
de como trabalhamos o corpo e a mente, à vezes um bom treinamento depende de
detalhes que não conseguimos perceber.
Tudo está
posto de uma forma bastante direta, sem que eu tenha entrado em detalhes, os
quais confesso a vocês que não me aprofundei, porém está dada uma idéia
inicial, importante para que pensemos e reflitamos sobre estes assuntos.
Insisto neste
tema de forma lúcida e pormenorizada, porque no fundo o que importa no ser
humano é o prazer, vivemos constantemente atrás do prazer, é viável e lógico
que o treinamento perfeito seja aquele que proporciona maior prazer, seja este
prazer físico ou mental. Acontece que as pessoas geralmente acham difícil
conciliar a dor ao prazer. As coisas que provocam maior alegria na vida são
aquelas que requisitaram grandes dificuldades, logo encontramos a praxe de que
a dor provoca prazer. Claro que podemos diferenciar alegria sincera de prazeres
supérfluos, quero concluir com tudo isto que a corrida pode provocar tanto
prazeres que se encontram na margem da felicidade tanto como nas profundezas
das realizações, requisito agora, caríssimo leitor, laivos de tua atenção para
com a respectiva descrição, da qual agarraremos bastante proveito.
“Um dia de bastante sol é verdade!
Exatamente 30 graus célcius, esta era a temperatura quando às 3:00 da tarde
decidimos sair correndo pela cidade, eu a pé e um colega de bicicleta. No
decorrer do trajeto comecei a sentir que não estava realmente acostumado a
correr com aquele sol, é verdade, pois é inicio de treino. Faço apenas
treinamento de base, mesmo prevenido com boné suava a grandes flancos, o que me
deixava em estado de ardor. Meu tênis começou a esquentar, neste momento
concluí que o asfalto parecia mais uma frigideira que outra coisa. Chegamos ao
objetivo: o local da inscrição de uma corrida determinada, fizemos a inscrição
e fomos ao treino no parque. Bastante arborizado e com trilhas apreciáveis.
Olhamos ao céu e sem que trabalhássemos em quaisquer empresas de previsão do
tempo logo notamos que iria ocorrer algo como uma tempestade, ou chuva bastante
forte. – Não! Nada de desistir, se não haver raios não há perigos... – disse
eu, enquanto acorrentávamos a bicicleta num poste, pois assim ocorreu: a chuva
caiu numa tempestuosa onda de gotas pavorosas, enquanto nós dois corríamos sem
nos preocupar com a ímpia chuva, a trilha por certo que estava abarrotada de
barro aquoso, porém a concentração e o objetivo eram as duas palavras que mais
martelavam nossas mentes, olhando para frente, não há neste momento
preocupações de caráter mesquinho tais como onde estou pisando, a lama, a água,
as raízes, a grama e tudo o mais que possa a vir no transcorrer do trajeto não
são mais que hilárias piadas num caminho bastante diversificado.
Incomensuráveis possas de água, gigantescos lamaçais São simplesmente
ignorados, enquanto as passadas são impostas de forma rítmica e avassaladora,
nossas roupas se enlameiam completamente, fato que é igualmente ignorado enquanto
o olhar se prostra ao horizonte, ao objetivo, à sina de ser uma pessoa que leva
à sério aquilo que faz, e que não se dá conta dos aspectos mesquinhos como o
que chamariam de sujeiras os ignóbeis... Ao chegarmos numa lanchonete para
recompor as forças com água, as primeiras palavras que escuto de um homem o
qual penso ser o dono são: - Esta chuva estragou o dia.”
Seria possível
relacionar este sobrescrito treinamento ao que julgamos ser um treinamento
perfeito? Seria interessante compararmos a opinião do dono da lanchonete ao
sentimento do corredor em relação ao tempo, pois este primeiro encontra um
clima desgraçado, enquanto que o segundo vê todas as proporções da chuva como
um desafio, que possui até certa graça de ser traspassado. A perfeição de um
treino não encontra-se exclusivamente na velocidade ou no tempo que logrou o
corredor, mas sim nos sentimentos que são expandidos de seu ser. Asseguro de
que neste mesmo dia muitos outros corredores se desagradaram com o clima,
enquanto que este corredor se divertiu com as poças de água, com a lama e com
todas as travessuras que fez no treinos, tais como quase cair diversas vezes.
Assim funciona o ser humano, alguns vêem um fato como horrível, enquanto que
outros vêem o mesmo fato como algo de extraordinária beleza. Dito isto está
visto que o treinamento perfeito é aquele que traz maiores alegrias, não quero
porém me restringir a dizer que a corrida funciona simplesmente como uma
máquina anti-estresse como muitos dizem, pois na verdade traspassa esta vulgar
definição, sendo fonte de alegrias infindáveis. Veja que não há somente o lado
positivo desta que retratamos aqui, como há escabrosos fatos relacionados à
mesma, porém buscamos nesta parte do livro falar sobre os aspectos positivos.
Por quê não poderíamos discutir sobre quais as máximas proporções positivas da
corrida? Sabemos que as máximas proporções positivas incitam a perfeição, sendo
que discutimos sobre perfeição logo buscaríamos o máximo de proveitos ligados
ao benévolo. Há a ressalva de que a perfeição não pode ser atingida, porém é um
dito bastante duvidoso já que não há um real conceito do quê entenderíamos como
perfeição.
Pode-se dizer
que é sinceramente perfeito o recorde mundial da distância da maratona, como
também podemos considerar o treino supracitado como de caráter perfeccionista,
porém tudo dependerá única e exclusivamente dos prismas que utilizamos para
visualizar a perfeição. Vou aqui dizer que nossa última descrição tratou-se de
um treino de grande alegria e meninice, que trouxe uma realização incomparável
a nível de expansão mental ao corredor, e no que concerne ao recorde mundial
diremos que o atleta também se realizara, porém diferentemente já que se trata
de superação física, e possivelmente uma expansão à nível ideológico, mas nunca
algo de grande alegria, já que trata-se de limítes físicos e mentais e por
assim dizer: dor.
Dividimos
então o treinamento perfeito em suas duas distintas características:
A – Treino de
grande alegria
B – Treino de
superação física.
Assim está
dito que há dos tipos de perfeições a serem conquistadas pelo corredor,
dependendo de seus enleios, veremos agora cada uma delas em separado...
A – Treino de grande alegria.
Tal como na
descrição há muita seriedade neste treino, mas há um caráter de meninice, que
provém do descompromisso com a velocidade ou com o tempo, e até com o fato de
atravessar-se terrenos dos mais hostis. Veja como é incrível a constante
indignação que o corredor têm com o fato de o dono de um estabelecimento crer
que aquele dia estivesse horrendo, enquanto que sua opinião era totalmente
diversa. Naquele dia de chuva certamente a corrida estava muito mais perfeita
que se não estivesse chovendo, a chuva proporcionara certa aventura e que fora
certamente sensação que de outra forma não poderia ser incitada. O ser humano
se distanciou de sua própria naturalidade de forma espantosa, senão de uma
forma tão horrenda quanto a forma que ele crê ser um temporal, há aversão a
molhar-se, aversão ao barro às arranhaduras da mata à cair numa poça, o que por
incrível que pareça tratam-se de fatores tão naturais quanto sua própria
essência, e que acima de tudo trazem à ele a sensação agradável de bem estar.
Tudo certamente proveio do contínuo e progressivo comodismo gerado pelo
“desenvolvimento” da sociedade, desenvolvimento este que por outro ângulo, nada
apreciável, pode ser chamado de decadência. Estamos inseridos num contexto de
discussão bastante interessante, em que se confrontam duas vertentes da
sociedade: os satisfeito comodistas que reclamam os fenômenos da natureza, e os
insatisfeitos que reclamam dos “fenômeno da sociedade”. Não faço apologia ao
primitivismo, porém creio que seja viável uma maior integração aos dois valores
referidos. O treino de grande alegria o qual referimos está relacionado aos
fatores naturalistas, ou de natureza propriamente dita, pode ser um treino de
grande alegria que seja esta alegria causada por outros motivos, como está
visto no Capítulo 16; Bom humor. Andemos
agora ao outro tópico...
B – Treino de superação física.
Encontramos
aqui a tão almejada perfeição, porém de forma divergente, nem melhor nem pior
que a anteriormente explicada. A mais vangloriada e valorizada perfeição
considerada pela sociedade. Talvez seja um grande erro apenas valorizar este
tipo de perfeição, porém é decerto que é digna de grande consideração, já que
ensina ao próprio ser humano quais seus poderes e capacidades, e o quão
distantes estes se encontram distantes do auge, já que a perfeição propriamente
dita é bastante difícil de ser atingida senão impossível. Vemos isto claramente
na constante quebra de recordes durante competições das mais diversas, todos
somos influenciados de grande maneira pelos motivos competitivos, é certo que
estes causam grande euforia em nossas pessoas porém creio que está esquecida a
brincadeira e os valores de alegria e graça da corrida vistos no tópico
anterior, sem querer fugir do assunto direi que a capacidade física dos humanos
é muito alta, tal como era a milhões de anos atrás, porém diminui cada vez mais
ao invés de lamentar, acredito que a sucessiva quebra de recordes é uma falsa
impressão, já que a sociedade encontra-se cada vez mais comodista e satisfeita
com os prazeres supérfluos. Veja você mesmo que antes havia grande necessidade
de movimentação física, tanto nas antigas guerras como na caça e na fuga dos
predadores, cada vez mais, inseridos em nossa atualidade perde-se esta
necessidade e nos tornaremos seres mórficos e estáticos, com tecnologia ultra
avançada, não me pergunte leitor o que entendo eu pela designação mórficos,
apenas deixarei isto à sua própria interpretação, pois creio que inserido no
contexto de que falo traduzirá perfeitamente a algo consistente. Seriam estes
últimos pensamentos bastante insípidos e até malévolos para com nossa sociedade,
mas é real dizermos que vivemos num mundo em que os grandes problemas e doenças
são relacionados com a inatividade física, tais como obesidade ou problemas
cardíacos. Estes que poderiam ser perfeitamente evitados se todos portassem-se
de maneira diversa no que concerne ao conceito de alegria ou prazeres. É prazer
e alegria correr na lama? Cair nesta provoca prazer? Me pergunto leitores o
seguinte: De quê adianta poucos seres humanos fazerem a maratona para baixo de
três horas enquanto que a maior porcentagem da população sequer pratica
atividade física? Seria muito mais condizente que todos praticassem atividade
física de forma moderada que uns praticarem em excesso e outros nem saberem quê
significa isso. Que esta crítica fique disposta para pensamentos posteriores
por parte do leitor.
Eis que se me
apresenta a oportunidade de divagar sobre a alegria num treino, também sobre
superação física. Seria interessante de nossa parte relacionarmos estas duas
vertentes do esporte: uma bastante descompromissada e a outra está situada no
que se diz limiar das exigências. No intento de realizar a ligação existente
entre uma e outra condição psíco-física-espacial estaremos relatando o que se
vê a seguir:
“Treinamento às 2 horas da tarde, fora
exatamente de 2.000 metros crawl de leve à moderado numa só tacada e com grande
prazer, este oriundo duma força adicional que se me apoderou pelo fato de que à
duas semanas iniciei com o trabalho adicional de musculação, este me
proporcionou um maior controle de movimentos. Já às 8 horas da noite a segunda
parte do treino, com euforia saí de casa já tendo ouvido músicas com alto teor
de estímulo, chegando no local do treino, uma piscina coberta e aquecida, fora
estipulado e organizado aquecimento, treino de tiros estilo pirâmide, e parte
de fortalecimento fora da água. Estávamos em três assim o treino ficou, segundo
meu modo de ver, bastante competitivo. Numa união fizemos o treino de tiros
finalizando-o com uma vontade sobre normal. Bastante interessante foi o justo
momento final em que todos cumprimentaram-se com clamores e vivas, abraços e
cumprimentos, além de gritos ou grunhidos de vitória, o que pode haver parecido
estranho à um espectador que não estivesse envolvido com o evento, este suposto
espectador poderia até fazer um julgamento errôneo pensando um bando de peixes
insanos estarem infestando uma piscina, porém a verdade fidedigna que se nos
envolvia era a de que os esforços haviam sido justos e iguais entre todos, no
momento em que nadávamos havia harmonia entre as braçadas e o ritmo de modo que
a velocidade impressa era sempre a mesma, quando você nada ao lado de outras
pessoas sua visão se prostra à vários ângulos e detalhes como por exemplo o
rosto do nadador que está ao seu lado, é possível que você veja como estão
sendo executadas suas braçadas com o intuito de saber se ele finaliza bem o
movimento, com isso você pode concluir perfeitamente se ele está ou não cansado
e por conseguinte comparar-se à ele nos aspectos de desgaste físico, isto é
supostamente o que eu fazia naquele momento tanto para com o nadador que se
encontrava à direita como o da esquerda. Numa irônica e desgraçada faceta por
um certo momento ocorreu que eu tendo ficado pouco mais para trás encontrei-me
na medida das pernas destes outros dois nadadores, estas que se movimentavam
freneticamente num movimento cadenciado ântero-posterior provocando com isso
ondulações. É à estas ondulações que devo o aspecto ironicamente terrificante
deste caso já que embebi-me por três vezes consecutivas água, ficando
consternado com o acontecimento irrevogável decidi aumentar o ritmo e não
volver mais atras para que tal acontecimento não sucedesse mais. Em nós havia
forte sentimento de união principalmente ao final do treino pirâmide, que como
dito parecíamos velhos amigos numa reunião após cerca de dez anos de
confinamento. Após estas comemorações adjacentes prosseguimos o treino com o
fortalecimento fora d’água com variações de corda, abdominais e flexões dois
minutos em cada estágio adicionado de exercícios isométricos, com isso
finalizara-se-me o segundo treino do dia, tendo com euforia executado este
segundo.”
Quê podemos abordar com a descrição
anteriormente proferida? Há certamente um atleta que treinou duas vezes ao dia,
não que hajam sido treinos extenuantes, mas sim devemos considerar que foram
dois treinos de médio porte. O caráter de união do segundo treino é bastante
evidente, assim como a rivalidade existente entre os atletas. Vemos por
conseguinte que a rivalidade coexiste à união. Pode parecer anormal pensar que
sentimentos contraditórios existam num só tempo, porém no caso presente é
totalmente aceitável já que esta trata-se da rivalidade benfazeja aos
sentimentos, poder-se-ia dizer até que é ela mesma a responsável pela união.
Bastante intrigante é dissertar sobre o sentido de união que há entre os seres
humanos, são fatores completamente ideológicos os que fazem pensarmos que uma
pessoa é amiga ou um desconhecido com o qual não podemos travar conversação, do
contrário logo não haveriam laços de união entre os seres humanos, e seriamos
por assim dizer individualistas. A amizade é um dos fatores que estão
relacionados com o que se diz ser laços de união, a comunicação é o que faz com
que este processo se desencadeie. Pessoas quietas e recatadas geralmente não
possuem muitas comunicações, decorrente disto menos laços de amizade. Por outro
lado temos aquelas que são extasiadamente comunicativas, a ponto de parecerem
apresentadoras de um circo ou programa do tipo “show de calouros”. No que
consta às pessoas quietas diremos que são mais pensativas, as outras falam de
tudo e à todos, inclusive àquelas que não conhecem. Aos leitores ávidos por um
sentido lógico ao discurso entabulado digo que não estamos fugindo do assunto
deste capítulo, tudo dependerá exclusivamente do que considera-se por
perfeição, já que a comunicação social traz grande satisfação espiritual ao ser
humano, diz-se por conseguinte que não seria tão só a perfeição o suposto
melhor tempo ou uma quebra de recorde mas sim uma alegria provinda da
comunicação entre as pessoas, que num nível mais superior que se pode chegar
diria que chama-se amor, um sentimento tão digno quanto nobre entre as pessoas,
e que vejo muito em falta na sociedade do dinheiro em que vivemos. Claro que
este é um assunto de profunda seriedade, e tal que traz às nossas consciências
muitas vezes uma culpa de grande peso por não sabermos lhe dar com os
sentimentos mais profundos de nosso próprio ser. Volvemos entretanto ao caso do
ser comunicativo e do outro quieto e cerrado como uma porta de ferro. Pois é
assunto de igual importância tal como é o amor, também relacionado com este já
que a comunicação é uma das maneiras de transmissão e demonstração de amor.
Tendo eu, caríssimos leitores, ultimamente trabalhado neste campo que se diz
musculação numa academia de médio porte à qual não vejo sequer necessário citar
o nome, tive contato com uma realidade divergente e bastante apreciável justo
por estas diferenças. Considerar-se-á que a humanidade é dividida entre seres
de características psicológicas diferentes, e que os seres humanos estão
dispostos de uma maneira que cada qual possui certa tendência a adequar-se em
determinado esporte ou atividade diária, já que muitos sequer praticam
atividades físicas, assim sendo é dito que a musculação é uma atividade na qual
inserem-se pessoas de características psicológicas similares ou de
personalidade semelhante. Não querendo em qualquer instância fugir do assunto
principal direi o que noutro dia discutia brevemente com um colega do curso de
Educação Física no qual estou inserido: dizia ele então que as pessoas que
praticam triatlhon são individualistas, não somente por ser um esporte com
estas características, mas também suas próprias nuanças mentais deveriam de ser
assim. Pois está veementemente dito que somos divididos em grupos de
características singularmente parecidas, isto tudo está claramente relacionado
com o que anteriormente estava sendo discutido: a comunicação social, pois em
cada um destes grupos esportivo irá haver por conseguinte um tipo específico de
comunicação. Particularmente, talvez com aprovação dos leitores e com a discórdia
dos críticos ferrenhos, creio que o futebol seja esporte violento no modo de se
comunicar. Nossos ditames, finalmente chegam a decorrer à corrida, vemos com
isso que é esporte individual, seria de certa forma condizente pensar que por
este motivo não haveria comunicação, mas há sim, é comunicação corporal ou
verbal, transmitida de forma mais sutil. Não perdendo o fio da meada vamos
comedidamente discorrer sobre a comunicação social relacionando-a com a
musculação, já que este é um tema que se me apresenta pertinentemente
importante para que possamos extrair conclusões interessantes: Vejo que em
específico nesta academia há uma divergência de personalidades dentro da mesma
área, neste caso estaríamos numa situação ambígua e até contraditória às informações
anteriores, no entanto são detalhes que não impedem de fazermos uma
generalização já que há certamente uma grande maioria de pessoas com
semelhantes feições mentais. São no geral pessoas fechadas, o que para min
parece ser bastante estranho por não estar acostumado a conviver num ambiente
social de tais facetas. Creio que as pessoas efetivamente respeitosas e
comedidas são vistas como damas ou fidalgos o que até certo ponto é de grande
respeito, mas nada disto é semelhante ao cúmulo de evitar-se um comprimento ou
gesto de comunicação, viram os olhos como se fossem máquinas. Deserto que isto
representa um exagero de taciturnidade ou falta de sentimentos para com o
semelhante, decorrente uma falha psicológica que deveria ser trabalhada, se
estou falando erroneamente nossa sociedade irá caminhar à uma trilha triste e
apática. Estas considerações com relação à esta atividade foram feitas noutro
dia pela respectiva professora de recreação da anterior faculdade citada na
qual curso, veja a matéria à qual ministra aulas esta professora: recreação.
Certamente a recreação é um espaço de muitas atividades descompromissadas e
muito comunicativa, o contrário do caso infeliz que citei. Não quero em
hipótese alguma desconsiderar esta tão benfazeja atividade que é a musculação,
tanto que fazendo um labor dentro desta me vejo muito aprendendo e notando de
grande importância, constato porém que é de devida justiça diferenciarmos
comunicação nos respectivos esporte, estas contribuem para a melhor ou pior
comunicação por conseguinte chegamos à perfeição social, que faz devida parte
no que se refere à perfeição.
Os laços de
união entre as pessoas são psicológicos, mas devidos à uma causa
primordialmente física, como por exemplo: conheço um colega porquê ele também
gosta de nadar e com isso conversamos sobre este assunto e sobre as
ramificações da atividade. Assim dividimo-nos em diversas comunhões sociais,
criadas pelos gostos que temos pelas atividades. Por isso está dito que a causa
inicial é física, gosto de correr portanto encontrando outros que gostam da
mesma coisa logo o conheço e trocamos idéias. Poder-se-ia dizer que a amizade
não existe e sim os gostos ou causas físicas, a amizade é na verdade uma
convenção ocasionalmente proveitosa que se faz. Entretanto no antro da alma
humana, e dos sentidos racionais mais desenvolvidos do ser humano está o amor,
este não poderíamos dizer que é falso ou imaginário mas sim uma verdade quase
que incompreensível por seu sulco de grandiosidade. Como existe amor entre as
pessoas se não existe amizade? Pode-se amar um desconhecido? Isto certamente
diriam os grandes mestres religiosos, mas nós devemos chegar à uma conclusão
lógica... É certo que o amor não é necessariamente lógico por não porvir do
racional, assim não podemos discutir de forma lógica sobre ele. Não isto seria
distorcer a lógica de nossos pensamentos. Muitos dizem que o amor é
incondicional logo ama-se à tudo e à todos dependendo tão somente da capacidade
de amar pessoal. Este tema é bastante apreciável quando o relacionamos com a
solidão, ou com o caráter de individualidade do triatlhon ou da corrida o qual
já fora citado anteriormente, não pode-se dizer que os maratonistas são pessoas
menos comunicativas que atletas que têm função como parte de uma equipe, há de
se ressaltar que existem equipes de corredores, estes corredores atuam em
equipe até durante em provas em que dividem um integrante de cada vez para
“puxar o ritmo”: Não seria isto por exemplo trabalhar em equipe? Estas últimas
considerações são bastante visíveis no ciclismo, talvez pela questão de que o
vento é mais forte, e que por isto faz uma maior diferença no atleta que
comanda o ritmo desgastando-o mais que os outros, e por isso é necessário uma
atuação em equipe. Este assunto de atuar ou não em equipe é bastante volátil já
que vemos muitos jogadores de futebol sendo chamados de individualistas, sendo
chamados de forma vulgar de “fominhas” ironicamente têm-se a impressão de que
estes irão deglutir vorazmente a bola, sendo esta colocação poética isto não
ocorre, mas sim que não trabalham em equipe, representa-nos como magnífico
enigma perguntarmo-nos se este seria um melhor corredor ou nadador, já que
ultimamente temos sabido que os atletas de esportes “individuais” podem com
perfeição trabalhar em equipe.
Para se
trabalhar em equipe deve haver comunicação tal como fora preestabelecido na
descrição que se iria fazer o treino específico da “pirâmide”, assim chega-se à
sublimidade de fazer-se um treino em grupo, o que se mostra bastante diferente
dum treino solitário, em quê como será visto futuramente há também comunicação
leitores, para que fiquem pasmados.
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